19 de junho de 2024
Lênia Soares

Hora e vez da reforma de Marconi Perillo

A reforma administrativa prometida pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é assunto recorrente nos bastidores da Assembleia Legislativa. O governador quer a mudança na equipe de governo; os deputados, também. Mas os secretários-candidatos, nem tanto.

 

Uma reforma de conveniências que, apesar de delicada, não é novidade. O governador dá mostras de sua vontade em renovar a equipe desde o início do escândalo Cachoeira. Teve de recuar diversas vezes por conta de uma guerra interna declarada e por pressão de aliados – como a do então presidente da Alego, Jardel Sebba (PSDB), que segurou por mais de um ano a saída de José Luiz Bittencourt da presidência da agência de comunicação, Agecom.

Além das dificuldades com as denúncias e com o caso Cachoeira, por não ter conseguido fazer a reforma, Marconi sofreu constantes desgastes. O fato mostrava falta de força política – pela primeira vez ele era peitado por aliados e tinha de ceder –, além da desorientação administrativa.

O momento agora é outro. As dificuldades internas parecem saneadas e a proximidade da eleição consuma o fato de que quem quer ser candidato deve, inevitavelmente, sair. “A reforma é necessária para que a disputa seja justa. Os candidatos devem concorrer na mesma condição, sem ajuda da máquina do governo”, pondera um deputado da base.

“Sabemos que dezembro é mais uma vontade que realidade. Por outro lado, tenho certeza que o governador deverá conduzir bem esse processo”, complementa o aliado, ressaltando o fato de reforma agora é improvável, em dezembro, possível, e no início de abril (prazo legal para, quem quer ser candidato, deixar o cargo), o mais crível.

Figurinha repetida

No segundo mandato de Marconi Perillo, a reforma foi prometida. O mesmo foi dito e depois desdito. A saída da auxiliares se deu mesmo em março/início de abril, o prazo limite para os candidatos.

A data estipulada pelos deputados, no entanto, é pragmática. É de conhecimento público a intenção de Thiago Peixoto (PSD), Giuseppe Vecci (PSDB) e Alexandre Baldy (PSDB), dentre outros, de disputarem as eleições. No governo, de fato, levam vantagem.

Aliada à vontade dos deputados, está a necessidade do governador de formar uma equipe focada em seu governo. De agora em diante, auxiliares que são pré-candidatos mais se preparam para a eleição do que se preocupam com o governo.

Se Marconi conseguir consumar a reforma até dezembro, só tem a ganhar. Começa 2014 com equipe renovada e focada em seu projeto de reeleição.

Uma mudança necessária.

Alguns comentários dão conta de que as alterações começam em outubro. Por enquanto é só boato.

De fato há que a mudança agora, para Marconi, é colocar o governo no rumo certo. O rumo de sua reeleição.


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