17 de abril de 2024
CIDADE SEM LIDERANÇA • atualizado em 23/11/2023 às 23:55

Iporá fica sem ninguém exercendo o cargo de prefeito

Advogado de defesa de prefeito que se entregou hoje disse que vai esperar julgamento de mérito; Câmara Municipal não deu posse a vice
Imagem mostra prefeito Naçoitan Leite, hoje preso, no dia da posse - Foto: Prefeitura de Iporá
Imagem mostra prefeito Naçoitan Leite, hoje preso, no dia da posse - Foto: Prefeitura de Iporá

O município de Iporá vive uma situação inusitada. Com a prisão do prefeito Naçoitan Leite (sem partido) que se entregou nesta quinta-feira (23), após cinco dias de fuga, ninguém responde como chefe do Poder Executivo da cidade.  

Apesar disso, na prefeitura a informação oficial é de que tudo está sob controle. O chefe de gabinete, Duílio Siqueira, disse que a rotina segue. “Está tudo normal. Os secretários têm autonomia, as oito secretarias e o departamento jurídico estão funcionando, o atendimento ao público está ocorrendo normalmente”, citou ao Diário de Goiás.

Assinatura digital

Segundo ele, se surgir alguma necessidade de assinatura do prefeito, pode ser utilizada a assinatura digital de Naçoitan Leite. “Tem órgão que aceita, outros que não”, disse.

Perguntado sobre a legalidade de validar com a assinatura do prefeito algum documento ou pagamento sem a anuência administrativa pessoal dele, o chefe de gabinete disse que não sabia responder, “mas não aconteceu ainda [essa necessidade de assinatura]. Se ocorrer, pra isso temos assessoria jurídica”, concluiu.

O prefeito teve a prisão decretada e está sendo acusado de tentativa de feminicídio contra a ex-mulher e de homicídio contra o namorado atual dela; invasão;  fraude processual por ter retirado o aparelho que gravou as imagens da invasão dele à casa dela; e peculato/furto (fugiu com um carro da prefeitura).

Prisão mantida

Naçoitan teve os pedidos de habeas corpus e de revogação da prisão rejeitados pelo Poder Judiciário com parecer do Ministério Público pela manutenção.

O advogado dele, Thales Jayme, negou que esteja buscando um mandado de segurança como alternativa para a soltura, informação que circulou pela cidade.

Julgamento do mérito

O defensor explicou ao DG na tarde desta quinta-feira (23) que não pretende usar outra medida. “Vou apenas esperar o julgamento do mérito que, acredito, pode ocorrer quem sabe na próxima semana”, disse. Por se tratar de prisão preventiva, não há limite para término, carecendo apenas ser reanalisada e renovada a cada três meses.

Ele está confiante na argumentação de que o prefeito perdeu a noção sobre seus atos porque estava sob efeito de medicamento e consumiu álcool, sofrendo um “descompasso emocional”. “Ele não sabia que ela e o namorado estavam em casa”, sustenta o advogado.  

Prefeito tem condições de voltar ao cargo, diz advogado

Questionado se, nessa situação (o alegado desequilíbrio emocional), o prefeito tem plenas condições de voltar ao cargo, o defensor disse que tem. “Ele não é um doente. Misturou remédio com bebida. Não é um elemento perigoso, é um prefeito que já foi reeleito e é muito bem avaliado”, justificou.

Na Câmara Municipal a repercussão da prisão não mudou o cenário. Os vereadores mantiveram a decisão e esperar transcorrer 15 dias de ausência do prefeito no cargo, para só então dar posse a vice-prefeita, Maysa Cunha (Republicanos).

“Chacota nacional”

“Viramos chacota nacional, mas fiz tudo o que estava ao meu alcance”, afirma a vereadora Viviane Specian (PT). Ela é a autora do requerimento que pedia a posse da vice. Além desse requerimento, outros dois vereadores apresentaram pedido de afastamento e de abertura de comissão processante para analisar impeachment de Naçoitan.

Hoje pela manhã a parlamentar fez um apelo aos colegas solicitando que a “Câmara chamasse para si sua responsabilidade [de não deixar o cargo de prefeito vago]”, mas não teve êxito.

De sua parte, Maysa Cunha destacou ao DG nesta quinta que apenas aguarda o transcorrer do prazo de 15 dias. “Caso a Câmara não me emposse, entrarei com mandado de segurança”, adianta ela.

A vice-prefeita hoje é desafeto político de Naçoitan Leite. Ela alega que logo após a eleição que deu vitória à chapa dos dois passou a ser discriminada e alijada das decisões e até dos eventos públicos promovidos pela Prefeitura.


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Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.