O ex-governador Marconi Perillo (PSDB), candidato ao governo de Goiás pela oposição, afirmou nesta sexta-feira (21) que conversou com Wilder Morais (PL), também candidato ao Palácio das Esmeraldas, e que ambos combinaram apoio mútuo caso apenas um deles avance para o segundo turno. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Microfone Aberto, da Rádio Difusora de Goiânia.
Segundo Marconi, Wilder teria concordado com a possibilidade de apoiar o tucano caso ele chegue à segunda etapa da disputa. Da mesma forma, Marconi afirmou que apoiará Wilder se o candidato do PL for para o segundo turno.
“Já tivemos conversas, eu disse, olha, se você for para o segundo turno, eu te apoio, porque a gente precisa mudar o governo aqui. Tirar o Daniel”, afirmou.
Questionado se Wilder havia declarado que também o apoiaria, Marconi respondeu que sim. O tucano, porém, ressaltou que espera que o compromisso seja confirmado durante a campanha e disse estar seguro de que chegará ao segundo turno.
Marconi afirma que oposição pode se unir contra Daniel Vilela
Ao tratar de um eventual segundo turno, Marconi afirmou que espera receber o apoio de todos os candidatos de oposição ao atual governador, Daniel Vilela (MDB). O tucano também disse que, caso não avance para a segunda etapa, apoiará um candidato oposicionista.
Marconi afirmou ainda que pretende apresentar suas propostas aos demais candidatos e buscar a incorporação de algumas delas em um eventual acordo político.
Na entrevista, o candidato também criticou o atual governo, afirmando que Goiás precisa de uma gestão com foco em planejamento, trabalho e execução de políticas públicas.
Além disso, criticou e levantou suspeitas sobre as pesquisas eleitorais que dão diferença grande entre ele e Vilela, primeiro colocado em todas elas.
Oposição a Lula e ao PT
Como tem feito de forma recorrente em entrevistas, o tucano deixou claro que,no seu horizonte de alianças possíveis, a meta é se opor aos atuais governos de Goiás e federal. Ele citou sua oposição ao que chama de “lulopetismo” como norte para apoios do PSDB no âmbito da eleição para a Presidência da República esse ano.
Candidato promete reforço na segurança pública
Na área de segurança pública, Marconi afirmou que pretende realizar concurso imediatamente para reforçar o efetivo das polícias. Segundo ele, há seis cidades goianas atualmente sem policiais militares.
O candidato disse que pretende abrir concurso para 5 mil policiais militares e também apontou déficits nas polícias Civil, Penal, Técnica e Científica e no Corpo de Bombeiros.
Marconi afirmou que, quando deixou o governo em 2018, havia 14 mil policiais militares em Goiás e disse que pretende recompor o efetivo. Ele também defendeu a convocação de excedentes dos Bombeiros.
Marconi Perillo se explica pelo uso do SIMVE
Questionado sobre as críticas que recebeu pela criação do Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (SIMVE) – que permitiu a entrada de pessoal dispensado das Forças Armadas, e foi alvo de críticas na época -, Marconi reconheceu a fragilidade da medida e afirmou que a adoção ocorreu diante da necessidade de ampliar rapidamente o policiamento nas ruas.
Segundo o candidato, naquele momento o governo não tinha recursos para contratar policiais por meio de concurso e, por isso, buscou reservistas do Exército, Aeronáutica ou Marinha. Marconi afirmou que recebeu 1,5 mil nomes e que o programa funcionou como uma transição até a realização de novos concursos.
O tucano também afirmou que alguns integrantes do SIMVE posteriormente foram aprovados em concursos para as forças de segurança.
Habitação será segunda prioridade, diz candidato
Na área de habitação, Marconi afirmou que pretende retomar o Cheque Moradia e o Cheque Reforma. Segundo ele, a habitação seria a segunda prioridade de um eventual governo, atrás apenas da saúde.
O candidato afirmou que pretende conceder um Cheque Moradia de R$ 50 mil, em parceria com a Caixa Econômica Federal e as prefeituras, com o objetivo de reduzir o déficit habitacional nos municípios.
Marconi Perillo também prometeu retomar o Cheque Reforma, destinado a famílias de baixa renda que já possuem uma casa, mas vivem em imóveis considerados precários. Segundo ele, o benefício seria de R$ 16 mil.
Durante a entrevista, o candidato afirmou que, em seus governos anteriores, foram entregues 300 mil moradias entre casas e apartamentos e que 150 mil famílias foram atendidas pelo programa de reforma.
Saúde aparece como prioridade no plano de governo
Marconi colocou a saúde como prioridade número um de um eventual governo. Entre as propostas apresentadas, citou a intenção de zerar filas de cirurgias eletivas e exames e contratar hospitais particulares para ampliar a capacidade de atendimento quando não houver vagas na rede pública ou filantrópica.
O candidato também criticou a situação atual da saúde em Goiás e afirmou que pretende “tirar a saúde da UTI” e devolver os hospitais aos usuários.
Candidato promete retomada de investimentos em saneamento
Ao falar sobre infraestrutura e saneamento básico, Marconi afirmou que pretende retomar investimentos na área.
Segundo o candidato, Goiás tinha 12 estações de tratamento de esgoto quando ele assumiu o governo e chegou a 100 ao final de sua gestão. Marconi afirmou que nenhuma nova estação teria sido feita desde então.
Ele defendeu a retomada de investimentos em saneamento como parte de um projeto de infraestrutura para o Estado.
Marconi também promete reforçar programas sociais
Além da habitação, o candidato afirmou que pretende fortalecer programas como o Jovem Cidadão e a Bolsa Universitária. Segundo Marconi, a Bolsa Universitária formou 220 mil pessoas durante seus governos.
Ele também defendeu a retomada de investimentos na Universidade Estadual de Goiás (UEG), para a qual afirmou que pretende ampliar os recursos.
Na entrevista, Marconi apresentou ainda propostas relacionadas à industrialização, qualificação profissional, tecnologia e desenvolvimento regional. Para o Nordeste goiano, citou setores como energia, turismo, pecuária, agricultura e agroindústria.
Tucano cita reforma tributária e risco de saída de empresas
Marconi afirmou que a reforma tributária representa um desafio para Goiás devido ao fim dos incentivos fiscais. Segundo ele, o Estado precisará buscar alternativas para evitar a saída de empresas e a perda de investimentos.
O candidato citou uma estimativa da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial) de que 500 empresas poderiam deixar Goiás caso não sejam tomadas medidas para preservar a atividade industrial.
Entre as propostas, Marconi mencionou a criação de uma cidade voltada à inteligência artificial e à tecnologia entre Goiânia e Aparecida de Goiânia, com participação da UEG, da Fapeg, das universidades federais e dos institutos federais.
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