12 de julho de 2026
Caso Daiane • atualizado em 19/02/2026 às 15:06

Imagens gravadas por corretora revelam emboscada em prédio de Caldas Novas

Imagens gravadas por Daiane Alves Souza momentos antes do ataque foram restauradas após 41 dias no esgoto do prédio e se tornaram prova central para a prisão do síndico
Daiane Alves Souza gravou o momento em que encontrou o síndico no subsolo do prédio; segundos depois, o vídeo registra o som da agressão antes de ser interrompido. Foto: Reprodução.
Daiane Alves Souza gravou o momento em que encontrou o síndico no subsolo do prédio; segundos depois, o vídeo registra o som da agressão antes de ser interrompido. Foto: Reprodução.

A gravação feita pela própria vítima se tornou a principal prova de um homicídio que chocou moradores de Caldas Novas. A corretora de imóveis Daiane Alves Souza de 43 anos, registrou em vídeo os momentos que antecederam o ataque que culminou em sua morte no subsolo do condomínio onde estava. As imagens, foram recuperadas do celular da vítima após um trabalho pericial e revelam que Daiane acabou registrando a própria emboscada. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (19) em coletiva de imprensa.

Segundo a Polícia Civil de Goiás, Daiane desceu ao subsolo do prédio em 17 de dezembro para verificar a interrupção de energia em seu apartamento. Durante o trajeto, gravou um vídeo e narrou o que via. “Ah, olha quem eu encontro. O síndico está aqui embaixo”, diz ela em um trecho divulgado pela investigação.

Nas imagens, é possível ver um homem de costas caminhando em sentido oposto ao da corretora. Segundos depois, já próximo ao disjuntor do apartamento, ouve-se um barulho de pancada e o grito da vítima. A gravação é interrompida abruptamente.

De acordo com o delegado André Luiz Barbosa, responsável pelo caso, o crime foi premeditado e executado de forma sorrateira:

Dá para ver que Cléber aguarda Daiane no subsolo. Ele já estava com a luva nas mãos, o carro posicionado ao lado do almoxarifado. Ele então intercepta ela encapuzado. Tratou-se de um homicídio premeditado.

A polícia acredita que a energia do apartamento foi desligada propositalmente como isca para atrair a vítima ao subsolo. “Daiane foi a própria testemunha desse homicídio. Os vídeos que ela gravou foram fundamentais”, destacou o investigador.

Celular ficou 41 dias no esgoto

Após o crime, o telefone da corretora foi descartado na caixa de esgoto do prédio, onde permaneceu por 41 dias. O aparelho foi localizado e passou por um processo de restauração técnica que permitiu a recuperação das imagens.

A perícia também desmontou a versão inicial apresentada pelo síndico. Cleber afirmou à polícia que teria atirado acidentalmente durante uma luta corporal com a vítima, após um “atrito” entre os dois, que já mantinham histórico de conflitos.

No entanto, o laudo cadavérico apontou que Daiane foi baleada duas vezes na cabeça, e as marcas no crânio são incompatíveis com disparo acidental. Além disso, testes periciais indicaram que os tiros não foram efetuados dentro do prédio.

Em uma reconstituição feita no mesmo horário e dia da semana do crime, peritos dispararam uma arma no local e constataram que o barulho seria perfeitamente audível na portaria. Nenhum morador relatou ter ouvido disparos.

A conclusão da investigação é que Daiane foi inicialmente golpeada no subsolo, deixada inconsciente, e posteriormente levada para fora do edifício, onde foi executada.

Confissão e desdobramentos

O corpo da corretora foi encontrado no dia 28 de janeiro, às margens de uma estrada em Caldas Novas, no mesmo dia em que a Polícia Civil prendeu o síndico e seu filho, Maicon Douglas de Oliveira.

Após confessar o crime, Cleber levou os policiais até o local onde havia deixado o cadáver. Ele isentou o filho de qualquer participação no homicídio.

Maicon foi preso por suspeita de envolvimento, principalmente por ter auxiliado o pai na compra de um novo celular colocado em nome dele. No entanto, a polícia concluiu que o crime foi planejado e executado exclusivamente por Cleber. O inquérito foi finalizado e encaminhado à Justiça com pedido de soltura do filho.

O porteiro do prédio também foi ouvido após a identificação de divergências em seu depoimento, mas não foi tratado como suspeito. A defesa de Maicon sustenta que ele não teve qualquer envolvimento direto ou indireto no crime e aguarda a reversão da prisão.

Relembre o caso

  • 17 de dezembro: Daiane desaparece após descer ao subsolo do prédio para verificar a falta de energia no apartamento.
  • Ela é vista pela última vez no elevador e registra em vídeo o trajeto até o local do disjuntor.
  • A gravação capta o momento em que ela encontra o síndico e, segundos depois, o som de uma agressão.
  • 28 de janeiro: O corpo é encontrado às margens de uma estrada em Caldas Novas.
  • No mesmo dia, o síndico é preso, confessa o crime e indica o local onde havia ocultado o cadáver.
  • A polícia conclui que o homicídio foi premeditado e executado de forma isolada pelo investigado.


Leia mais sobre: / / / / Cidades / Notícias do Estado