13 de junho de 2024
Destaque 2 • atualizado em 11/01/2021 às 21:26

Delegado Waldir defende expulsão de Major Vitor Hugo do PSL

"Infidelidade partidária" pode promover expulsão de Major Vitor Hugo do PSL
"Infidelidade partidária" pode promover expulsão de Major Vitor Hugo do PSL

Os dias do deputado federal Major Vitor Hugo no PSL e à frente do mandato parlamentar podem estar contados. Isso porque, segundo o delegado e deputado federal Waldir Soares (PSL), presidente regional da legenda a executiva nacional irá avaliar a expulsão de Vitor Hugo. A reunião será nesta terça-feira (12/01) em Brasília e poderá sacramentar a decisão por “infidelidade partidária”. 

Junto com outros 16 parlamentares do PSL, Major Vitor Hugo está suspenso da sigla e não pode exercer tarefas partidárias. Mesmo assim, articulou a saída da legenda do bloco que apoiaria Baleia Rossi (MDB-SP) e migrou para Arthur Lira (PP-AL). Ainda organizou um jantar no Palácio das Esmeraldas com a bancada de deputados federais em Goiás e o candidato à presidência da casa que acontecerá nesta segunda-feira (11/01).

LEIA TAMBÉM: Waldir traiu os eleitores, dispara Major Vitor Hugo 

Na visão de Soares, Vitor Hugo não poderia ter articulado tal aliança, haja vista, que o acordo com Baleia Rossi já havia sido costurado com garantia que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara ficaria com o PSL, caso o emedebista fosse eleito para conduzir os trabalhos na casa. “O PSL é um dos maiores partidos do país e hoje não pode abrir mão do controle da CCJ que é por onde tramita os principais projetos da Câmara Federal. Essa é uma articulação política, inteligente, sem busca de lampejos políticos e motivações de fato, pessoais”, explicou. A articulação segue os mesmos moldes do apoio que o PSL deu à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) em 2019.

“Se você se lembrar também em 2019 nós caminhamos com o Rodrigo Maia na candidatura e tivemos a possibilidade de ter o controle da CCJ que é a comissão mais importante, o PSL novamente quer o controle da CCJ. E na época nós indicamos o Felipe Francischini. E eu atendi um pedido do presidente Bolsonaro em 2019 ao fazer a aliança com o Maia porque eu dei ao filho dele, Eduardo Bolsonaro à presidência da Comissão de Relações Exteriores, que viabilizou ele ser candidato na Embaixada Americana, que deu bastante destaque internacional. Então para atender o filho do presidente Bolsonaro eu andei com o Rodrigo Maia”, rememorou.

Waldir pontuou inclusive que já conversou com a suplente do Major Vitor Hugo na Câmara. “Eu já conversei com a Denise [Brasil Menezes], que é a primeira suplente, para acionar os advogados dela, para que ela possa assumir o mandato desse deputado. Você não pode enganar as pessoas, criar um fato político, para você e outras pessoas, enganando as pessoas. Isso é muito feio. Enganaram tentando criar o partido Aliança, uma fake news. Agora criam esse fato político”. 
Soares salienta ao jornalista Altair Tavares e editor do Diário de Goiás que a criação do Aliança Pelo Brasil, inclusive, foi uma ‘fraude’ em que advogados e um grupo de parlamentares utilizaram para enganar Jair Bolsonaro e pontuou que o partido e presidente conversam para tentar um possível retorno. “

Major Vitor Hugo ao lado do presidente da República, Jair Bolsonaro: o deputado federal pode ser expulso do PSL (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Houve uma sinalização do presidente que ele gostaria de voltar para o PSL já que ele foi enganado pelos advogados deles e por alguns parlamentares dizendo que iria entregar para ele o partido Aliança e não conseguiram fazê-lo. Falávamos lá atrás, fizemos ao longo nos últimos anos na Câmara Federal e no Senado um trabalho para diminuir o número de partidos e não para crescer partidos. Hoje é muito difícil você ter um novo partido.”

Altair Tavares: Em número de filiados, depois que o presidente saiu qual é a situação do PSL em Goiás?

É o partido que mais cresceu no Estado de Goiás mesmo depois da saída do presidente da República e no Brasil, mesmo com a saída do presidente da República, nós somos o segundo partido que mais cresceu. Mais que nós, apenas o partido Rede. Nós continuamos fazer o dever de casa. É claro que se nós tivéssemos o presidente da República com certeza o partido teria crescido muito. Mas é o trabalho que eu, outros deputados federais e senadores tem feito ao longo de todo o país. Tivemos candidaturas em quase 150 municípios. Coligações com muitos partidos e estamos fazendo a boa política.

