17 de fevereiro de 2026
DADOS ALARMANTES

Hospital de Nerópolis chama a atenção com piores resultados da rede estadual e mortes em UTI: 5 a cada 10 pacientes

Relatório da Saúde aponta pior desempenho da rede estadual, alta mortalidade e infecção três vezes maior que a média

O governo do Estado suspendeu o repasse de verbas para o Hospital Sagrado Coração de Jesus de Nerópolis após a unidade ter o pior desempenho da rede estadual nos últimos dois anos. Um dos levantamentos mostrou que, a cada dez pacientes internados na UTI, cinco morreram no ano passado.

As informações sobre o levantamento foram divulgadas pela Tv Anhanguera na segunda-feira (26).

O hospital estava sob intervenção da justiça devido a suspeitas de desvios de dinheiro. Na segunda, entretanto, o interventor renunciou ao cargo. 

Unidade de origem filantrópica de grande porte, o Sagrado Coração de Jesus é o único hospital público de Nerópolis. Ele tem 85% dos atendimentos pelo SUS, e por isso integra a rede pública estadual e é monitorado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO).

A unidade não atende só a população da cidade. É referência na região e recebe pacientes de outros municípios. Mesmo assim, nos últimos anos, passou a ser alvo de constantes reclamações e resultados muito abaixo da média das demais unidades estaduais.

Relatório aponta pior desempenho

Segundo a Tv, um relatório da Secretaria Estadual de Saúde apontou que as deficiências no atendimento comprometeram a qualidade do serviço prestado aos pacientes. Dados de 2024 e 2025 mostram que o Sagrado Coração de Jesus teve o pior desempenho entre os hospitais monitorados. 

Segundo o relatório, entre agosto de 2024 e junho de 2025, a gravidade dos pacientes internados na unidade foi parecida com as de outras unidades hospitalares da rede estadual. Mas os resultados do Sagrado Coração de Jesus foram muito piores e a taxa de mortalidade do hospital passou de 54%, ou seja, de cada 10 internados, 5 morriam, enquanto na rede estadual o índice chegou a 33%.

Na UTI, o número de mortes ficou em 52,3%, enquanto nas outras unidades, esse índice foi inferior a 30%. E nos hospitais de referência, de apenas 6%.

Taxa de mortalidade de 165% acima do previsto

Além disso, o relatório ao qual a Tv Anhanguera teve acesso, aponta que a taxa de mortalidade do hospital chegou a 165%, acima do esperado pela gravidade dos pacientes. O documento também analisou os meses de junho e setembro de 2025 quando a taxa de mortalidade do hospital caiu para 45,29%, mas ainda ficou muito acima do restante da rede estadual, que foi de 32%.

No mesmo período, na UTI, o índice de mortalidade do Sagrado Coração de Jesus ficou em 43% e nos outros leitos da rede estadual foi de 25%. 

Infecção hospitalar: taxa três vezes maior que a rede

A taxa de pacientes da UTI que tiveram infecção generalizada foi de quase 60%, cerca de duas a três vezes maior que os hospitais de referência.

Além disso, quase 100% dos pacientes não passaram por classificação de prioridade na UTI.

A Secretaria Municipal de Saúde de Nerópolis, que gerencia o repasse de recursos públicos para o hospital, diz que os índices são resultado da falta de protocolos. O órgão informou que faltou gestão adequada.

Segundo a Tv Anhanguera, a Justiça também acompanha a administração do hospital desde o ano passado. Diretores da associação filantrópica dona da unidade foram acusados de usar o dinheiro do Sagrado Coração de Jesus para pagar gastos pessoais. O processo foi aberto, o diretor-geral afastado e o interventor vinha tocando a unidade de novembro até segunda-feira.

O interventor nomeado pela Justiça decidiu renunciar ao cargo por entender que não é mais necessário estar à frente do hospital, já que o mandato do diretor-geral afastado acabou.  Alegou ainda que, durante a intervenção, foram adotados métodos e critérios científicos e técnicos para tornar a unidade mais eficiente. 

A Secretaria de Saúde de Nerópolis disse que apresentou um plano de trabalho propondo protocolos e mudanças na gestão para melhorar o atendimento aos pacientes. A troca de local do pronto-socorro, que era solicitada pela SES-GO. por exemplo, já foi realizada.

Depende agora da Justiça manter a associação que geria o hospital no comando ou prorrogar a intervenção, nomeando um novo interventor. O processo corre em segredo de Justiça e o Tribunal não se manifestou.


A reportagem do DG procurou a direção do hospital nesta terça-feira (27). O funcionário da administração que atendeu a ligação disse que em virtude da saída do interventor, não sabia quem poderia responder sobre o assunto e que se fosse o caso haveria retorno, o que ainda não ocorreu. O espaço permanece aberto.


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