17 de junho de 2024
Política

Gomide vira a opção petista para 2014

Veja o texto publicado na edição desta semana do Jornal Tribuna do Planalto, que analisa as articulações do prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT). Ele pode se firmar como alternativa da legenda ao governo do Estado. O texto completo também está disponível no site do Jornal. 

 

Gomide é o nome do PT para 2014

Popularidade em Anápolis e articulações pelo interior fortalecem prefeito, que conquista apoio interno para obter indicação do partido
Daniel Gondim – Repórter de Política

O prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), está em vantagem para ser o nome do seu partido nas eleições de 2014. Percorrendo o Estado em encontros regionais da sigla e respaldado pela popularidade conquistada com a administração no município, o petista conseguiu apoio interno e, atualmente, é considerado como o melhor nome que a sigla pode apresentar para a chapa majoritária do grupo de oposição ao governador Mar¬coni Perillo (PSDB).

A prioridade do PT é reeleger a presidente Dilma Rousseff (PT), o que significa que a aliança com o PMDB é a prioridade do partido também em Goiás. Em junho, a Tribuna divulgou que um emissário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de reunião com petistas goianos para transmitir o recado de que, no Estado, há até a possibilidade da sigla ficar fora da chapa majoritária, o que seria uma forma de dar contrapartidas estaduais para que, nacionalmente, partidos como o PSB abracem a ideia da reeleição da presidente.

Isso, porém, não impede que o PT se articule com os olhos voltados para 2014. Por isso, caso o PMDB ou outros partidos não consigam apresentar nomes para o Palácio das Esmeraldas ou, no mínimo, o partido tenha o direito de indicar um nome para a vice ou o Senado, os petistas já querem ter alguém “engatilhado”.

Nesse sentido, a avaliação é que, no momento, Gomide seria mais competitivo do que outros pré-candidatos do partido, como o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, e o deputado federal Rubens Otoni (PT). A praticamente um ano das eleições, o cenário ainda pode mudar, mas, desde já, o chefe do Executivo anapolino é o petista mais forte do momento, de acordo com grande parcela do partido.
Tudo isso, porém, ainda é tratado com sigilo dentro do PT. “Não existe esse consenso. O PT está trabalhando pela união da oposição e nem começou ainda essa discussão de nomes. Estamos evitando isso para não criar conflitos. Claro que quando andamos as pessoas, até de fora do PT, sugerem o Antônio Gomide e o Paulo Garcia, mas o partido mesmo ainda não entrou nessa discussão”, garante Rubens Otoni.

Encontros regionais
A preferência de Antônio Gomide sobre Paulo Garcia dentre os petistas tem, basicamente, dois motivos. O primeiro é o desempenho do anapolino na eleição municipal de 2012, quando ele foi reeleito para o segundo mandato com quase 90% dos votos válidos no município.

O segundo é que, além de prestígio em Anápolis, Gomide também começou um trabalho importante para estender sua popularidade a todo o Estado, o que pode provar justamente esse objetivo de viabilizar uma possível candidatura. Nesse sentido, os encontros regionais promovidos pelo PT no Estado serviram para que o anapolino divulgasse os feitos de sua administração em Anápolis.
Entre abril e junho de 2013, o PT fez 12 reuniões no Estado. Ceres, Porangatu, Valparaíso, Simolândia, Caldas Novas, Goiandira, Goiás, Caiapônia, Teresina de Goiás, Rio Verde, Indiara e Anápolis receberam o encontro, que teve como objetivos discutir os rumos da sigla para as eleições de 2014.

Gomide esteve em todos os encontros, nos quais ele tem participação importante. Governando a terceira maior do Estado, o petista de Anápolis sempre discursou sobre as mudanças proporcionadas por sua primeira administração no município, o que lhe rendeu a grande votação na eleição em 2012.
“Passa um vídeo que mostra uma rua esburacada, depois mostra a mesma rua asfaltada. Mostra uma creche abandonada, depois ela toda reformada. É um vídeo de candidato, muito bem feito e que passa essa ideia de como o Gomide transformou a cidade”, conta um petista que esteve nos encontros regionais.

Mesmo com tudo isso, Gomide não admite a possibilidade de ser candidato. “Meu foco na administração de Anápolis tem me dado a condição de ser bem avaliado em pesquisa, mas nunca coloquei meu nome e não sou candidato hoje a 2014. Sou sim candidato a fazer um bom trabalho com prefeito em 2013 aqui em Anápolis. O reflexo da gestão e do trabalho é que tem dado a condição das pessoas lembrarem do meu nome”, afirmou Gomide na sexta, 19, em entrevista à Rádio CBN.

Problemas

Gomide, porém, também terá de superar desgastes para se tornar, de fato, um consenso dentro do PT. Um deles, por exemplo, está até relacionado ao irmão, o deputado Rubens Otoni, que, na avaliação de muitos petistas, desenvolve um trabalho próprio, paralelo ao do restante do partido. O seminário “Goiás de todos nós”, gerido pelo parlamentar, é citado como exemplo disso.

No caso de Gomide, porém, a avaliação é a de o anapolino não deve ter desgastes por isso. “Há uma desconfiança com o Otoni, que tem um trabalho forte no interior, mas mais voltado para ele. O Gomide já é diferente. Ele recebe todos os petistas que vão até Anápolis, ajuda sempre que pode. Disso, o PT não pode reclamar dele”, argumenta uma liderança do PT.

