14 de fevereiro de 2026
Saúde pública • atualizado em 13/01/2026 às 10:57

Médicos da rede municipal de Goiânia paralisam atendimentos e realizam manifestação

Manifestação ocorre nesta terça-feira (13), em frente ao CIAMS Jardim América, e denuncia precarização das condições de trabalho e impactos no atendimento à população
Profissionais da rede municipal de saúde realizam ato em defesa de condições dignas de trabalho e da qualidade do atendimento no SUS, em Goiânia. (Foto: Divulgação).
Profissionais da rede municipal de saúde realizam ato em defesa de condições dignas de trabalho e da qualidade do atendimento no SUS, em Goiânia. (Foto: Divulgação).

Profissionais da rede municipal de saúde de Goiânia realizam, nesta terça-feira (13), uma manifestação em frente ao CIAMS Jardim América, localizado na Praça C-201, no setor Jardim América. O ato tem como objetivo alertar a sociedade e o poder público sobre a precarização das condições de trabalho e os impactos diretos na qualidade da assistência prestada à população.

Segundo os trabalhadores, mesmo diante de unidades superlotadas, falta de insumos, ausência de equipes completas e desvalorização profissional, os servidores seguem se esforçando diariamente para atender a demanda. No entanto, a categoria afirma que o cenário atual evidencia um limite institucional e humano, comprometendo tanto a saúde dos profissionais quanto o atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Denúncias de precarização e cortes

O movimento denuncia cortes na remuneração, vínculos de trabalho cada vez mais precários, cláusulas consideradas abusivas nos processos de credenciamento e o esvaziamento dos espaços de controle social. De acordo com as entidades sindicais, esses fatores têm contribuído para o aumento da judicialização da saúde e para a fragilização do atendimento à população.

Nesse contexto, o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO) informou que os médicos credenciados vinculados à Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia iniciaram paralisação dos atendimentos a partir da 0h desta terça-feira (13), por tempo indeterminado.

A decisão foi tomada durante Assembleia Geral Extraordinária Permanente, realizada no dia 6 de janeiro de 2026, diante da persistência de problemas considerados graves tanto nas condições de trabalho quanto na assistência prestada à população.

Principais reivindicações

Entre as principais reivindicações apresentadas pela categoria estão:

  • garantia de condições dignas de trabalho;
  • disponibilização de recursos humanos e materiais adequados nas unidades de saúde;
  • regularidade e previsibilidade dos pagamentos, evitando atrasos recorrentes;
  • manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024;
  • revogação do Edital de Chamamento nº 03/2025, que prevê redução de até 35% nos honorários médicos e jornadas de até 24 horas contínuas, sem descanso adequado.

Atendimentos essenciais e posicionamento da SMS

O SIMEGO ressalta que a paralisação é consequência direta da ausência de respostas efetivas por parte da administração municipal às demandas apresentadas. O sindicato destaca ainda que o movimento não configura abandono de assistência, mas um gesto extremo para chamar a atenção da sociedade para um modelo que, segundo a entidade, adoece quem cuida e coloca pacientes em risco.

Em nota divulgada na semana passada, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) afirmou que, em razão da natureza essencial dos serviços, os atendimentos de urgência e emergência precisam ser integralmente mantidos em todas as unidades da rede. A pasta informou ainda que o novo credenciamento adequa os valores dos plantões médicos à realidade de mercado, com base em estudo de impacto orçamentário e financeiro que avaliou os valores praticados em toda a região metropolitana de Goiânia.

A SMS esclareceu que, tanto no edital anterior quanto no atual, o pagamento dos profissionais credenciados está previsto para o 20º dia útil do mês subsequente e que, no momento, não há repasses em atraso. A secretaria ressaltou também que os médicos optam pela carga horária no ato da contratação e que o credenciamento estabelece limite máximo de 24 horas para plantões médicos, conforme previsto na legislação brasileira e recomendado pelo Conselho Federal de Medicina, com resguardo dos períodos de descanso.

Conforme determina a legislação, os atendimentos de urgência e emergência seguem mantidos, de modo a não comprometer situações que envolvam risco imediato à vida. Os demais atendimentos, segundo o sindicato, somente serão retomados após o atendimento integral das reivindicações da categoria.

As entidades sindicais da saúde afirmam que permanecem abertas ao diálogo institucional, desde que acompanhado de medidas concretas que garantam respeito, valorização profissional e segurança na prestação dos serviços de saúde à população de Goiânia.


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