16 de setembro de 2026
SAÚDE PÚBLICA • atualizado em 22/08/2026 às 09:55

Hospital em Goiás reduz em 61% espera por atendimento com apoio de tecnologia

Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes reduziu de quase duas horas para 47 minutos o tempo médio de espera pelo primeiro atendimento
Uso de tecnologia ajudou o Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Goiânia, a reduzir em 61% o tempo de espera no pronto-socorro. Foto: Divulgação.
Uso de tecnologia ajudou o Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Goiânia, a reduzir em 61% o tempo de espera no pronto-socorro. Foto: Divulgação.

O uso de tecnologia para apoiar a gestão hospitalar reduziu em aproximadamente 61% o tempo médio de espera pelo primeiro atendimento no Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em . O intervalo, que chegava a quase duas horas, passou para 47 minutos após a identificação de gargalos e a adoção de medidas orientadas por dados.

A mudança faz parte de uma estratégia de gestão baseada em informações em tempo real, com utilização de uma plataforma operacional da MV, healthtech especializada em tecnologia para a área da saúde. A ferramenta permite acompanhar os principais indicadores da unidade e apoiar as equipes na tomada de decisões.

Segundo Paulo Magnus, CEO e fundador da empresa, a utilização de dados pode mudar a forma como os hospitais lidam com situações de alta demanda.

“A transformação da saúde passa por uma gestão baseada em dados. Quando os gestores conseguem visualizar as principais dificuldades em tempo real, deixam de atuar apenas de forma reativa e passam a antecipar problemas”, afirma.

Triagem antes do cadastro agiliza atendimento

Um dos principais pontos identificados no hospital estava no fluxo de atendimento das gestantes que chegavam ao pronto-socorro. Antes da mudança, a paciente precisava passar primeiro pelo cadastro na recepção para, somente depois, ser encaminhada à triagem de risco.

Com a análise dos dados, o fluxo foi reorganizado. Agora, as pacientes passam pela triagem com o objetivo de identificar e priorizar os casos mais urgentes, conforme o Protocolo de Manchester, antes do atendimento médico.

A medida permite que a equipe concentre esforços nas pacientes que apresentam maior necessidade de atendimento imediato.

Para melhorar a comunicação entre os profissionais, a unidade também criou um canal de comunicação durante os plantões. Enfermeiros, recepcionistas e conseguem sinalizar em tempo real quais pacientes aguardam avaliação.

“Criamos um grupo de plantão no qual enfermeiras, recepcionistas e médicos sinalizam em tempo real as pacientes que aguardam avaliação. Com isso, a equipe médica consegue se reorganizar rapidamente para absorver as demandas internas ou priorizar os casos mais urgentes no consultório”, explica Dandara Oliveira, diretora técnica do hospital.

Tecnologia também reduz superlotação

Além do tempo de espera, a ferramenta contribuiu para reduzir a superlotação do pronto-socorro. O acompanhamento é feito por meio do NEDOCS, índice utilizado para avaliar o nível de lotação e a pressão sobre os de emergência.

Entre janeiro e julho de 2026, o indicador apresentou queda de 51% no período da manhã, às 10h. No horário considerado de pico, às 16h, a redução chegou a 61%.

O monitoramento também permitiu identificar que parte do problema não estava necessariamente na falta de leitos, mas em falhas no registro das altas.

De acordo com Dandara, pacientes que já haviam recebido alta continuavam aparecendo como ocupantes no sistema porque a baixa administrativa não havia sido realizada. Com a atualização dos registros em tempo real, os leitos passaram a ser liberados de maneira mais eficiente.

Gestão baseada em dados

A experiência do Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes integra uma estratégia da Secretaria de Estado da Saúde de (SES-GO) para fortalecer a gestão dos 25 hospitais da rede estadual.

Atualmente, a plataforma acompanha mais de 50 mil atendimentos mensais em prontos-socorros, cerca de 15 mil saídas hospitalares e mais de 3.200 leitos monitorados continuamente.

A estrutura envolve equipes multidisciplinares das unidades estaduais e o acompanhamento de consultores da MV.

Para Joyce Almeida, assessora técnica da SES-GO, o uso de indicadores ajuda a substituir decisões baseadas em percepções por ações direcionadas às causas dos problemas.

“Não é achismo, são indicadores reais. Investir em dados é investir em algo concreto que a gente pode estudar de fato, estruturando um plano de ação e agindo na causa raiz do problema”, afirma.

Resultados também aparecem no CRER

O impacto da estratégia também foi observado no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), onde a adesão da equipe assistencial às novas diretrizes de gestão aumentou 60%.

A participação da diretoria nas agendas de alinhamento também avançou. Em janeiro de 2026, o índice era de 0%. Seis meses depois, em junho, a participação chegou a 100%.

Entre os profissionais da assistência, a presença nas reuniões rápidas de alinhamento diário, que era de 62,5% em janeiro, também chegou à participação integral em junho.

Segundo Joyce Almeida, o avanço ocorreu a partir de ações como análise de dados, estudos de caso, elaboração de planos de ação e realização de oficinas com os profissionais.

“A implementação foi desafiadora, mas, com o decorrer dos meses, a aderência ao foi evoluindo. Foi a partir de dados, estudos de caso, planos de ação práticos e oficinas que os colaboradores compreenderam a real importância do programa para salvar vidas e otimizar o tempo de todos”, conclui.


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