O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse que “em nenhum momento foi discutido o comando do PSD em Goiás”, quando o governador Ronaldo Caiado deixou o UB e se filiou na legenda na terça-feira (27). Ao mesmo tempo, repercutem nacionalmente hipóteses de que ele possa ter preparado terreno para Caiado disputar vaga ao Senado, como mostraram os jornais O Globo e Valor Econômico nesta quinta-feira (29).
A negativa de Kassab de que pretende trocar o senador Vanderlan Cardoso por Caiado na presidência do PSD goiano foi notícia no jornal O Popular nesta quinta. Em longa entrevista sobre a filiação do governador, o presidente nacional do partido deixou claro que a escolha em Goiás vai levar em conta o peso do novo filiado, mas será feita por “todas as lideranças” locais que “vão conversar e decidir como conduzir partido agora, dessa maneira ampliada”.
A declaração foi seguida de uma negativa de que tivesse tratado da troca de presidente na negociação com o governador. “Não foi discutido isso não (…) em nenhum momento foi discutida essa questão”. Por outro lado, na mesma edição, o jornal trouxe afirmação de Caiado que “escanteia” Vanderlan.
A possibilidade de rifar o cargo do senador na legenda, portanto, não passa apenas pelo cargo de presidente do PSD goiano, mas também da chapa ao Senado.
Peça da “direita neutra”
A jornalista Júlia Duailibi, do Globo, mostrou que Kassab está se movimentando para “ocupar o espaço de uma direita eleitoralmente viável fora do núcleo da família Bolsonaro”, uma “direita neutra”. Além disso, estaria se articulando para manter o governador de São Paulo Tarcísio Freitas (Republicanos) na disputa pela reeleição, tendo o próprio Kassab como vice, e assim, chegar a 2030 com condições de substituir Freitas. Caiado, então, seria peça importante para fortalecer eleitoralmente, mas não seria decisivo no projeto.
Neste sentido, e em termos de resultados nas pesquisas, Kassab tenderia mais à pré-candidatura a presidente vinda de Ratinho Júnior, governador do Paraná, do que à de Caiado, que agradaria ao PSD se fosse candidato ao Senado por Goiás.
Pesquisa recente da Quaest mostra que, entre eleitores que se declaram “direita não bolsonarista”, 21% da amostra, Ratinho tem 14% das intenções de voto ante 6% de Caiado. Os eleitores que se declaram “independentes” e de “direita não bolsonarista” são 53% da população. “Kassab mira esse potencial”, aponta a reportagem.
Além disso, avaliações de outros líderes partidários que tentaram filiar Caiado, como Paulinho da Força (Solidariedade) repercutiram uma desconfiança sobre as manobras. “Ele [Caiado] caiu no conto do vigário do Kassab. No PSD, tem três candidatos colocados. Dois que estão melhores do que ele. Acho que [Caiado] desistiu de sua candidatura”, afirmou Paulinho ao Globo.
Se essa hipótese de convencer Caiado a abrir espaço a Ratinho se confirmar, Vanderlan corre o risco de ficar sem a presidência e ainda sem espaço para uma reeleição pelo seu próprio partido.
Em viagem na quarta, o senador ainda não falou abertamente qual sua posição sobre as possibilidades colocadas. À Coluna Giro, do Popular, ele disse que aguarda reunião com Kassab e Caiado e que a filiação do governador reforça a chapa, mas “não muda nada no meu projeto, que é de reeleição”.
O Valor Econômico também apurou com fontes nacionais do PSD que a articulação de Kassab, feita com discrição, envolveu a avaliação de que Caiado é um nome forte em Goiás e, “se não for escolhido pelo partido para a corrida à Presidência, poderia ser eleito “com tranquilidade” ao Senado”. E o partido tem motivo de preocupação com a eleição de senadores. No fim deste ano, estarão em disputa 11 das 14 cadeiras que a sigla tem na Casa legislativa, destacou o jornal.
Mas, além de Vanderlan estar na berlinda em meio a esse cenário de incertezas, ficam obscuras também composições em torno das pré-candidaturas ao Senado da primeira-dama, Gracinha Caiado, pelo UB, e Gustavo Gayer (PL) que continuam citados como preferenciais por Caiado. Nos próximos dias muitos desdobramentos são esperados.
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