A vereadora Aava Santiago publicou um vídeo em suas redes sociais com duras críticas à decisão do PSDB de pedir a cassação do mandato dela por infidelidade partidária ao se filiar no PSB, onde afirma: “Me apeguei à palavra de Marconi” e que ele sabia de sua insatisfação ideológica e com o tratamento recebido na legenda.
Enquanto o candidato a prefeito em 2024, Matheus Ribeiro, hoje presidente do PSDB estadual, recebeu R$ 3 milhões, a vereadora cita que teve direito a R$ 50 mil e foi a mais mulher mais bem votada da história da Câmara Municipal de Goiânia, conquista que cita na gravação.
Esse e outros argumentos citados, tendem a ser utilizados pela vereadora no recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), já que Aava cita negligência, tratamento diferenciado e até perseguição interna ao seu mandato, aspectos que podem ser vistos como plausíveis para uma saída sem punição fora da janela partidária, que começou no dia 5.
“Na ação, o PSDB menciona que eu obtive ajuda financeira, como se isso não fosse obrigação pela lei eleitoral. Mas esse argumento é cínico, desonesto, insulta a nossa inteligência e tortura a matemática. Na última eleição, eu recebi R$ 50 mil de fundo eleitoral, enquanto o presidente do partido em Goiânia [Matheus Ribeiro], que assina a ação, recebeu R$ 3 milhões. O meu voto custou ao partido R$ 4,76. O dele custou R$ 65. Eu fui eleita, ele não”, diz Aava.
Ela ainda aponta uma realidade interna de tensão. “Eu fui sabotada internamente diversas vezes, a ponto de ter sido destituída da presidência municipal em 2024 por uma decisão tomada às pressas em uma chamada de vídeo e sem direito à defesa. Nunca reclamei disso em público”, sinalizando que essas atitudes desestimularam a permanência no ninho tucano, mesmo sem ter divulgado os atritos.
Aava reitera a existência de um acordo com o ex-governador Marconi Perillo quando ele presidia o diretório estadual (e nacional) para que ela deixasse a legenda sem que isso fosse questionado na Justiça Eleitoral. “eu tinha uma coisa e me apeguei a ela, a palavra de Marconi e Pirillo, a quem eu reportei cada passo das conversas com outros partidos”, afirma.
No vídeo, ela acrescenta o peso de sua atuação para o PSDB. “Ajudei a construir políticas públicas, ajudei a eleger muitas pessoas, entreguei suor, tempo e conquistas. Em 2020, quando o partido era terra arrasada e ninguém queria associar sua imagem a ele, eu disputei e ganhei a eleição, colocando a sigla de novo na política goianiense”, afirma.
Depois, Aava Santiago revela, sem detalhar, que sofreu calada as dores políticas da legenda: “Quantos desgastes que não eram meus eu assumi por lealdade? Quantas vezes eu tive que explicar e defender o partido e seus líderes? Mas eu enfrentei cada uma dessas tempestades com a firmeza de quem tem compromisso, com o brilho de quem tem palavra”.
A parlamentar ainda lamenta que a decisão tenha sido anunciada agora, período em que as mulheres são celebradas – “Um pequeno grupo de homens decidiu que quer calar a principal voz de oposição da cidade. O motivo alegado? Infidelidade partidária”.
Nos comentários, quando foi questionada por ter deixado a legenda fora da janela partidária e agora reclamar do ex-governador, Aava responde relembrando que estava há cinco meses tratando da saída internamente. “Não me precipitei. Ao contrário, retardei o momento atendendo ao pedido do @marconiperillo. Ele me pediu para não fazer nada no ano passado, aí eu esperei virar o ano em respeito a ele. Estou muito triste com esse desfecho porque nunca deixei de cumprir uma linha do combinado com ele e não esperava que ganharia isso em retribuição”, respondeu Aava para um seguidor.
A reportagem procurou Marconi Perillo e Matheus Ribeiro e aguarda retorno de suas assessorias para a versão deles.
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