A taxa de homicídios em Goiás foi a sétima menor do Brasil em 2024, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (26) no Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Conforme o levantamento, o estado teve 1.354 homicídios em 2024, uma redução de 14,5% na comparação com 2023, quando foram 1.583 assassinatos. O estudo mostra ainda que, de 2017 até 2024, houve redução no número de homicídios no estado em todos os anos. Na comparação com o início da série histórica, em 2014, quando houve 2.887 assassinatos, a redução é de 53,1%, menor apenas que a do Distrito Federal, cuja queda foi de 63,5%.
Com a redução dos crimes violentos, a taxa de homicídios caiu para 18,4 a cada 100 mil habitantes. Goiás ganhou duas posições posição no ranking em relação ao ano passado – que utilizou dados de 2023 – ao ultrapassar Piauí e Paraná. O estado do Nordeste, que tinha 21,5 assassinatos por 100 mil habitantes no estudo do ano passado, caiu para 20,6 no mais recente, enquanto a taxa paranaense caiu de 18,9 para 18,6. A melhora goiana, contudo, foi melhor – queda de 15,6%, de 21,8 para 18,4.
As unidades federativas com taxas menores que a de Goiás são: São Paulo (6,6), Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8), Rio Grande do Sul (15,2) e Mato Grosso do Sul (18,3).

Em 2014, na primeira edição do Atlas da Violência, a taxa de homicídios em Goiás era de 44,2 por 100 mil habitantes, a quinta mais alta do país – atrás apenas de Alagoas (65,9), Ceará (52,9), Sergipe (50,7) e Rio Grande do Norte (48,6). Em 11 anos, a queda foi de 58,4%.
Em contrapartida, Goiás viu crescer o número dos chamados homicídios ocultos. Tratam-se de mortes violentas que, embora tenham grande probabilidade de serem homicídios, não entram nas estatísticas oficiais de assassinatos. Foram 65 casos destes em 2024, ante 29 no ano anterior, num avanço de 124%. O Atlas da Violência constatou ainda 233 mortes violentas por causa indeterminada em território goiano, alta de 19,5% na comparação com 2023.
Conforme mostrou o DG, em janeiro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública compilou dados, relativos a 2025, portanto diferente da amostragem do Atlas da Violência, que mostraram Goiás com a quinta menor taxa de homicídios do país, atrás de São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. A se confirmar a análise do governo federal, o estado passaria, na próxima edição do estudo do Ipea e do FBSP, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Feminicídios
O número de feminicídios ficou estável no período 2023-2024. Conforme o estudo, foram 122 em 2024 e 121 em 2023. No entanto, na comparação com 2014, quando foram registrados 290 casos, houve redução de 57,9%.
A taxa de homicídios contra mulheres em Goiás é de 3,3, o que dá ao estado a décima colocação no país, atrás de São Paulo (1,5), Distrito Federal (2,2), Santa Catarina (2,2), Sergipe (2,2), Minas Gerais (2,4), Amapá (2,5), Acre (2,8), Rio Grande do Norte (2,8) e Rio de Janeiro (2,9).
Na análise por etnia, percebe-se violência maior contra mulheres negras. Foram 91 feminicídios contra pretas ou pardas em Goiás em 2024, taxa de 3,8 por 100 mil habitantes, contra 29 de mulheres brancas, taxa de 2,2%
Número de homicídios contra negros é quase 4 vezes maior
O número de homicídios contra negros em Goiás é 3,8 vezes maior que o de não negros, conforme o Atlas da Violência. Em 2024, houve 1.059 assassinatos de pessoas negras, enquanto de não negros foram 279.
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