A inteligência artificial será uma das principais ferramentas utilizadas por Goiás no combate aos incêndios durante o período de estiagem. A tecnologia será integrada ao monitoramento por satélite para identificar focos de fogo em tempo real, calcular a distância até as áreas atingidas e orientar o deslocamento das brigadas. A estratégia também pretende contribuir para a identificação de responsáveis por queimadas criminosas.
A medida faz parte do conjunto de ações planejadas pelo governo estadual para enfrentar o período de seca e os efeitos do fenômeno climático previsto para os próximos meses. Segundo o vice-governador Daniel Vilela, mais de 95% das queimadas têm origem em ações humanas, o que coloca a prevenção e a responsabilização entre os principais pontos da estratégia.
“Mais de 95% das queimadas acontecem através de uma iniciativa humana. Então, se todos os goianos tiverem a colaboração, se a gente puder ser vigilante também, de poder fazer um acompanhamento, é importante lembrar que nós temos hoje um monitoramento satelital, que nós vamos utilizar a inteligência artificial para identificar o mais rápido possível aqueles criminosos que porventura venham promover essas queimadas”, afirmou Daniel.
Segundo ele, o Estado pretende agir de forma rápida diante de situações classificadas como criminosas. “Nós teremos aí uma ação rápida, contundente, no sentido também de poder puni-los e apreendê-los”, declarou.
Tecnologia deve reduzir tempo de resposta
A secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, Andréa Vulcanis, explicou que o sistema representa uma mudança na forma de acompanhamento dos focos de incêndio. Atualmente, o território estadual é monitorado por satélites que emitem alertas sobre possíveis queimadas. A diferença, segundo ela, é que a inteligência artificial passará a automatizar parte da análise dessas informações.
“Hoje, nós temos satélites cobrindo todo o território do Estado de Goiás em tempo real, com alertas imediatos. Até então, tínhamos um gabinete onde pessoas ficavam olhando as telas para identificar esses focos e organizar a saída das brigadas para fazer o primeiro combate”, explicou.
Com a utilização da IA, o sistema poderá identificar o foco, calcular a rota e estimar a distância que a equipe terá de percorrer até o local. A expectativa é reduzir o intervalo entre a identificação do incêndio e o início do combate.
“Agora, com a inteligência artificial, a gente ganha muita escala e muita produtividade, porque a própria inteligência já faz a identificação, mapeia o caminho e a distância que a brigada tem que percorrer até o ponto onde o alerta está acontecendo. Isso faz com que a gente ganhe muito tempo”, afirmou Andréa.
Para a secretária, a rapidez é determinante para evitar que pequenos focos se transformem em grandes incêndios. “Quanto mais a brigada chega ao combate, mais difícil é que esse fogo se alastre. Então, estamos usando tecnologia como uma forma de favorecer e dar escala às ações que estamos fazendo em campo”, disse.
Monitoramento também deve ajudar na identificação de criminosos
Além de orientar as equipes de combate, o sistema de monitoramento será utilizado para reunir informações que possam auxiliar na investigação de incêndios provocados de forma intencional.
Daniel Vilela destacou que a população também terá papel importante na identificação de possíveis responsáveis. Segundo ele, moradores devem permanecer atentos a situações de queimadas e comunicar ocorrências às autoridades.
“É importante lembrar que nós temos hoje um monitoramento satelital, que nós vamos utilizar a inteligência artificial para identificar o mais rápido possível aqueles criminosos que porventura venham promover essas queimadas”, reforçou.
A estratégia será integrada à atuação dos órgãos de segurança e fiscalização. A intenção é que informações sobre localização e evolução dos focos possam contribuir para uma resposta mais rápida quando houver indícios de crime ambiental.
O governo também alerta que nem todo fogo tem necessariamente origem criminosa. Queimadas podem começar a partir de práticas realizadas de maneira inadequada, especialmente em propriedades rurais, como a queima de lixo ou resíduos. Ainda assim, a situação pode sair de controle e atingir áreas de vegetação.
“Às vezes, as pessoas em pequenos sítios, em agricultura familiar, acabam fazendo ali, juntando lixo e achando que colocar fogo é a solução adequada para aqueles resíduos. E isso acaba se transformando numa grande queimada”, afirmou Daniel.
Brigadistas comunitários reforçam prevenção
Outra frente adotada pelo Estado é a contratação de brigadistas comunitários. As equipes atuam principalmente em regiões consideradas mais vulneráveis aos incêndios e têm como uma das vantagens o conhecimento do território.
Andréa Vulcanis destacou que os brigadistas vivem nas próprias comunidades e, por isso, conhecem os caminhos e as características das áreas onde atuam.
“São pessoas que vivem ali, são pessoas da terra. Portanto, elas conhecem os caminhos, conhecem quem é quem e sabem quem está colocando fogo, porque isso circula na comunidade”, afirmou.
Para a secretária, a presença dessas equipes contribui tanto para a prevenção quanto para o combate. A proximidade permite que os brigadistas identifiquem rapidamente situações de risco e auxiliem as equipes especializadas.
A iniciativa já foi utilizada na região Nordeste de Goiás, inclusive durante o incêndio que atingiu o Parque Estadual Terra Ronca. Segundo o governo estadual, a atuação antecipada das equipes contribuiu para reduzir os impactos do fogo na área.
Governo cobra participação da população
Daniel Vilela afirmou que o combate às queimadas não dependerá apenas das estruturas do poder público. Para o governo, a redução dos incêndios também passa pela mudança de comportamento da população e pela comunicação de situações suspeitas.
“Se todos os goianos tiverem a colaboração, se a gente puder ser vigilante, fazer um acompanhamento, é importante”, disse.
O vice-governador também pediu atenção para queimadas que começam de maneira aparentemente controlada, mas podem se espalhar rapidamente em razão das condições de seca, vento e baixa umidade.
A orientação é evitar o uso do fogo para eliminar lixo, folhas e outros resíduos e comunicar às autoridades qualquer situação que possa representar risco de incêndio ou indício de ação criminosa.
Com a combinação de monitoramento por satélite, inteligência artificial, brigadas comunitárias e atuação dos órgãos de segurança, o governo pretende reduzir o tempo de resposta e ampliar a capacidade de fiscalização durante o período crítico.
A estratégia também tem um objetivo claro: quem provocar incêndio criminoso deverá ser identificado e responsabilizado. “Nós teremos uma ação rápida, contundente, no sentido também de poder puni-los e apreendê-los”, afirmou Daniel Vilela.
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