AT: O presidente Bolsonaro não faz falta para o PSL?

O presidente Bolsonaro tomou uma decisão e nos últimos meses até manifestou esse arrependimento de ter saído do partido e tem acenado uma possível volta. Isso tem sido dialogado entre o filho dele Flávio Bolsonaro e o nosso vice-presidente nacional Antônio de Rueda, os dois tem dialogado. Houve uma sinalização do presidente que ele gostaria de voltar para o PSL já que ele foi enganado pelos advogados deles e por alguns parlamentares dizendo que iria entregar para ele o partido Aliança e não conseguiram fazê-lo. Falávamos lá atrás, fizemos ao longo nos últimos anos na Câmara Federal e no Senado um trabalho para diminuir o número de partidos e não para crescer partidos. Hoje é muito dificil você ter um novo partido.

AT: Entre os que enganaram o presidente está o deputado Vitor Hugo, de Goiás?

Para mim fica complicado mencionar nomes porque eu não vivo quem está articulando buscando assinaturas para criar o Aliança. Desde o inicio, eu fui uma das pessoas que mencionou que eles estavam vendendo terrenos na lua, enganando as pessoas. O que aconteceu? A base do presidente Bolsonaro aqui em Goiás e no país acabou sendo distribuída para vários partidos e se esfacelou, e assim continua, sem rumo. Eu acredito que com o presidente tomando essa decisão [de voltar ao PSL] que deve acontecer até março a abril, eu penso que novos resultados, eu diria que se por um acaso o presidente estivesse em algum partido, no PSL ou em outro partido, ele teria eleito um grande número de prefeitos e vereadores. Sem essa base ele sofreu várias derrotas, consequências, infelizmente de alguns atos de desacertos.

AT: O PSL apoiou a eleição de Maguito Vilela. Já está participando da gestão com indicações de nomes também?

Tivemos um candidato próprio que foi o nosso deputado estadual Major Araújo e no segundo turno, em razão da afinidade que nós temos com o Daniel Vilela e com o MDB que já fizemos dezenas de parcerias com o MDB no Estado… em Itumbiara, Jataí… vários municípios nós fizemos parcerias com o MDB, elegemos juntos vários prefeitos. No segundo turno, tivemos o PSL hoje faz parte da oposição ao Governo do Estado, mesmo tendo ajudado a eleger um governador, mas levamos um chute no traseiro, hoje nos alinhamos a oposição e hoje pra mim essa oposição está representada pelo Daniel Vilela que é o meu candidato ao governo do Estado em 2022. Então, nós recebemos um convite. Reelegemos um vereador fenomenal que é o Lucas Kitão, muito diferenciado, fez um trabalho espetacular na Câmara e foi reeleito. COm base nesses fatores, fomos convidados pelo Daniel Vilela para fazer parte da gestão da prefeitura. Temos ideias fenomenais, você deve se recordar: eu fui candidato a prefeito em 2016, cantei ideias brilhantes na área do meio-ambiente, segurança pública e saúde. Recebemos esse convite para contribuir com a gestão do prefeito Maguito Vilela.

Waldir já antecipa o apoio à Daniel Vilela ao governo do Estado em 2022: “é a oposição ao Caiado”, pontua.

AT: Já indicou quem?

Nós não temos nomes indicados ainda. O atual prefeito vai fazer um levantamento e buscar os locais onde o PSL pode se adequar e havendo essa possibilidade o PSL participa da gestão.

AT: O senhor está acompanhando o seu integrante do partido, Major Vitor Hugo está levando o PSL ao apoio ao candidato Arthur Lira para presidente da Câmara dos Deputados, inclusive, com jantar hoje nós Palácio das Esmeraldas. O senhor vai participar desse jantar? O Major Vitor Hugo tem esse controle dessa base do PSL?

