A cúpula do PL encomendou uma pesquisa para medir nos próximos dez dias o impacto político da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre a corrida presidencial de 2026 – e se Lula se afastar 10% à frente, a pré-candidatura do senador será reavaliada. A informação foi publicada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (22) com base em fontes do partido.
Segundo a jornalista Luísa Marzullo, o levantamento servirá como base para que o partido decida os próximos passos da estratégia eleitoral do senador após o desgaste provocado pelas mensagens, áudios e pela revelação do encontro entre os dois depois que Vorcaro já estava usando tornozeleira eletrônica e o escândalo do Master já ser público.
De acordo com a reportagem, dirigentes do PL afirmam nos bastidores que a principal preocupação hoje é medir se a crise abriu uma distância considerada “crítica” entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas simulações de segundo turno.
Essa pesquisa teria sido discutida internamente entre dirigentes como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho, e outros integrantes da cúpula da legenda. A expectativa é que o resultado fique pronto em cerca de dez dias.
Um prazo de 10 a 15 dias para conferir a viabilidade de Flávio após o escândalo da proximidade dele com o banqueiro já tinha vazado após a reunião que a cúpula teve com o senador assim que ele confirmou ter se encontrado com Vorcaro na terça-feira desta semana. A novidade foi o método: uma pesquisa.
Conforme o jornal, interlocutores da direção do PL afirmam que o partido trabalha internamente com uma espécie de “número mágico” para definir a gravidade do cenário. Nesse sentido, “caso a pesquisa indique abertura de cerca de dez pontos de vantagem de Lula sobre Flávio, dirigentes admitem que a discussão sobre a viabilidade da candidatura presidencial do senador inevitavelmente ganhará força dentro da legenda”, informa O Globo.
Dentro do PL o clima é de que um desgaste menor ainda poderia ser absorvido ao longo da campanha, sobretudo se não houver novos fatos envolvendo Vorcaro nas próximas semanas. Neste sentido o número seria de quatro e cinco pontos em relação a Lula, considerado administrável pelos líderes bolsonaristas.
Michelle surge como opção
Por outro lado, se a pré-candidatura do senador desidratar mais que 10% em relação à de Lula, o partido seria forçado a recalcular toda a estratégia presidencial para as eleições de outubro e discutir de maneira mais concreta alternativas dentro do próprio bolsonarismo.
É nesse ambiente que o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro volta a circular com mais intensidade entre dirigentes partidários, parlamentares e lideranças evangélicas como eventual substituta de Flávio caso a crise se agrave. O nome dela inclusive estaria incluído em uma pesquisa Datafolha que foi anunciada para ser divulgada nesta sexta-feira (22), a confirmar.
Os bolsonaristas avaliam, segundo o jornal, que Michelle preservaria de maneira mais automática a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro e teria menos resistência hoje em setores do eleitorado conservador atingidos pelo desgaste do caso Vorcaro. Ela, inclusive, tem evitado comentar o assunto, recomendando aos jornalistas consultarem Flávio Bolsonaro, quando perguntada.
Mas, segundo a reportagem, integrantes da direção do PL acham difícil que Jair Bolsonaro (PL) aceite substituir o filho pela esposa numa disputa presidencial, sobretudo diante da resistência de seus outros filhos, Carlos e Eduardo, com a madrasta.
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