12 de setembro de 2026
DESTRUIÇÃO AMBIENTAL

Incêndio na APA da Serra Geral de Goiás e em Terra Ronca já queimaram 8 mil hectares

São cerca de 40 profissionais empregados no combate às chamas. Suspeita é de que fogo tenha começado na Bahia e se alastrado para o território goiano
Incêndio na Serra Geral e em Terra Ronca causou destruição. (Foto: Corpo de Bombeiros)
Incêndio na Serra Geral e em Terra Ronca causou destruição. (Foto: Corpo de Bombeiros)

O incêndio que atinge a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra Geral de Goiás e o entorno do Parque Estadual de Terra Ronca, nos de São Domingos e Guarani de Goiás, no nordeste do estado, já consumiram 8 mil hectares de vegetação. A estimativa é do Corpo de , que mantém o combate as chamas nesta quarta-feira (12) com 40 profissionais especializados. Os primeiros focos foram identificados na segunda-feira (10).

A equipe tem bombeiros militares e brigadistas florestais e realiza ações de combate direto e indireto às chamas, além de monitoramento, reconhecimento das áreas atingidas, construção de estratégias de contenção e proteção de pontos ambientalmente sensíveis. Há ainda participação da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e Ibama.

Levantamentos preliminares apontam que alguns focos tiveram origem na Bahia e avançaram em direção ao território goiano.

O Parque Estadual de Terra Ronca (Peter) tem aproximadamente 57 mil hectares e protege um dos mais importantes patrimônios espeleológicos do país, além de áreas de elevada relevância para a conservação da fauna, flora, hídricos e demais ecossistemas do Cerrado.

De acordo com os bombeiros, a prioridade é assegurar condições adequadas de atuação aos profissionais que estão na linha de frente, com disponibilização e reforço de equipamentos, viaturas, alimentação, comunicação, apoio logístico e demais recursos necessários à proteção do Cerrado.

Também começa, nesta quinta-feira (13), a Operação Abafa Terra Ronca, cujo objetivo é identificar as origens dos incêndios e coibir práticas ilegais relacionadas ao uso do fogo, além de responsabilizar os incendiários por crime ambiental.

Conforme a Semad, as equipes atuarão em áreas prioritárias, com ações terrestres de fiscalização e patrulhamento, apoiadas por monitoramento por imagens de satélite, direcionando os esforços para regiões com focos ativos, recorrência de incêndios ou indícios de uso irregular do fogo.

Estado em atenção máxima

Segundo a Semad, a influência de um ‘super El Niño’, associada ao período de estiagem, intensifica condições favoráveis à ocorrência e à rápida propagação de incêndios florestais.

A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, redução das chuvas e grande quantidade de vegetação seca aumenta significativamente o risco de incêndios e torna o combate mais complexo. Nessas condições, focos inicialmente pequenos podem se espalhar rapidamente, atingir grandes extensões e colocar em risco unidades de conservação, propriedades rurais, comunidades, recursos hídricos, fauna, flora e também as equipes mobilizadas para o enfrentamento das chamas.

Neste ano, os bombeiros já atenderam quase 5 mil ocorrências de incêndios florestais no estado. Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) indicam que mais de 100 mil hectares já foram atingidos pelo fogo em Goiás só em 2026.

estadual publicado em julho, que declarou emergência ambiental pelo período de estiagem, proíbe o uso do fogo para limpeza de solo. A lei federal prevê de dois a quatro anos e multa para quem provocar incêndio em mata ou floresta.

Na modalidade culposa, quando não há intenção de provocar o incêndio, também há responsabilização penal, com detenção de seis meses a um ano e multa.


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