19 de julho de 2026
Segurança pública

Goiás lança Sentinela Violeta e aposta em inteligência artificial para antecipar casos de violência contra a mulher

Ferramenta usa análise de dados e inteligência artificial para mapear perfil de agressores, identificar áreas de risco e orientar políticas públicas de prevenção no Estado
O chefe da Divisão de Comunicações da Polícia Civil de Goiás, Elder Windson Taveira Gonçalves, apresentou a ferramenta Sentinela Violeta. Foto: Altair Tavares.
O chefe da Divisão de Comunicações da Polícia Civil de Goiás, Elder Windson Taveira Gonçalves, apresentou a ferramenta Sentinela Violeta. Foto: Altair Tavares.

Durante o lançamento das novas ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Goiás, realizado nesta quinta-feira (5), no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia, a Polícia Civil apresentou a Sentinela Violeta, ferramenta tecnológica que utiliza inteligência artificial e análise de dados para antecipar riscos de violência doméstica e orientar ações preventivas das forças de segurança e de outras áreas do governo.

A solução integra o conjunto de medidas anunciadas pelo Governo de Goiás para fortalecer a rede de proteção às mulheres e busca transformar informações registradas em ocorrências policiais em inteligência estratégica para tomada de decisão.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Ganga, o avanço tecnológico ocorre paralelamente ao fortalecimento estrutural das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams), que passaram por um processo de valorização institucional. “Por muito tempo, as Deams eram vistas como um local de castigo dentro da polícia. Hoje conseguimos mudar essa realidade, com aumento de efetivo, valorização salarial e fortalecimento da atuação dessas unidades”, afirmou.

De acordo com o delegado, o governo ampliou em cerca de 40% o efetivo das 28 Deams do estado, além de garantir melhorias na estrutura e incentivos para os policiais que atuam na área. “Somente em 2025, mais de 15,5 mil pessoas tiveram autoria definida em investigações conduzidas pelas delegacias da mulher em Goiás. É um número que cresce a cada ano e demonstra a importância do trabalho especializado”, destacou.

Inteligência para prevenir crimes

A Sentinela Violeta foi desenvolvida pela área de tecnologia da Polícia Civil e funciona como um sistema avançado de monitoramento e análise preditiva da violência doméstica.

O chefe da Divisão de Comunicações da Polícia Civil, Elder Windson Taveira Gonçalves, explicou que a ferramenta vai além da simples contabilização de ocorrências. O sistema cruza dados e identifica padrões que podem indicar risco elevado de violência.

“A Sentinela Violeta é um sistema de inteligência artificial que analisa dados preditivos. Conseguimos identificar onde a violência acontece, quais bairros têm maior incidência, quais faixas etárias estão mais expostas e até o perfil do agressor”, explicou.

Segundo ele, a tecnologia permite mapear não apenas o perfil das vítimas, mas também o comportamento de autores de violência, inclusive identificando possíveis reincidências. “Estamos trazendo uma inovação importante: analisar o perfil do agressor. Com isso, conseguimos prever a reiteração do crime, seja contra a mesma vítima ou contra outras mulheres”, afirmou.

Tecnologia para orientar políticas públicas

Outro diferencial da plataforma é a possibilidade de integração com diferentes áreas do governo, permitindo que dados da segurança pública orientem políticas sociais e ações preventivas em regiões mais vulneráveis.

“A ferramenta mostra exatamente onde a violência está acontecendo e permite que o Estado leve políticas públicas para esses locais. Isso pode envolver desde ações sociais até projetos educacionais ou infraestrutura urbana”, explicou Elder.

O sistema também conta com múltiplos canais de atendimento para vítimas, integrados ao 197 da Polícia Civil, que passa a funcionar como número unificado de contato. A inteligência artificial realiza uma triagem inicial das ocorrências e classifica o nível de risco em tempo real.

Para o delegado, o objetivo é tornar a atuação do Estado cada vez mais preventiva. “Quando os dados se transformam em inteligência, a segurança pública deixa de apenas reagir aos crimes e passa a antecipá-los”, concluiu.


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