O professor Anderson Soares, fundador e presidente do Conselho do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), é o nome mais influente do Brasil na área de Inteligência Artificial. É o que aponta o estudo Pulso 2026/2027, realizado pela consultoria Deck em parceria com a Nexus, empresas da FSB Holding. Atualmente, o CEIA atende 101 empresas.
Professor da UFG ganha destaque nacional na área de IA
O professor, que é doutor em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e atualmente também é Chief AI Officer (CAIO) e vice-presidente (VP) da AI Brasil – maior comunidade e hub de Inteligência Artificial do país, falou com o Diário de Goiás nesta terça-feira (25) sobre a importância dessa posição de destaque.
Na categoria Inteligência Artificial ele aparece na primeira colocação, à frente da executiva Tania Cosentino, da Microsoft, e da especialista Nina da Hora, pesquisadora reconhecida por sua atuação em temas relacionados à justiça algorítmica. No total, o levantamento analisou mais de 2 mil perfis em 21 setores da economia brasileira e avaliou critérios como influência, reputação e afinidade, colocando o professor do CEIA em primeiro.
Reconhecimento é atribuído ao trabalho desenvolvido em Goiás

“É um sentimento de recompensa muito grande. Eu fico muito feliz por isso. A pergunta que eu mais ouvia ao longo dos anos foi como que eu fazia inteligência artificial fora do eixo, em Goiás”, lembra, para observar que esse estigma foi superado com um trabalho que envolveu a universidade e setores públicos, ganhando importância e dimensão nacionais.
“A universidade também tem um papel muito importante nessa jornada, porque foi um ambiente que sempre me deu total apoio e liberdade para desenvolver o meu trabalho. Também o apoio do governo de Goiás em estabelecer o Centro de IA, foram variáveis determinantes para que, embora seja um reconhecimento pessoal, é um fruto de uma convergência de diversos atores para desenvolver inovação no Estado para o Brasil”, destacou ele.
Construtores de tecnologia ganham espaço no debate sobre IA
Perguntado sobre qual tema ele sentiu mais satisfação de ter influenciado a discussão, ele respondeu que foi a relevância dada aos chamados “construtores de tecnologia” diante de um momento de grande transformação tecnológica. “[Representar esse segmento] é algo que me deixa muito feliz e com um sentimento de muita gratidão. Porque, obviamente, por trás disso tem rotinas extremamente pesadas e complexas de trabalho, de agenda, que sacrificam família, amigos”, lembrou.
CEIA atua em setores como energia, saúde e finanças
Sobre o que mais impacta e repercute na sociedade, resultante desse processo construção tecnológica, disse que os maiores cases do CEIA são diversificados principalmente em setores como energia, saúde e finanças. “São as três principais áreas que a gente fez soluções”, disse, para completar em seguida: “Mas acho que o reconhecimento veio exatamente por uma atuação multissetorial do CEIA. Então, se você vai no setor de saúde, nós temos esse reconhecimento. Se você vai no setor de marketing, também tem esse reconhecimento”, pontuou.
CEIA aproxima pesquisa, inovação e formação profissional
À frente de projetos de pesquisa, inovação e formação de profissionais, Anderson Soares tem participado ativamente do debate sobre os impactos e as aplicações da tecnologia em diferentes setores da sociedade e da economia tendo à frente as soluções coletivas do CEIA.
“Goiás construiu, nos últimos anos, um ecossistema de inteligência artificial que reúne universidade, pesquisadores, empresas, poder público e sociedade. Estar nessa posição mostra que o conhecimento produzido aqui está participando das discussões mais importantes sobre o futuro da IA no Brasil”, afirma ele.
Influência vai além de seguidores nas redes sociais
Soares destaca que o levantamento divulgado é importante por ir muito além da percepção comum sobre curtidas, seguidores e comentários de redes sociais, partindo para o campo da reputação. Isso, frisa, é capaz de interferir em decisões por exemplo de grandes indústrias, ainda que elas ainda não estejam totalmente alinhadas com o marco legal da inovação, com o que está sendo produzido em IA dentro das instituições de ensino superior, como no caso do CEIA-UFG, pondera ele.
Estudo aponta importância de especialistas técnicos
O estudo da Pulso aponta uma mudança na forma como o mercado compreende a influência. Mais do que o número de seguidores nas redes sociais, o levantamento considera a capacidade de construir autoridade, pautar discussões e influenciar decisões. Entre os principais resultados, 65% dos perfis que efetivamente influenciam decisões de mercado são especialistas ou referências técnicas.
Ranking destaca avanço da inteligência artificial produzida em Goiás
Nesse contexto, a liderança de Anderson Soares na categoria de Inteligência Artificial também evidencia a relevância da produção científica e tecnológica desenvolvida fora dos principais centros tradicionais do país. Com a atuação da UFG e do CEIA, Goiás tem ampliado sua participação em projetos estratégicos de IA, aproximando pesquisa acadêmica, setor produtivo e poder público.
“Eu acho que esse próprio ranking que foi divulgado, que eu honestamente desconhecia, ele é muito benéfico porque a gente vive um momento, não que seja errado, mas em que a gente confunde um pouco a influência com os seguidores em mídias sociais. E eu acho que esse ranking vem exatamente questionando isso, porque quando a gente fala de mercado corporativo, são outras variáveis que têm maior peso”, enfatiza.
Professor quer usar reconhecimento para impulsionar inovação no Brasil
Ao finalizar, o professor fala sobre futuro: “Eu espero poder usar esse reconhecimento para ajudar o Brasil a aproveitar a oportunidade dessa revolução industrial. Não que os outros não possam, obviamente, mas dar uma perspectiva sobre a ótica da inovação para o setor industrial e da formação de recursos humanos, que é onde eu tenho esses dois pés muito bem estabelecidos”.
Sobre o estudo
O Pulso 2026/2027, realizado pela Deck em parceria com a Nexus, analisou mais de 2 mil perfis em 21 setores econômicos para identificar nomes com maior influência, reputação e capacidade de pautar mercados. Na área de Inteligência Artificial, os três primeiros colocados foram Anderson Soares (UFG e CEIA), Tania Cosentino (Microsoft) e Nina da Hora (especialista em justiça algorítmica).
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