19 de julho de 2026
Esportes

Jogos noturnos entram na pauta e CBF avalia mudança de horários no Brasileirão

Allianz Parque - Palmeiras (Foto - César Greco)
Allianz Parque - Palmeiras (Foto - César Greco)

O debate sobre os horários dos jogos do Campeonato Brasileiro voltou à pauta diante de dados que evidenciam uma concentração elevada de partidas no período noturno. Atualmente, apenas cerca de 20% dos jogos da competição são disputados com luz natural, ou seja, com início até as 16h30. O número contrasta com as principais ligas europeias: na La Liga (Espanha), esse percentual chega a 40%, enquanto na Bundesliga (Alemanha) alcança 70% e, na Premier League (Inglaterra), atinge 75%, mostrando um modelo muito mais voltado ao período diurno.

No Brasil, o cenário é praticamente inverso. A maioria dos jogos acontece à noite, reflexo de uma cultura construída ao longo de décadas, especialmente pela forte influência da televisão aberta, com destaque para a TV Globo, que historicamente concentrou os direitos de transmissão. No entanto, esse modelo começa a passar por mudanças significativas.

Com a fragmentação dos direitos de transmissão, novas empresas passaram a integrar o mercado, como CazéTV, Amazon e TV Record, reduzindo a dependência de uma única emissora. Esse novo contexto enfraquece o argumento de que o futebol brasileiro precisa manter jogos majoritariamente noturnos por conta de uma única fonte de financiamento, abrindo espaço para discussões sobre mudanças no calendário e nos horários das partidas.

Além da questão comercial, fatores ligados à experiência do torcedor ganham cada vez mais relevância. Dados de pesquisa da Nexus/CBF apontam que 74% dos torcedores relatam insegurança ao frequentar estádios, um problema que se agrava em jogos realizados à noite. O deslocamento, a volta para casa e a estrutura urbana são apontados como pontos críticos que impactam diretamente na presença de público.

Diante desse cenário, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já estuda reduzir a quantidade de jogos noturnos, principalmente aos fins de semana, priorizando partidas no período da tarde. A medida tem como objetivo aumentar a presença de torcedores nos estádios e melhorar a experiência do público, além de valorizar o produto futebol de forma mais ampla.

A discussão deve envolver clubes, entidades organizadoras e emissoras, especialmente em um momento em que o futebol brasileiro caminha para um modelo de liga unificada. Nesse novo contexto, decisões sobre calendário, horários e logística passam a ter papel estratégico, não apenas para a transmissão, mas também para o fortalecimento do espetáculo dentro e fora de campo.


Leia mais sobre: / / Esportes