Seis anos depois de iniciado o processo de reformulação do transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia, Adriano da Rocha Lima fez, emocionado, sua última entrega. À frente da secretaria-geral de Governo, um dos aliados mais fiéis do governador Ronaldo Caiado (PSD) fez um balanço do trabalho na administração e recebeu calorosos aplausos após um discurso comovido.
Na entrega da reformulação do Terminal Padre Pelágio, Rocha Lima lembrou que, quando recebeu a incumbência de mudar a realidade do transporte coletivo, foi alertado: “Diziam: ‘não mete a mão nisso, todos que tentaram não conseguiram’. Mas o transporte estava cada vez mais degradado, a população sem dignidade para se mover e uma pandemia colapsou de vez o sistema. Iria acabar. A partir dali, começamos a enfrentar”, lembra.
As primeiras medidas passaram por um socorro emergencial ao sistema e a formulação de um plano para trazer o usuário de volta e dar sustentabilidade ao transporte coletivo. Depois de inúmeras reuniões com prefeitos e empresários, disse, foi feita uma pesquisa qualitativa para perguntar à população o que era preciso mudar.
“Através de financiamento público, iniciamos a transformação. Esta é a última etapa de um processo que começou lá atrás. Precisávamos reestruturar os seis terminais do hoje BRT Leste-Oeste, com todas as 19 estações, 7 mil pontos de ônibus e a frota de 1,2 mil veículos”, ressaltou.
Tecnologia
Durante a transformação, o secretário também se preocupou com a sustentabilidade. “Verificamos a possibilidade de não só renovar a frota, mas aproveitar para engajar a cadeia produtiva e descarbonizar o meio ambiente. Começamos com os ônibus diesel Euro 6, partimos para os elétricos e colocamos os ônibus a biometano. Um estado com essa produção agrícola gera matéria-prima necessária para o combustível mais ecologicamente correto que existe”, ressaltou.
Mentor dos grandes projetos de tecnologia do governo Caiado, Rocha Lima diz que o trunfo de Goiás foi ‘antecipar tendências’. Do ônibus de biometano à Inteligência Artificial, o trabalho foi para ampliar a digitalização e trazer soluções sustentáveis ao estado.
“Em 2019, detectamos que a IA era pouco falada no mundo e percebemos que poderíamos ser protagonistas. Chamamos a UFG, investimos e hoje temos o Centro de Desenvolvimento de IA mais relevante de todo o Hemisfério Sul do planeta. O curso da UFG tem a segunda maior nota de corte de todo o Brasil”, comemorou.
No balanço, o SGG incluiu as terras raras. O trabalho do governo em potencializá-las, destacou, começou em 2019. “O investimento lá atrás colocou o estado como segundo maior produtor do mundo, perdendo só pra China. Através dessa iniciativa, antes de se tornar moda, construirmos uma lei, fechamos acordos com EUA, Japão e há outros em desenvolvimento”, ressaltou.
“São políticas públicas com visão de longo prazo. Quando são antecipadas, pegamos água limpa. Quando se torna moda, o estado de Goiás já está lá na frente”, completou Rocha Lima.
Nas últimas palavras, o secretário passou a ter a voz embargada e precisou recorrer a um copo d’água para evitar o choro. E se despediu. “Para mim em especial é o último grande evento de entrega que participo à frente do governo Ronaldo Caiado. Dia 31 de março me desincompatibilizo. Tudo isso me dá uma sensação de dever cumprido e algo que a trajetória no setor privado nunca me deu. Essa possibilidade que, ao circular por aqui e nos outros terminais que reformamos, receber um agradecimento do cidadão que usa o transporte coletivo. É essa transformação, entregar para a população. Isso não tem preço. O setor privado nunca me deu essa possibilidade de ver a vida das pessoas transformadas.”
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