08 de fevereiro de 2026
Gestão Pública • atualizado em 16/01/2026 às 13:16

Mabel registra redução histórica de dívidas e reduz mais de R$ 2 bilhões em passivos da Comurg

Prefeito afirma que gestão já reduziu passivos em mais de R$ 2 bilhões, combateu fraudes e garantiu autonomia financeira da companhia reconhecida pelo TCM
Durante apresentação no Paço Municipal, Sandro Mabel detalhou a reestruturação financeira, administrativa e jurídica da Comurg. Foto: Reprodução/DG.
Durante apresentação no Paço Municipal, Sandro Mabel detalhou a reestruturação financeira, administrativa e jurídica da Comurg. Foto: Reprodução/DG.

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, apresentou na manhã desta sexta-feira (16) os principais avanços alcançados pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) ao longo de 2025. A apresentação ocorreu no Salão Nobre do Paço Municipal e reuniu dados que apontam para a maior reestruturação da história da empresa pública, com foco na redução de custos, saneamento financeiro, fortalecimento da governança e retomada da autonomia operacional.

Durante o encontro, Mabel detalhou os resultados obtidos no último ano, destacou o restabelecimento da independência financeira da Comurg em relação à Prefeitura de Goiânia, reconhecimento já validado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), e apresentou projeções para 2026 e para os próximos anos, com foco na sustentabilidade econômica da companhia. Confira na íntegra:

Negociação histórica e recuperação de créditos

Um dos principais pontos abordados pelo prefeito foi a renegociação de débitos com a União, especialmente junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Segundo Mabel, a dívida estimada em cerca de R$ 300 milhões não será paga com recursos novos.

“Os R$ 300 milhões nós temos que pagar para a Receita Federal. Você acha que nós vamos pagar? Nós não vamos pagar”, afirmou Mabel. Ele explicou que a Comurg contratou empresas especializadas em recuperação de crédito tributário após identificar recolhimentos feitos de forma incorreta ao longo dos anos. “A Comurg recolheu errado INSS, Fundo de Garantia. Só em contas de FGTS são R$ 120 milhões de depósitos não identificados”, disse.

De acordo com o prefeito, esses valores deverão ser compensados diretamente com os débitos existentes. “Na nossa conta, nós vamos pagar zero para a PGFN, entre compensações que nós temos que ter. Ela cobrou tudo o que tinha para cobrar de nós, agora é a nossa vez de cobrar uma série de ações que estão em aberto”, afirmou.

Mabel destacou ainda que as expectativas de recuperação podem ser ainda maiores. “São R$ 300 milhões de expectativa, mas tem projeções mais otimistas que chegam a quase R$ 1 bilhão. Nós vamos trabalhar sempre com o número que é possível”, ressaltou.

Combate a desvios e ações fraudulentas

O prefeito também detalhou o que chamou de um amplo processo de enfrentamento a desvios de conduta dentro da empresa. Segundo ele, já foram firmados 41 acordos extrajudiciais, realizadas três demissões e um desligamento, além da conclusão de procedimentos administrativos que envolvem outros servidores.

Nós pegamos esse pessoal e botamos o processo em cima de todos eles, inclusive com pedido de ressarcimento do dinheiro, É difícil, mas nós estamos indo atrás.

Mabel revelou ainda um esquema grave de fraudes na área jurídica da Comurg. “Demitimos essa semana o antigo diretor jurídico, que era exatamente onde acontecia toda essa confusão”, disse. Segundo ele, foi identificado um advogado com 76 ações trabalhistas, que somam cerca de R$ 24 milhões, movidas contra a companhia. “Tudo feita com procuração falsificada. Os funcionários nunca entraram com ação”, denunciou.

De acordo com o prefeito, o município já reuniu provas técnicas, incluindo perícia grafotécnica, e acionou diversos órgãos. “Entramos com ação na Polícia, no TST e também na OAB para que a Ordem tome conta desse advogado”, afirmou, alertando que parte dessas ações já chegou ao Tribunal Superior do Trabalho.

Nova governança e controle rigoroso

Ao falar sobre a reorganização administrativa, Sandro Mabel destacou que a Comurg nunca havia tido um regimento interno formalizado. “Nós somos o primeiro regimento interno da história da companhia”, afirmou. Ele ressaltou ainda a implantação de metas de produtividade, fiscalização de contratos e monitoramento diário das operações.

“O pessoal fazia 1,7 km, 2 km de serviço. Hoje tem meta de 4 km. Isso passa a ser medido”, explicou. Segundo ele, também foram identificadas fraudes em contratos de combustível. “Não tinha fiscalização. Era uma fraude sem tamanho. Isso foi se regularizando.”

O prefeito destacou a criação de uma Central de Operações com uso de tecnologia. “Hoje tem monitoramento diário de produtividade, análise do volume de serviços, detecção de inconsistências, emissão de relatórios, rastreabilidade operacional, muita coisa controlada por GPS”, disse.

Independência financeira reconhecida pelo TCM

Mabel deu especial destaque à decisão do Tribunal de Contas do Município (TCM), que reconheceu a independência financeira da Comurg em relação à Prefeitura de Goiânia. Segundo ele, a empresa estava sem prestar contas adequadamente desde 2019. “Não transmitia dados, não estava sincronizada no sistema. Não acontecia nada”, afirmou.

Ele explicou que a condição de empresa dependente era extremamente prejudicial ao município. “Ela como dependente era um desastre para a prefeitura. Aumentava demais o nosso endividamento. Se isso continuasse, a folha ia estourar, seria um desastre completo”, disse.

