10 de agosto de 2026
DESOBEDIÊNCIA AO SUPREMO

Lindbergh pede ao STF revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro após carta divulgada por Flávio

Deputado do PT afirma que leitura da carta em live descumpre medidas cautelares impostas ao ex-presidente e solicita retorno ao regime fechado e multa Flávio Bolsonaro
Lindbergh Farias foi ao STF questionar descumprimento de restrições impostas a Jair Bolsonaro - Foto: reprodução / arquivo
Lindbergh Farias foi ao STF questionar descumprimento de restrições impostas a Jair Bolsonaro - Foto: reprodução / arquivo

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para revogar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a divulgação de uma carta de apoio ao filho, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O parlamentar alega que a divulgação da carta descumpre as medidas cautelares impostas sobre o regime da prisão domiciliar humanitária concedido ao ex-presidente, que foi condenado a regime fechado e está em casa por motivo de doença.

Lindbergh lembrou que a medida cautelar de proibição de utilização de redes sociais contra Jair Bolsonaro impede, sob qualquer pretexto, o uso de redes sociais diretamente dele ou de terceiros, como no caso do filho, que disputa as eleições desse ano.

Essa medida, leu o deputado em suas redes sociais, “inclui obviamente transmissões, retransmissões, veiculação de áudios, vídeos, transcrições, não podendo o investigado se valer desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão. É isso o que está acontecendo. Ele declarou o Flávio Bolsonaro porta-voz, desafiando o Supremo. É hora de uma posição firme do Supremo”, cobrou.

Episódios da tornozeleira e arma

Em seguida, o deputado lembra que o ex-presidente já tentou romper a tornozeleira eletrônica e mais recentemente foi descoberto que ele mantinha arma em seu poder na prisão domiciliar.

Como registrou o Diário de Goiás, a carta foi lida pelo filho mais velho do ex-presidente em uma transmissão ao vivo, no sábado (11). Na carta, assinada por Bolsonaro, o ex-presidente diz que Flávio é seu “porta-voz” e pede que aliados deixem as diferenças de lado para fortalecer essa candidatura.

O deputado federal afirma que a carta foi produzida com a única finalidade de ser divulgada nas redes sociais, o que caracterizaria a violação.

“O descumprimento é objetivo, deliberado e confessado. Objetivo, porque a manifestação do apenado foi efetivamente veiculada em rede social, alcançando audiência massiva. Deliberado, porque a carta foi redigida na manhã do mesmo dia da divulgação, no curso de visita familiar autorizada, instrumentalizando-se, assim, o próprio regime de visitas fixado por este Juízo como vetor da burla. Confessado, porque o próprio divulgador declarou publicamente a origem, a autoria e a finalidade do documento”, sustenta o parlamentar.

Deputado pede volta ao regime fechado e multa ao filho

No pedido ao STF, o parlamentar alega que o episódio constitui “falta grave o descumprimento, pelo condenado, das obrigações e condições impostas” e pede a revogação do benefício e regressão ao regime fechado. Ele também solicita a aplicação de multa no valor de R$ 100 mil a Flávio Bolsonaro que viabilizou a desobediência à ordem do Supremo.

“Ele está ferindo as medidas cautelares e esse tipo de atitude. Estão testando o Supremo e tratando o Jair Bolsonaro como candidato. É um absurdo!”, reclamou.

Caiado criticou carta e tarifaço

A carta foi alvo de críticas do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), como mostrou o DG neste domingo (12). Também em campanha pela Presidência, Caiado questionou a capacidade de Flávio Bolsonaro liderar o país sem depender do pai, dando sequência a outras críticas que vinha fazendo nos últimos dias, e que incluiam a posição do bolsonarista em pedir apenas a suspensão das tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil para depois das eleições, e não a revogação total delas.


Leia mais sobre: / / / / / / / Direito e Justiça / Política