12 de julho de 2026
Gestão municipal • atualizado em 20/02/2026 às 18:47

Mabel denuncia esquema “3 por 1” na compra de remédios em Goiânia

O prefeito também disse que grandes farmacêuticas evitam participar de licitações municipais por receio de atrasos nos pagamentos
Durante entrevista à Rádio Bandeirantes, prefeito afirma que empresas faturavam por dois ou três produtos e entregavam apenas um à Prefeitura. Foto: Reprodução/Redes Sociais.
Durante entrevista à Rádio Bandeirantes, prefeito afirma que empresas faturavam por dois ou três produtos e entregavam apenas um à Prefeitura. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, denunciou nesta sexta-feira (20) um suposto esquema fraudulento na venda de medicamentos à Prefeitura. A declaração foi feita ao final de entrevista concedida ao programa Opinião em Debate, da Rádio Bandeirantes, com transmissão pelo YouTube.

Segundo Mabel, o município pagava mais caro por combustíveis, medicamentos e outros insumos devido a distorções no modelo de licitações. Ao comentar questionamentos sobre o preço da gasolina, o prefeito afirmou que a Prefeitura “paga tudo mais caro” e criticou o atual sistema licitatório:

O sistema de licitação, como ele é feito, é o maior engodo que existe. As pessoas se associam sempre aos mesmos que ganham. Tem gente direita que não quer participar de licitação de prefeitura.

Ao detalhar o que chamou de “máfia do remédio”, Mabel relatou ter sido alertado sobre uma prática conhecida como “2 por 1” ou “3 por 1”. “Manda nota de dois e só entrega um. O cara mergulha no preço, ganha de qualquer um, porque só vai entregar um e vai faturar dois”, afirmou. Segundo ele, a prática inflaria contratos e prejudicaria o abastecimento da rede pública de saúde.

O prefeito também disse que grandes farmacêuticas evitam participar de licitações municipais por receio de atrasos nos pagamentos. Como alternativa, afirmou que passou a oferecer carta de fiança bancária para garantir segurança às empresas interessadas. “No dia que vier, você vai receber. É moralização”, pontuou.

Em relação à compra de combustíveis, Mabel explicou que os valores seguem a tabela da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, acrescida de uma taxa administrativa. Ainda assim, reconheceu que seria possível obter preços menores caso houvesse maior flexibilidade para negociação direta e prazos de pagamento mais curtos.

O prefeito informou que está promovendo mudanças nas comissões de licitação e implantando ferramentas de inteligência artificial para agilizar processos. Segundo ele, atualmente uma licitação pode levar de 180 a 210 dias, mesmo para compras simples. “Um termo de referência que faço em quatro minutos pela inteligência artificial demora 20 ou 30 dias para ser feito”, criticou.

Mabel afirmou ainda que tem se reunido com representantes do setor produtivo e reforçado um canal direto para denúncias de pedidos de propina. “Se alguém pedir um centavo, liga para mim”, declarou.


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