Após um ano inteiro de ajustes, segundo o prefeito, o TCM tomou o que ele chamou de uma “decisão corajosa”. “O Tribunal acreditou nesses números, no que eles têm visto, e liberou para que a Comurg continue independente”, afirmou.

Próximos passos e segunda fase da reestruturação

Ao final da apresentação, Sandro Mabel falou sobre os próximos desafios. “A Comurg entra agora numa segunda fase”, disse, citando a renegociação do acordo coletivo, que classificou como “confuso e prejudicial”, e que deve ser revisto a partir de abril.

Ele também destacou o trabalho da Fundação Dom Cabral no redesenho organizacional. “Ela está lá dentro com a gente, fazendo desenho de processos, sistemas, precificação, para a Comurg se profissionalizar cada vez mais”, afirmou.

Segundo o prefeito, a empresa caminha para um novo patamar. “A Comurg, na nova gestão, é mais eficiente, mais moderna, mais transparente, mais sustentável”, concluiu.

Principais destaques da reestruturação da Comurg

Maior reestruturação da história da Comurg

Segundo os dados apresentados, a Comurg passou por um amplo processo de reorganização administrativa e financeira, considerado o mais profundo desde a criação da empresa. As medidas envolveram desde a reestruturação do quadro de pessoal até a revisão de contratos, processos internos e modelo de governança, com o objetivo de estancar prejuízos históricos e criar bases sólidas para o futuro.

Redução de custos e enxugamento da máquina

Um dos principais destaques foi a redução significativa dos custos operacionais. Em 2025, a economia alcançou R$ 189 milhões, resultado de ações como a revisão de contratos de locação de máquinas e equipamentos, redução de serviços de terceiros, manutenção de veículos e enxugamento do quadro de pessoal.

A folha de pagamento também passou por ajustes expressivos. De acordo com a apresentação, houve uma redução média de R$ 14 milhões por mês no custo da folha, representando um impacto direto e contínuo nas finanças da companhia.

Revisão de benefícios e economia permanente

Outro ponto destacado foi a reestruturação do adicional por quinquênio, benefício incorporado à remuneração dos servidores. A revisão dessa despesa gerou uma economia mensal de R$ 1,15 milhão, o que corresponde a R$ 13,8 milhões por ano, contribuindo para o equilíbrio financeiro da empresa.

Redução histórica de passivos financeiros

O maior avanço apresentado diz respeito à redução de passivos. Em 2025, a Comurg promoveu a maior negociação fiscal de sua história, alcançando uma economia total de R$ 520.434.248,83 com a redução de múltiplos passivos acumulados ao longo dos anos.

Além disso, houve recuperação de crédito e amortização de débitos junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com impacto financeiro estimado em R$ 300 milhões, reforçando o processo de saneamento das contas da companhia.

Reestruturação do corpo jurídico e prevenção de novos passivos

Como parte do ajuste estrutural, a Comurg promoveu a reestruturação do corpo jurídico, reduzindo o número de profissionais de 43 para 18. Paralelamente, foi implantado um sistema de informação específico para a gestão de dados jurídicos, ampliando o controle processual e a eficiência na atuação da área.

A atuação preventiva do setor jurídico também ganhou destaque, com a identificação de indícios de fraude processual em 76 ações trabalhistas. Foram adotadas medidas judiciais e administrativas junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com foco na proteção do patrimônio público e na mitigação de riscos futuros.

Nova governança e controle operacional

A apresentação também detalhou avanços na governança corporativa ao longo de 2025. Entre as medidas adotadas estão a criação de regimento interno, regulamentação de cargos, padronização de procedimentos organizacionais, contratação de empresa especializada em contabilidade estratégica e implantação de Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) por centro de custos.

Outro destaque foi a criação da Central de Operações, responsável pelo monitoramento diário da produtividade, análise do volume de serviços executados, detecção de inconsistências operacionais, emissão de relatórios gerenciais, rastreabilidade das atividades e fiscalização técnica dos contratos.

Independência financeira reconhecida pelo TCM

Com as medidas adotadas, a Comurg restabeleceu sua independência financeira em relação à Prefeitura de Goiânia. O novo cenário, reconhecido pelo Tribunal de Contas do Município, garante mitigação de riscos fiscais, maior autonomia operacional e manutenção da capacidade de financiamento da empresa, reduzindo a necessidade de aportes do Tesouro Municipal.

Expansão da carteira de clientes

A gestão também avançou na ampliação da carteira de clientes da Comurg. Estão em fase de prospecção e fechamento contratos com a Equatorial Energia, a Secretaria de Estado da Administração (Sead), o Governo de Goiás, a Ceasa-GO e grandes geradores, diversificando as fontes de receita da companhia.

Projeções e ações em andamento para 2026

Para 2026 e os anos seguintes, a Comurg prevê a continuidade do processo de reestruturação interna, com a segunda etapa do ajuste organizacional, negociação de novo acordo coletivo visando sustentabilidade econômica, consolidação do portfólio de serviços e investimentos na modernização da empresa.

Também estão previstas aquisições de novos equipamentos, adoção de novas metodologias de gestão e fortalecimento do compliance institucional, com apoio técnico da Fundação Dom Cabral (FDC), reforçando o compromisso da atual gestão com eficiência, transparência e responsabilidade fiscal.

A apresentação, segundo o prefeito Sandro Mabel, evidencia uma mudança estrutural na Comurg, que deixa para trás um histórico de déficits e passivos e passa a operar com foco em sustentabilidade, autonomia e qualidade dos serviços prestados à população de Goiânia.


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