A investigação aberta pela Polícia Civil do Distrito Federal sobre as mortes de pacientes no Hospital Anchieta, revelam que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, morador do Parque das Barragens, em Águas Lindas de Goiás, se esforçou para matar, em curto espaço de tempo, duas das três vítimas identificadas por enquanto. Marcos é evangélico atuante e não levantava suspeitas na cidade onde morava antes de ser preso.
Reportagem do Fantástico da Tv Globo no domingo (25), mostrou que os autos do inquérito identificaram que, em um mesmo dia, 17 de novembro de 2025, Marcos foi e voltou várias vezes nos leitos da UTI onde estavam a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, e o supervisor da Caesb, João Clemente Pereira, de 63 anos.
Naquele dia, imagens de segurança dos leitos mostram que ele injetou desinfetante não apenas nas veias de Miranilde, como se supunha até agora, mas também nas de Pereira, que morreu poucas horas depois dela, na madrugada seguinte.

Em comum no agravamento do estado de saúde desses pacientes, estavam paradas cardíacas e reanimações que acabavam sucedidas de novas injeções aplicadas por Marcos na presença silenciosa das também técnicas Amanda Rodrigues de Sousa, 22, e Marcela Camilly Alves da Silva, 28 anos. Os três continuam presos.
Ouvido pelo Fantástico, o presidente da Associação dos Médicos Intensivistas do Brasil, Alexandre Amaral, explicou que a consequência de se injetar um produto como desinfetante, é um choque circulatório, “ou seja, uma pressão muito baixa para este paciente, consequentemente uma parada cardíaca imediata”.
Marcos confessou que injetou o produto nas vítimas, com alegações sobre excesso de atendimentos no dia, versão que mudou depois dizendo que o ato foi para aliviar o sofrimento dos pacientes, as quais não convenceram a polícia.
A Polícia trabalha com a hipótese de morte por mero prazer de matar. Se isso se confirmar, o quadro é compatível com psicopatia, caracterizada por frieza, planejamento, ausência total de empatia e remorso, e um alto grau de perversidade nos atos – um perfil de transtorno de personalidade antissocial, ou seja, uma disfunção mental.
Por enquanto não há mais informações sobre como Marcos e suas cúmplices se comportavam em outros ambientes. Segundo revelou o jornal Correio Braziliense que foi até a cidade goiana onde o técnico morava, ele é casado e vivia tranquilamente com a esposa em um apartamento do segundo andar de um residencial no Parque das Barragens, em Águas Lindas, no Entorno do DF.
Religioso, técnico rotineiramente ia para às pregações
Segundo o jornal, ele passava desapercebido entre os vizinhos. Saía, dia sim, dia não, para trabalhar no plantão no Hospital Anchieta, em Taguatinga, onde ficava das 7h às 19h. Foi a equipe de fiscalização e controle do hospital que desconfiou das circunstâncias das mortes, que também foram as mesmas condições do carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, no dia 1º de dezembro.
“Aos domingos pela manhã, das 7h às 11h, o destino era quase sempre o mesmo. Participava da reunião de jovens em uma igreja evangélica localizada a 2,5km da casa dele. Os encontros, marcados por pregações e cânticos, reúnem cerca de 30 pessoas. Para quem o via, era um jovem dedicado à fé”, informou o Correio.
Revolta
Familiares das vítimas ouvidos pelo Fantástico falaram sobre a surpresa e a indignação ao serem informados do envolvimento dos profissionais de saúde com as mortes dos três. A Polícia está investigando as circunstâncias das mortes de outros pacientes atendidos por Marcos para descartar outras vítimas. Após ser demitido do Anchieta, o técnico foi trabalhar na pediatria de outra unidade de saúde do DF.

O Hospital Anchieta reiterou que se solidariza com os familiares das vítimas e repudia veementemente os atos criminosos investigados. O hospital destacou que os atos foram “uma conduta individual de criminosos, praticada a revelir do estabelecimento, dos valores da medicina e da assistência em saúde. Rapidamente identificada pelo próprio estabelecimento, investigada e neutralizada com o imediato acionamento das autoridades competentes”.
Outro lado
Em nota ao Fantástico, a defesa de Marcos Vinícius não negou a acusação, mas disse que vai se manifestar apenas no inquérito que está sob sigilo.
Já a defesa de Marcela da Silva afirma que ela lamenta o que aconteceu com as vítimas e que a dignidade da cliente e a verdade vão ser restabelecidas no processo.
O advogado de Amanda de Souza diz que ela e Marcos Vinícius tiveram um relacionamento. “Ela se sente assim, manipulada por ele. E isso não quer dizer que ela tenha cooperado em nada com ele”.
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