24 de junho de 2024
Política

Governador espera entregar obras em Goiânia para melhorar imagem na capital

Jornal Tribuna do Planalto cita obras do Governo do estado que estão sendo executadas em Goiânia.

 

Por 2014, Marconi prioriza obras para entrega em um ano
Governo escolhe projetos mais viáveis para recuperar prestígio em Goiânia e diminuir desgastes na região. Promessas antigas, Centro de Excelência do Esporte e Hugo 2 estão no pacote
Daniel Gondim – Repórter de Política

 

O governador Marconi Perillo (PSDB) já sabe o que fazer para resgatar popularidade em Goiânia e na região metropolitana antes da eleição estadual de 2014. A conclusão do Centro de Excelência do Esporte e a construção do Hospital da região Noroeste são dois dos projetos que, somadas a outras obras, têm como objetivo melhorar a imagem do tucano, que está a um ano do período final para as convenções partidárias e ainda precisa conseguir viabilizar seu nome para disputar a reeleição.

Alardeando desde o início do mandato que a infraestrutura seria o foco de seu atual mandato, Marconi chegou a um período decisivo sem conseguir entregar obras vultosas. Por causa disso e da dificuldade financeira do Estado em fazer grandes investimentos, foi necessário priorizar alguns dos projetos para que, no período máximo de um ano, eles sejam concluídos e alavanque a imagem do tucano.

Com o programa Rodovida (Construção, Conservação e Reconstrução) já bem encaminhado, o governo pôde olhar para outras direções, e avistou novos projetos. Dentre as prioridades, estão a construção de viadutos nas saídas de Goiânia e o Centro de Recuperação de Dependentes Químicos (Cre­deq) em Aparecida de Goiânia.

Outras duas obras, porém, terão atenção mais especial. O Centro de Excelência do Esporte e o Hospital da Região Noroeste foram prometidos em outros mandatos, mas nunca saíram do papel. O primeiro foi elaborado em 2000, culminando na demolição do estádio Olímpico em 2006. O segundo foi prometido na campanha para a reeleição de Marconi, em 2002.

Na avaliação de aliados, os dois projetos ainda geram desgaste para o governador porque deixaram a impressão de que Marconi não termina as obras em Goiânia. Com isso, ao prometer que ambos estarão entregues e em pleno funcionamento em 12 meses, Perillo superaria esse tipo de desgaste. “Todos que estiveram com o governador perceberam que ele está muito animado e vê que é possível entregar todos esses projetos”, garante um aliado.

Além disso, outro fator motiva a base aliada. Na avaliação de marconistas, se as obras forem entregues, é possível até que o governador fique em vantagem sobre o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), que, para os aliados do governador, tem tido dificuldades para tocar as obras na capital.

Dificuldades
Responsável pela realização das obras, a Agência Goiana de Transporte e Obras Públicas (Agetop) garante que não há tratamento especial para nenhum projeto. “Todas as obras são consideradas importantes e tratadas igualmente”, diz o órgão, por e-mail, quando questionado se haveria prioridade para o término desses projetos.
A necessidade de priorizar obras para chegar bem em 2014 é uma consequência das dificuldades enfrentadas por Marconi Perillo, o que acabou atrasando a conclusão de parte dos projetos da atual gestão. Com lacunas financeiras, o governo tem encontrado problemas para fazer investimentos, especialmente no setor de infraestrutura. O programa Rodovida Cons­trução, por exemplo, é todo baseado em um empréstimo de R$ 1,5 bilhão concedido pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A difícil situação financeira vivida por Goiás pôde ser confirmada no dia 5 de junho, quando o chefe de gabinete adjunto de planejamento da Secretaria de Gestão e Planejamento, Júlio Paschoal, esteve na Assembleia durante o debate da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014. No encontro com os deputados, ele fez apresentação, que mostrou que a receita do Estado está 101,25% comprometida pelas obrigações orçamentárias.
A falta de recursos para investimentos atingiu até o Plano de Ação Integrada de Desenvolvimento (PAI), programa criado pelo governo para acelerar o desenvolvimento econômico e social do Estado. “Há recursos apenas para 30% a 40% dos programas”, disse Júlio Paschoal.

