A Justiça manteve a prisão preventiva da ex-coordenadora regional de Educação de Rio Verde, Karen Proto, casada com o delegado Dannilo Ribeiro Proto, que está preso há cinco meses, alvo da Operação Regra Três. Karen foi presa na terça-feira (27) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Goiás (MPGO). Na audiência de custódia, realizada no mesmo dia, a prisão foi mantida.
40 licitações fraudadas
Ambos foram denunciados pelo MPGO por suspeitas de fraude de R$ 2,2 milhões de recursos públicos desviados através de contratos com escolas entre 2019 e 2024, com fraudes que teriam prejudicado cerca de 40 licitações. A prisão foi parte da terceira fase da Operação Regra Três. Karen respondia em liberdade. Mais sete pessoas são investigadas e respondem em liberdade.
A prisão é desdobramento da investigação relacionada a fraudes e atuação de organização criminosa. Karen Proto foi presa após suspeitas de ter contribuído para a continuidade das atividades ilícitas mesmo após a prisão do delegado de Polícia Civil ocorrida na primeira fase da operação.
A presa foi transferida para Goiânia. Ela é suspeita ainda de ter entregue ao marido o celular flagrado com Dannilo Proto dentro da cela no ano passado. Ele ocupava cela na carceragem Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), em Goiânia, de onde foi removido para a Casa do Albergado após o celular ser encontrado com conversas que confirmariam as ilegalidades.
Quatro crimes
Karem e Dannilo são investigados por organização criminosa, uso de documento falso, lavagem de dinheiro e violação do sigilo funcional em benefício de uma empresa pertencente ao casal, que nega as acusações.
“Elementos probatórios identificados pelo Gaeco indicam que a investigada teria colaborado para a manutenção de comunicações indevidas com o delegado de Polícia Civil preso. Essa comunicação possibilitou a prática de atos administrativos e orientações relacionados à gestão de instituição de ensino, bem como a suposta utilização de documentos ideologicamente falsos com o objetivo de manter contratos junto ao poder público”, reiterou o MPGO na terça.
O Gaeco aponta que a decretação da prisão preventiva fundamentou-se na necessidade de garantia da ordem pública e de cessação da atuação do grupo investigado, diante da constatação de que medidas cautelares anteriormente impostas não se mostraram suficientes para interromper as práticas apuradas.
“A investigada já responde a ações penais, juntamente com outros denunciados, pelos crimes de organização criminosa, peculato, contratação direta ilegal e lavagem de capitais, relacionados a desvios de recursos públicos, podendo ainda responder por outros delitos eventualmente configurados no curso das investigações”, detalhou o Gaeco.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Karen. O espaço está aberto a ela e também à defesa do delegado. À Tv Anhanguera a defesa afirmou na terça que vai recorrer e “a manutenção da prisão dela é desnecessária e não interessa à ordem pública”.
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