Na verdade, mais uma fake news. Algumas pessoas querem é… ele chuta a mãe. Porque eu digo que ele chuta a mãe… Você para nascer político, seja vereador, deputado, prefeito… Você depende de um partido político e o partido político é sua mãe, quem te gerou. E você não pode ser ingrato. É só entrar no site da Câmara, esse deputado está suspenso. Ele e mais 16 deputados estão suspensos. Uma vez que eles estão suspensos, eles não podem exercer os direitos políticos dele na gestão partidária. A iniciativa que ele teve de pegar assinaturas na verdade enseja em mais uma infidelidade partidária, então ele já está suspenso e com certeza não vamos nos reunir na terça-feira, amanhã, em Brasília, onde será proposto pela Executiva Nacional mais uma punição e que pode resultar na expulsão dele e de mais 16 parlamentares por infidelidade partidária. Eu já conversei com a Denise [Brasil Menezes], que é a primeira suplente, para acionar os advogados dela, para que ela possa assumir o mandato desse deputado. Você não pode enganar as pessoas, criar um fato político, para você e outras pessoas, enganando as pessoas. Isso é muito feio. Enganaram tentando criar o partido Aliança, uma fake news. Agora criam esse fato político. Eu vejo uma alegação tola: “vocês estão num bloco com o PT”. Se você se lembrar o presidente Bolsonaro era do PP, o presidente Bolsonaro era petista e esquerdista? Ele votou mais de 50% durante o mandato do Lula e da Dilma o presidente Bolsonaro votou com a esquerda mais de 50%? Ele é esquerdista? Ele é lulista? Não… eu não tenho conhecimento disso. Se você se lembrar também em 2019 nós caminhamos com o Rodrigo Maia na candidatura e tivemos a possibilidade de ter o controle da CCJ que é a comissão mais importante, o PSL novamente quer o controle da CCJ. E na época nós indicamos o Felipe Francischini. E eu atendi um pedido do presidente Bolsonaro em 2019 ao fazer a aliança com o Maia porque eu dei ao filho dele, Eduardo Bolsonaro à presidência da Comissão de Relações Exteriores, que viabilizou ele ser candidato na Embaixada Americana, que deu bastante destaque internacional. Então para atender o filho do presidente Bolsonaro eu andei com o Rodrigo Maia. O PSL é um dos maiores partidos do país e hoje não pode abrir mão do controle da CCJ que é por onde tramita os principais projetos da Câmara Federal. Essa é uma articulação política, inteligente, sem busca de lampejos políticos e motivações de fato, pessoais.

AT: O PSL está abraçado com a campanha de Baleia Rossi?

O PSL tomou uma decisão partidária. Nós caminhamos o Baleia Rossi, é ele que vai manter as instituições democráticas. Há poucos dias, você viu um grupo de extrema-direita do PSL defender fechar o COngresso Nacional. Fechar o STF. Eu não gosto de alguns ministro, mas para impedir um ministro é só através do Senado, você não pode falar maluquice, pegar uma tocha e ir lá para frente querer queimar o Senado, ou como fizeram agora nos Estados Unidos com o Trump. Você não pode querer fechar as Prefeituras, as Câmaras de Vereadores, as Assembleias Legislativas, o Poder Judiciário, o Ministério Público, é isso que defende esse grupo de parlamentares de extrema-direita do PSL. O PSL raiz, o PSL ele é democrático. Então nós temos que pensar que temos três poderes e leis no país e vivemos numa democracia estável. Não vai ter ditadura militar, os militares não vão tomar o poder amanhã. Então nós vivemos numa democracia. 

Waldir criticou ala da extrema-direita do PSL e defendeu punição severa com expulsão dos parlmentares da legenda: “O PSL raiz é democrático”

AT: Já que se  o senhor citou essa questão americana, se o Congresso fosse invadido daquele jeito como o Capitólio foi invadido, o senhor faria como?

Na verdade, já houve algumas tentativas aqui no Brasil. Várias vezes quando se vota uma situação aqui no país, é… tem se tomado decisões duras. E pessoas tem sido presas. O STF agiu muito bem prendendo várias pessoas que tentaram invadir em outros momentos o próprio STF e a Câmara Federal. E lá, você tá vendo resultado. O unico deputado que causou invasão, já renunciou e pediu desculpa. Todos os que participaram daquela ação estão sendo feitos. Eu acredito que talvez dê tempo ainda para o impedimento do presidente Trump que é maluco. Quando essas pessoas saem da casinha, você tem que dar o remédio para elas, e o remédio sem dúvida nenhuma é a cadeia e tirar ela do convívio da sociedade. Da mesma forma, os órgãos instituídos aqui no Brasil dariam o mesmo remédio. Usando os remédios da carta magna da Constituição nos dá. Isso é democracia.


Leia mais sobre: / / / / Destaque 2 / Política

Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.