Os sócios do histórico Jóquei Clube de Goiás, fundado em 1935 no centro de Goiânia, têm nesta segunda-feira (19), a oportunidade de eleger uma nova diretoria executiva para o clube após cinco anos.
O processo ocorre em meio a um turbilhão: a desapropriação da área em agosto último, a retomada judicial do estacionamento, na sexta-feira (16), e um encontro saudosista, que reuniu antigos frequentadores e outros sócios na velha quadra do clube, no sábado (17).
Nesta segunda-feira, vão se enfrentar as chapas lideradas pelo atual presidente interino, o médico Fausto Gomes, remanescente do último grupo eleito em 2021, e a advogada Nívea Cristina Ribeiro de Paula.
As chapas têm posições divergentes sobre a situação do Jóquei, atualmente alvo de decreto de desapropriação pela Prefeitura de Goiânia que fala em converter o espaço em um centro cultural de referência – o governo do Estado também mostrou interesse na área do estacionamento, justamente onde houve reintegração de posse na sexta. O município aponta dívidas tributárias de R$ 50 milhões, enquanto o Judiciário entende que a desapropriação envolve indenização de R$ 55 milhões.
A chapa de Fausto tenta reverter a desapropriação no Poder Judiciário. Também busca compartilhar os débitos com a Faculdade Padrão, que ocupou a área e já sofreu condenações neste sentido – a instituição de ensino foi procurada na sexta sobre a reintegração de posse do estacionamento e as outras alegações, mas ainda não se manifestou.
Já a chapa de Nívea tenta obter os recursos do processo para investimentos em uma nova sede, conforme ela declarou em recente entrevista ao jornal O Popular.
Eleição
A nova diretoria executiva será escolhida nesta segunda, das 8h às 17h, na própria sede do Jóquei, na Rua 3. O pleito foi determinado pela Justiça para assegurar a legitimidade das decisões futuras do clube.
A eleição não exige quórum mínimo. Dessa forma, o grupo eleito será escolhido por qualquer maioria dos sócios remidos (título de fundador) que estiverem presentes.
Disputa envolve duas chapas
• Chapa Novo Jóquei: liderada pela advogada Nívea Cristina Ribeiro de Paula que propõe uma reorganização institucional focada em governança, transparência e equilíbrio financeiro.
• Chapa da Atual Gestão: encabeçada por Fausto Gomes da Silva que busca a continuidade dos trabalhos de negociação com o poder público e a revitalização física do espaço.
Desafios no horizonte
Independentemente do vencedor, a nova diretoria terá a complexa missão de lidar com o processo de desapropriação do imóvel, as negociações de indenizações milionárias e o passivo tributário acumulado. Além disso, a gestão precisará atuar firmemente para preservar o legado histórico e cultural de uma instituição que, por décadas, foi o centro da vida social e esportiva da capital goiana.
Para os entusiastas e sócios, o movimento atual é mais do que uma disputa administrativa, é uma tentativa de salvar o “corpo em movimento” que o Jóquei representa para a cidade. Como resume o chamamento aos associados: “a paixão supera os desafios e juntos podemos transformar o agora da história do Jóquei”.
No sábado, o grupo de Fausto Gomes reuniu um grupo de sócios na quadra de esportes do Jóquei, espaço que protagonizou competições importantes em Goiânia no passado. Ao divulgar a iniciativa, o grupo do médico lembrou que o projeto arquitetônico do clube foi do renomado urbanista Paulo Mendes da Rocha – vencedor do Prêmio Pritzker (2006) e do Leão de Ouro na Bienal de Veneza (2016) com obras que desenhavam o concreto, a exemplo do clube mais antigo da capital.
“A quadra do Jóquei Clube de Goiás, sob o concreto de Paulo Mendes da Rocha e bem no coração da cidade, guarda histórias que não cabem em placares: risadas, disputas, amizades, quedas, vitórias silenciosas. Ali, muita gente viveu experiências infinitas — daquelas que ficam na pele”, descreveu o grupo para emendar que “a quadra mais emblemática de Goiânia acordou”.
(Contribuiu Luana Cardoso)
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