Os médicos credenciados que atuam na rede municipal de saúde de Goiânia anunciaram paralisação dos atendimentos a partir da 0h do dia 13 de janeiro, por tempo indeterminado. A mobilização foi comunicada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO), que aponta precarização das condições de trabalho, redução de honorários e falta de diálogo com a gestão municipal.
Em nota enviada ao Diário de Goiás, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) destacou que, por se tratarem de serviços essenciais, os atendimentos de urgência e emergência devem ser integralmente mantidos em todas as unidades da rede, conforme determina a legislação. Confira a nota na íntegra ao final.
A SMS afirmou ainda que o novo edital de credenciamento tem como objetivo adequar os valores dos plantões médicos à realidade de mercado, com base em estudo de impacto orçamentário e financeiro que avaliou os valores praticados em toda a região metropolitana de Goiânia. Segundo a pasta, a medida busca garantir sustentabilidade financeira ao sistema municipal de saúde.
Sobre os pagamentos, a secretaria esclareceu que tanto o edital anterior quanto o atual preveem o pagamento dos profissionais credenciados até o 20º dia útil do mês subsequente, e que não há repasses em atraso no momento.
Em relação à carga horária, a SMS ressaltou que a escolha da jornada é feita pelos próprios médicos no ato do credenciamento. O limite máximo de 24 horas para plantões médicos, previsto no edital, segue a legislação brasileira e é recomendado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), garantindo, segundo a pasta, os períodos adequados de descanso aos profissionais.
Apesar da paralisação anunciada pelo sindicato, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou que segue monitorando a situação para assegurar a continuidade dos serviços essenciais à população. O SIMEGO, por sua vez, mantém a mobilização e afirma que os atendimentos eletivos só serão retomados após o atendimento integral das reivindicações da categoria.
Entenda o caso
Os médicos credenciados que atuam na rede municipal de saúde de Goiânia anunciaram paralisação dos atendimentos a partir da 0h da próxima terça-feira, 13 de janeiro de 2026, por tempo indeterminado. A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO).
A decisão foi tomada durante Assembleia Geral Extraordinária Permanente, realizada no dia 6 de janeiro, diante do que o sindicato classifica como a persistência de problemas graves nas condições de trabalho e na assistência prestada à população.
Entre as principais reivindicações da categoria estão a garantia de condições dignas de trabalho, a disponibilização de recursos humanos e materiais adequados nas unidades de saúde, além da regularidade e previsibilidade dos pagamentos, diante de atrasos recorrentes enfrentados pelos profissionais.
O sindicato também cobra a manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024 e a revogação do Edital de Chamamento nº 03/2025, que, segundo a entidade, promove redução de até 35% nos honorários médicos e prevê jornadas de até 24 horas contínuas, sem descanso adequado.
De acordo com o SIMEGO, a paralisação é resultado da ausência de respostas efetivas da administração municipal às demandas apresentadas e tem como objetivo alertar para a precarização do trabalho médico e seus reflexos diretos na qualidade do atendimento à população.
Conforme determina a legislação, os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos, para não comprometer situações de risco imediato à vida. Os demais serviços só devem ser retomados após o atendimento integral das reivindicações da categoria.
O sindicato afirma que permanece aberto ao diálogo: “O sindicato reafirma sua disposição para o diálogo, desde que acompanhado de medidas concretas que garantam respeito, valorização profissional e segurança na prestação dos serviços de saúde à população de Goiânia”, afirmou Franscine Leão, presidente do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás.
Confira a nota da SMS Goiânia na íntegra:
NOTA
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informa que, em razão da natureza essencial dos serviços, os atendimentos de urgência e emergência precisam ser integralmente mantidos em todas as unidades da rede. A SMS pontua que o novo credenciamento adequa os valores dos plantões médicos à realidade de mercado e é embasado por estudo de impacto orçamentário e financeiro que avaliou os valores praticados em toda a região metropolitana de Goiânia. A pasta esclarece que, tanto no edital antigo quanto no novo, o pagamento de profissionais credenciados é previsto no 20º dia útil do mês subsequente e que não há atualmente repasses em atraso. A secretaria ressalta que são os médicos, no ato da contratação, que optam pela carga horária desejada. O credenciamento estabelece limite máximo de 24h para plantões médicos, previsto na legislação brasileira e recomendado pelo Conselho Federal Medicina, resguardando os períodos de descanso dos profissionais.
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