Além disso, na quinta, 18, uma atitude de Gomide pode gerar reclamações. Na inauguração de uma creche em Anápolis, o prefeito recebeu o governador Marconi Perillo e, em seu discurso, teceu elogios ao tucano. “Muito obrigado governador e parabéns pelo brilhante trabalho no nosso município e em todo Estado de Goiás”, disse o petista, que, depois do evento, esteve junto com o chefe do Executivo estadual na abertura do Governo Junto de Você no município.

Rubens Otoni, porém, faz questão de minimizar o episódio dos elogios ao governador. “Você não estava lá, você não pode falar de algo que não viu, senão pode comer mosca. Não teve isso, e depois ele [Gomide] ainda deu declarações dizendo que o tempo do PSDB acabou”, diz o parlamentar, afirmando que o encontro em Anápolis faz parte da relação entre políticos.

“É relacionamento normal de um governante com outro governante. Sempre vai haver, o prefeito tem a responsabilidade de se relacionar de maneira formal e educada com outros”, argumenta Otoni.
Se conseguir se viabilizar dentro do PT, Gomide também poderia sofrer com dificuldades em relação ao PMDB, por exemplo, já que os peemedebistas são reticentes em relação ao petista e seu irmão. Uma das críticas é que, em 2010, a baixa votação de Iris Rezende em Anápolis na eleição estadual é creditada aos petistas, que não teriam se empenhado em pedir votos ao ex-prefeito de Goiânia.
Nesse sentido, Gomide poderia, por exemplo, ter tido um gesto de aproximação com o PMDB e ter oferecido a vice na chapa para a prefeitura de 2012. Em outras oportunidades, os peemedebistas fizeram essa opção. Em 2008, Iris buscou Paulo Garcia e, no ano passado, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), levou o ex-deputado estadual Ozair José do PP para o PT como forma de fortalecer a aliança. Em Anápolis, porém, Gomide preferiu manter como vice o petista João Gomes, que também tinha ocupado o cargo no primeiro mandato.

‘Escondido’, Paulo confia em Iris

A preferência do PT por Antônio Gomide não impede que Paulo Garcia ainda mantenha o sonho de ser candidato ao governo em 2014. A aposta do chefe do Executivo goianiense ainda é a proximidade dele com o ex-prefeito da capital Iris Rezende (PMDB), que poderia interceder a seu favor em um cenário de indefinição na oposição.

A avaliação de conselheiros do prefeito é que o cenário de indefinição no grupo contrário ao governador Marconi Perillo pode ser favorável ao petista. Por isso, a estratégia é manter Paulo o mais longe possível dos rumores sobre uma candidatura em 2014, deixando livre o cenário para disputas entre outros pré-candidatos, como o próprio Iris Rezende, o empresário Júnior do Friboi e Antônio Gomide.

Com a indefinição permanecendo, o prefeito surgiria como uma espécie de “nome natural” do grupo e, justamente nesse momento, a proximidade com Iris Rezende seria determinante, já que o peemedebista, que tem grande influência dentro do bloco oposicionista, seria um “avalista” da candidatura de Paulo. Em 2012, por exemplo, isso já aconteceu, quando Iris enfrentou o próprio PMDB para defender o petista como postulante à prefeitura de Goiânia.

A boa relação com Iris é, de fato, um trunfo, especialmente se comparada à afinidade do peemedebista com os irmãos Rubens Otoni e Antônio Go¬mide. O problema é que, antes de tudo isso, Paulo terá de contornar as dificuldades vividas nos primeiros meses na prefeitura de Goiânia. Apesar do petista e seus aliados fazerem força para defender a gestão, os desgastes começam a afetar a popularidade do chefe do Executivo goianiense.

Desgastes

Atualmente, o túnel da Avenida Araguaia e o Com¬plexo Viário Mauro Borges (os viadutos sobre a Marginal Botafogo) são as duas principais obras da prefeitura em andamento. Ambas devem ser entregues até o fim do ano, mas, mesmo assim, Paulo Garcia sofre com desgastes em outras áreas.

O Parque Macambira-Anicuns, por exemplo, chegou a ser considerado um carro-chefe da administração do petista, mas, atualmente, o projeto está parado. Na semana passada, finalmente a prefeitura conseguiu cancelar o contrato com a empresa que havia vencido a licitação e, posteriormente, desistido das obras.

Além disso, os problemas no transporte coletivo também arranharam a credibilidade de Paulo, que chegou a defender o aumento na tarifa de ônibus, mas depois recuou, articulando a elaboração de um projeto de passe livre estudantil e o cancelamento do aumento da tarifa.

Por fim, até mesmo o fato de deixar a prefeitura para ser candidato ao governo deve trazer desgastes para Paulo Garcia. Reeleito em 2012, ele teria de deixar o cargo com apenas um ano e três meses de mandato, já que teria de se desincompatibilizar seis meses antes da eleição.

A situação de Gomide, por exemplo, é diferente, já que o anapolino já cumpriu o primeiro mandato como prefeito. Paulo, por sua vez, está na segunda gestão, mas assumiu o cargo em 2010, quando o então prefeito Iris Rezende deixou o cargo para ser candidato ao governo. Com muitos compromissos firmados durante a campanha eleitoral, portanto, Paulo, apesar de acreditar na chance, poderia sofrer rejeição ao deixar o cargo, já que a população que o elegeu em 2012 poderia se sentir-se abandonada (D.G.)

 


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