12 de julho de 2026
ALTA INJUSTIFICADA • atualizado em 11/03/2026 às 10:08

Governo federal pede ao Cade para investigar aumento dos combustíveis

Senacon aciona Cade após denúncias de aumento sem anúncio da Petrobras; postos em vários estados relatam reajustes e risco de desabastecimento
Sindicatos acionaram órgãos do Consumidor e Senacon foi ao Cade por reajustes nos combustíveis - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Sindicatos acionaram órgãos do Consumidor e Senacon foi ao Cade por reajustes nos combustíveis - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, encaminhou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na terça-feira (10) para que o órgão investigue os recentes aumentos nos preços dos combustíveis que foram registrados em postos na Bahia, no Rio Grande do Norte, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Em Goiás, como mostrou o Diário de Goiás também na terça, o valor do litro do óleo diesel foi reajustado em dois reais, chegando ao consumidor por até R$ 8,15 em alguns postos. O aumento sem aviso prévio foi denunciado na segunda-feira (9) pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto). O sindicato divulgou um comunicado e acionou o PROCON Estadual e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) alertando também para ameaça de desabastecimento que impacta em vários setores, inclusive no agronegócio que depende muito do diesel.

O pedido da Senacon foi encaminhado após representantes de sindicatos também desses quatro estados e do DF reclamarem que distribuidoras estavam elevando os preços de venda dos combustíveis, embora a Petrobras não tenha anunciado aumento nos preços praticados em suas refinarias. Esse aumento, disseram os sindicalistas, estaria sendo justificado pela alta no preço internacional do petróleo, associado aos ataques que vem ocorrendo no Oriente Médio.

“Diante desse cenário, a Senacon solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado, e que podem indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes”, diz a Senacon, em nota.

Os comunicados dos demais sindicatos são alinhados com o de Goiás.

Por meio de nota divulgada em suas redes sociais, o SindiCombustíveis da Bahia disse que está preocupado com os efeitos do cenário internacional sobre o mercado de combustíveis no estado. “O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado as cotações do petróleo no mercado internacional e já provoca reflexos no Brasil”, escreveu.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos RN), também em suas redes sociais, escreveu na semana passada que o conflito “já começa a refletir na alta do preço do petróleo no mercado internacional, acendendo um sinal de atenção para o setor de combustíveis no Brasil”.

O Minaspreto alertou que a defasagem no preço do diesel já atinge mais de R$ 2 e, na gasolina, quase R$ 1.

“As companhias estão restringindo a venda e praticando preços exorbitantes, principalmente para os revendedores marca própria. Já há relatos de postos totalmente secos em Minas Gerais. O Minaspetro está monitorando a situação e irá acionar os órgãos reguladores para mitigar o risco de desabastecimento”, escreveu o sindicato, em suas redes sociais.

Em São Paulo, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo (Sincopetro), entidade que representa o comércio varejista de derivados de petróleo  também vem observando aumento no preço dos combustíveis. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do Sincopetro, José Alberto Gouveia, disse que a investigação do Cade será importante para o setor.

“O que não pode é o dono do posto levar a culpa como estão tentando fazer. Ele não aumentou porque ele quis, ele aumentou porque aumentou o preço para ele também. Então essa explicação para nós é muito importante”, disse ele.


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