14 de julho de 2026
Diplomacia • atualizado em 07/05/2026 às 17:29

Lula anuncia plano nacional contra crime organizado após encontro com Trump nos EUA

Após reunião com Donald Trump na Casa Branca, presidente afirma que governo lançará ofensiva contra facções criminosas e reforça defesa da soberania brasileira, cooperação internacional e novos investimentos dos EUA no país
Lula concede coletiva em Washington após reunião bilateral com Donald Trump e anuncia plano nacional contra o crime organizado. Foto: Reprodução/YouTube.
Lula concede coletiva em Washington após reunião bilateral com Donald Trump e anuncia plano nacional contra o crime organizado. Foto: Reprodução/YouTube.

Em coletiva em Washington, presidente afirmou que governo lançará na próxima semana um plano de combate às facções e defendeu cooperação internacional, soberania brasileira e ampliação de investimentos dos Estados Unidos no país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (7), em Washington, nos Estados Unidos, que o governo federal lançará na próxima semana um novo plano nacional de combate ao crime organizado. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa após reunião bilateral com o presidente norte-americano Donald Trump, realizada na Casa Branca.

Segundo Lula, o objetivo será atingir principalmente a estrutura financeira das facções criminosas e ampliar a cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.

“A partir da semana que vem, vamos lançar um plano de combate ao crime organizado, que é para valer. Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das nações”, afirmou.

O presidente declarou que organizações criminosas estão infiltradas em diferentes setores da sociedade e representam uma ameaça global. “Eles estão no futebol, estão na política, estão no meio empresarial, estão em tudo quanto é lugar, inclusive no poder Judiciário”, disse.

Durante a coletiva, Lula afirmou que o Brasil pretende atuar de forma coordenada com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico e ao crime transnacional. Segundo ele, o diálogo com Trump abordou a necessidade de compartilhamento de inteligência e ações conjuntas.

“O Brasil tem uma experiência extraordinária no combate às drogas e ao tráfico de armas. Também é importante saber que parte das armas que chegam ao Brasil saem dos Estados Unidos”, declarou. “Se a gente colocar a verdade em cima da mesa e criar um grupo de trabalho, podemos resolver em décadas aquilo que não resolvemos em séculos.”

O encontro entre Lula e Trump também tratou de comércio bilateral, minerais críticos, transição energética, Venezuela, Cuba, reforma da ONU e investimentos internacionais. O presidente brasileiro afirmou ter saído “muito satisfeito” da reunião e defendeu o fortalecimento das relações econômicas entre os dois países.

“Nós temos muito interesse que os Estados Unidos voltem a investir no Brasil”, afirmou Lula. “O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo qualquer assunto. A única coisa da qual não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania.”

Ao comentar a disputa global pelos chamados minerais críticos e terras raras, Lula destacou a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Segundo ele, o tema passa a ser tratado como questão de soberania nacional.

“Nós queremos compartilhar com empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas e francesas os investimentos no Brasil. Não temos preferência. O que queremos é parceria”, disse.

O presidente também voltou a defender o multilateralismo e criticou medidas unilaterais na economia internacional. Segundo Lula, os Estados Unidos precisam retomar o interesse estratégico pela América Latina.

“Os Estados Unidos já foram o maior parceiro comercial do Brasil. Hoje a China ocupa esse espaço. É importante que os americanos voltem a olhar para o Brasil e para a América Latina”, afirmou.

Em tom descontraído, Lula relatou momentos de descontração durante a conversa com Trump e chegou a brincar sobre a Copa do Mundo. “Eu falei para ele: espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, disse, arrancando risos da imprensa.

A reunião entre Lula e Trump ocorreu em meio a uma tentativa de reaproximação diplomática entre os dois países, após meses de tensões comerciais e divergências políticas. Segundo o governo brasileiro, novos encontros técnicos entre representantes das duas nações devem ocorrer nos próximos 30 dias.


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