Com a prioridade em determinadas obras, porém, ficaria mais palpável o objetivo de entregá-las para a população. No entanto, o problema é que, mesmo com o otimismo da base aliada, a estratégia pode dar errado, principalmente no caso do Hugo 2. Em Goiânia, por exemplo, o prefeito Paulo Garcia inaugurou a Maternidade Dona Iris em junho de 2012, logo antes da eleição municipal. Apesar de pronta, a unidade de saúde não estava completamente equipada. Durante a campanha eleitoral, Paulo foi acusado de entregar a obra sem que ela estivesse pronta para entrar em funcionamento, o que, de fato, só ocorreu em abril desse ano, com a inauguração de um laboratório e de 25 unidades de terapia intensiva (UTIs).

Habitação
No setor de habitação, Marconi também tem boas notícias. Um projeto da Agência Goiana de Habitação (Agehab), com previsão de início para agosto de 2013, vai construir 5.450 apartamentos no Conjunto Vera Cruz, em Goiânia. A meta é entregar pelo menos 1.500 unidades até março do próximo ano.

Além disso, o presidente da Agehab, Marcos Abrão Roriz, prevê que o órgão tem condições de entregar pelo menos mais 47 mil moradias populares em todo o Estado até o término do atual mandato. “Se parássemos de receber solicitações hoje, esse seria o número entregue até o fim de 2014”, garante.

Um dos motivos do bom desempenho da habitação é a parceria entre os governos estadual e federal. O programa Cheque Moradia, do Estado, fornece uma parte do valor do imóvel, enquanto a União, com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da Caixa Econômica Federa , entra com outra parte. O restante é financiado pelo usuário, que paga uma prestação mensal de aproximadamente R$ 80, dependendo do tipo do imóvel.

No caso dos apartamentos no Conjunto Vera Cruz, por exemplo, o recurso federal será de R$ 283,2 milhões, enquanto o Estado será responsável por R$ 71 milhões. Mesmo com a contrapartida da União maior do que a do Estado, a construção de moradias populares vai afetar positivamente a imagem do governador.

“Eu tenho uma meta física a cumprir, que é de entregar um número X de moradias. Eu me propus cumprir essas metas e é para isso que nossa equipe está trabalhando. Se houver uma melhora na avaliação do governador, é uma consequência do bom trabalho que está sendo feito, mas não é o objetivo principal”, argumenta Roriz.

Obras que serão prioridades para o governo

Hugo 2
Custo: R$ 57,5 milhões;
Início das obras: junho de 2013;
Previsão de entrega: 12 meses;
Situação: Planejado desde 2002, o Hospital da Região Noroeste é uma promessa antiga do governador. Dessa vez, porém, ele garante que, em 12 meses, a unidade estará pronta. O compromisso é colocar a unidade em pleno funcionamento dentro do período.

Centro de Excelência
Custo: R$ 50,5 milhões;
Início das obras: junho de 2013;
Previsão de entrega: 12 meses;
Situação: O projeto é de 2000, durante o primeiro mandato de Marconi. Em 2006, o Estádio Olímpico foi demolido. Desde então, o projeto causa desgaste para o governador, que, para resolver o problema, prometeu entregar tudo pronto em um ano.

Viadutos
Custo: R$ 20 milhões;
Início das obras: maio de 2013;
Previsão de entrega: oito meses;
Situação: O governo acelera também as obras dos viadutos na saída de Goiânia: na GO-060, que liga Goiânia a Trindade, e na GO-070, que une a capital a Inhumas. Ambos têm previsão de entrega até o fim do ano. No segundo semestre, o governo quer começar mais um , dessa vez na GO-080, que liga Goiânia a Nerópolis.

Construção de 5.450 apartamentos no Vera Cruz Custo:
R$ 354 milhões (R$ 71 milhões do Estado e R$ 283,2 do governo federal);
Início das obras: agosto de 2013;
Previsão de entrega:
1500 unidades até março de 2014;
Situação: Segundo a Agehab, todo o projeto da obra está pronto, faltando apenas a expedição de alvarás de construção pela prefeitura de Goiânia. Além disso, o órgão já tem pedidos para construção de 47 mil moradias populares em todo o Estado até o fim de 2014.

Credeq de Aparecida
Custo: R$ 19,8 milhões;
Início das obras: fevereiro de 2013;
Previsão de entrega: 15 meses;
Situação: O governo prometeu cinco unidades do Centro de Recuperação de Dependentes Químicos (Credeqs) em todo o Estado, mas atualmente o de Aparecida de Goiânia é o que está em estágio mais avançado. A previsão é de que até o maio de 2014 a obra esteja pronta.


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