Presidente nacional do PSD de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab afirmou nesta segunda-feira (27), durante almoço promovido pelo grupo Lide, em São Paulo, que o acordo para exploração das chamadas terras raras em Goiás, firmada pelo presidenciável pessedista em março, quando era governador do estado, foi “extremamente positivo”.
Kassab afirmou que os memorandos de entendimento firmados por Caiado com Estados Unidos e Japão “buscam tecnologias para o estado” e que a ideia é que “as terras raras sejam processadas no Brasil”.
O assunto ganhou força na última semana, depois da concretização da venda do controle da mineradora Serra Verde, de Minaçu, no Norte do estado, para a USA Rare Earth, empresa americana, por 2,8 bilhões de dólares. A companhia é a única que extrai terras raras pesadas no país.
O presidente Lula (PT) acusou Caiado de “entregar o país” para os Estados Unidos. A deputada federal Adriana Accorsi (PT) afirmou que a operação de venda da mineradora foi um “crime de lesa-pátria” e reforçou a acusação de “entreguismo” ao dizer que o estado exportaria matéria-prima barata e perderia a chance de desenvolver material de valor agregado.
Kassab, por sua vez, defendeu o ex-governador de Goiás. “O acordo feito pelo governador Caiado sobre terras raras foi extremamente positivo”, disse. “Ao contrário do que se está dizendo, ele não está entregando nada”, acrescentou.
Na avaliação dele, o modelo difere de práticas consolidadas em outros segmentos. “É o contrário do que acontece há décadas com o minério de ferro, em que o Brasil exporta matéria-prima e importa tecnologia”, comparou.
Repercussão
Caiado, em entrevista em Minas Gerais, rebateu Lula e disse que o presidente é quem “entrega o país” e está “vendendo pau-brasil” até os dias de hoje. Ele também reafirmou que os acordos assinados por ele preveem transferência de tecnologia no processo da separação dos minerais.
A venda da Serra Verde foi alvo de uma ação de deputados do PSOL no Supremo Tribunal Federal (STF), que pede a proibição da operação. O Ministério de Indústria, Comércio e Serviços também disse que os acordos sobre terras raras de Goiás são inconstitucionais, uma vez que compete à União decisões sobre a mineração.
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