27 de maio de 2022
Lênia Soares

Iristas ou ex-iristas? Eis a questão para muitos jovens do PMDB

Eles nasceram politicamente sob a proteção de Iris Rezende. Agora, querem crescer sem ele.

Wagner Siqueira, Daniel Vilela e Bruno Peixoto, deputados estaduais, e Agenor Mariano, vice-prefeito de Goiânia, foram eleitos quando Iris estava no poder, na Prefeitura da Capital.

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Wagner surgiu como presidente da Comurg porque Iris o escolheu.

Daniel Vilela chegou à Câmara de Goiânia no rastro da boa administração irista.

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Bruno Peixoto, quando eleito deputado, tinha seu pai como funcionário de Iris, também na Prefeitura.

Agenor Mariano elegeu-se vereador com a força de Iris igualmente prefeito, e foi escolhido por ele para ser o vice do atual prefeito, Paulo Garcia, que por sua vez era o vice escolhido para a sucessão.

Wagner, Daniel e Bruno são filhos de velhos iristas.

O pai do primeiro, era da Arena e foi para o PFL apoiando Iris, até chegar ao PMDB. Foi eleito deputado com o apoio do líder peemedebista e foi um dos coordenadores das últimas campanhas eleitorais de Iris.

O pai do segundo, só foi candidato a governador em 1994, e eleito, porque Iris o bancou, inclusive contrariando dois velhos companheiros: Naphtali Alves, que tinha ao seu lado a maioria do partido, mas acabou tendo de aceitar o cargo de vice, e Nion Albernaz que deixou o PMDB.

O pai do terceiro não conquistou um mandato, mas sempre esteve à sombra de Iris Rezende, e do PMDB.

Agenor não teve pai irista. Mas, politicamente, é filho de Iris – antes, disputou mandato de vereador e perdeu; com Iris voltando ao poder, foi eleito.

Mas…

A política dá voltas.

Hoje esses iristas de carteirinha não são mais os mesmos. De carteirinha mesmo, são friboizistas.

Os quatro ainda reverenciam Iris. Mas no discurso. Na prática, estão com o pré-candidato a governador Júnior Friboi.

Querem uma estrutura de campanha que Iris não inspira.

Lá atrás, pouco precisavam de estrutura. Precisavam de calor popular. Iris foi imprescindível. Agora, precisam de dinheiro para garantir o calor popular – e votos.

Até onde vão nessa caminhada?

Com a proximidade da definição no PMDB entre Iris e Friboi, também eles terão de descer do muro, para se usar uma imagem tucana que bem condiz com a situação.

Ou eles se definem por Friboi, ou escolhem Iris.

Parece que a decisão já foi tomada. A expectativa será a justificativa.

Dirão que Iris não dá sombra? Mas, como justificar a curta história política deles?

Dirão que é hora de renovar? Mas não foram a renovação, com Iris no poder?

Dirão que é preciso dinheiro pra campanha? Mas os fins justificam os meios?

Os novos do PMDB terão de escolher entre o velho Iris, com história no partido e na vida política deles, e o novato Friboi, que em cinco anos esteve em quatro partido, acaba de chegar no PMDB e, em vez de conquistar, está trocando apoio por estrutura.

Velha prática para novas promessas da política.

Esse embate no PMDB é revelador em muitos sentidos. A começar por este: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Traduzindo: uma coisa são os valores humanos, que tem a ver com comportamento, outra coisa são os valores da política, que tem tudo a ver com financiamento.

O resto é… resto

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