24 de junho de 2024
Lênia Soares

Goiás, uma fonte de manchetes para o Brasil

 Desde o Césio 137 nunca estivemos tão presentes na mídia nacional. De setembro de 1987, data do acidente radioativo, até o início deste ano, não produzimos a metade das manchetes das quais fomos destaques nesses últimos meses. Desta vez com um número menor de casos fatais, mas em situações não menos trágicas e vergonhosas para o Estado e para os goianos. Goiás continua contaminado. Agora com corrupção, jogatina, chacinas e outras tragédias.

Antecipando a retrospectiva global de fim de ano, podemos visualizar o rosto de diversos conterrâneos que marcarão presença nas telinhas brasileiras. Goiás não é mais a terra menina Leide das Neves, mas de Carlos Cachoeira, Juquinha da Valec, Delúbio Soares, do Pedro Leonardo, ou melhor, do acidente de Pedro Leonardo e da chacina de Doverlândia. O coração do Brasil está enfartado de flagelos.

Na contramão, o governo de Goiás investe em publicidade e propaganda sem poupar gastos. São, no mínimo, dois informativos publicitários sobre a gestão tucana intercalando os blocos do Jornal Nacional que anunciam todos os dias um fato novo sobre o Estado. Marconi Perillo (PSDB) agora não luta mais contra a mídia goiana. Ele tenta desconstruir o discurso do Wiliam Bonner e da Patrícia Poeta. Convenhamos, somos um povo audacioso para uma luta tão grande.

Nem tudo, porém, são espinhos no Centro-Oeste. No fim das contas, não são somente tragédias. Mas, elas dão mais ibope. Além, claro, de algumas vantagens que oferecem. Para alguns membros do próprio governo estadual, quanto mais assassinatos evidenciados nacionalmente, melhor. Dos fogos, os que vêm de dentro são nefastos. Para alcançarem objetivos internos, vale até o desgaste da administração que compõem. O secretário já está advertido. O mesmo grupo que recebe para afagar, também sabe apedrejar. E como sabe.

Pode até ser que o bem seja maior, mas ele é tímido. Diante do escândalo Cachoeira, o crescimento do PIB goiano não tem valor. A competência dos médicos de Itumbiara, que prestaram os primeiros atendimentos ao cantor Pedro Leonardo, é menor que o acidente. Patrulhamento nenhum, realizado pela polícia no Estado, substituirá o massacre de Doverlândia e a queda do helicóptero que vitimou cinco grandes autoridades goianas que investigavam o caso, além do principal suspeito do crime. Assim funciona a indústria de notícias neste país. Simples, assim.

Agora, deixando a velha teoria cartesiana de bem ou mal de lado, há flores neste cerrado. Estão escondidas entre pedras que as sufocam. 20 milhões, ou mais, em informes publicitários serão pouco para fazer florescer uma notícia boa. Marconi afirma a cada minuto que fará o melhor governo da vida dos goianos. Pode até ser, governador. Mas ele não será maior que toda cobertura feita pela mídia nacional no caso Cachoeira? Seu balanço positivo não estará no balanço da Globo. Afinal, Globo, Goiás e você, a gente se vê por aquí.

 


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