O Governo de Goiás lançou, nesta segunda-feira (26), o projeto IA Contra o Crime, uma plataforma tecnológica baseada em inteligência artificial que marca um novo patamar na política de segurança pública do Estado. O sistema foi apresentado em evento no Palácio da Música, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia, com a presença do governador Ronaldo Caiado, do vice-governador Daniel Vilela, além de autoridades do Judiciário, do Ministério Público, das forças de segurança e do setor de inovação.
Ao discursar, o vice-governador Daniel Vilela destacou que o lançamento do IA Contra o Crime consolida Goiás como referência nacional e internacional no uso da tecnologia aplicada à segurança. “Estamos colocando Goiás na vanguarda da segurança pública no Brasil. Esse sistema não existe em nenhum outro estado e, possivelmente, em poucos lugares do mundo”, afirmou.
Segundo Daniel, a plataforma representa um salto qualitativo ao permitir que investigações avancem a partir de pequenos detalhes, como características de veículos ou comportamentos atípicos, sem depender exclusivamente de placas ou reconhecimento facial. “Com uma única informação, o sistema cruza dados, reconstrói rotas e entrega respostas em minutos. Isso muda completamente a lógica do enfrentamento ao crime”, explicou.
A nova ferramenta utiliza recursos avançados de análise de dados e integração entre bases públicas para acelerar investigações, ampliar a capacidade de resposta das polícias e tornar o combate ao crime mais preciso e eficiente.
Polo de inteligência artificial
Daniel Vilela fez questão de destacar o papel central do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) no desenvolvimento do projeto, classificando a instituição como um dos grandes ativos estratégicos do Estado. “Nada disso seria possível sem o Ceia. Hoje, Goiás abriga um dos maiores centros de inteligência artificial da América Latina, com mais de mil pesquisadores altamente qualificados”, ressaltou.
Segundo o vice-governador, o Ceia deixou de ser apenas um polo acadêmico para se tornar um instrumento concreto de transformação da gestão pública, com aplicações diretas na segurança, na saúde e em outras áreas estratégicas. “O que estamos fazendo aqui é transformar conhecimento científico em política pública efetiva”, afirmou.
Daniel Vilela também destacou que os avanços alcançados por Goiás na segurança pública só foram possíveis graças à integração entre os Poderes. “Se não tivéssemos tido o respaldo do Judiciário, do Ministério Público e das demais instituições, essa política exitosa não teria se consolidado”, disse. Ele ressaltou que a tecnologia amplia a capacidade de atuação das forças policiais, mas sempre dentro dos limites legais e constitucionais.
Caiado destaca liderança e reconhecimento nacional
O governador Ronaldo Caiado reforçou que o uso da inteligência artificial é parte de um processo mais amplo de modernização da segurança pública em Goiás, que já apresenta resultados reconhecidos nacionalmente. “Hoje, nossas forças de segurança são respeitadas e reconhecidas. Goiás foi avaliado oito vezes como o estado mais bem avaliado do Brasil em segurança pública”, afirmou.
Caiado destacou que os desafios enfrentados por Goiás são semelhantes aos de outros estados, mas que a diferença está na forma de governar. “As leis são as mesmas para todos. O que muda é liderança, investimento e coragem para inovar”, pontuou.
O gestor muncipal também ressaltou a presença de representantes do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e de órgãos de controle como um gesto simbólico da união institucional em torno da política de segurança. “Esse é um gesto que mostra o respeito, o carinho e o reconhecimento a cada um dos homens e mulheres que transformaram a vida dos goianos”, disse.
Tecnologia a serviço da população
De acordo com o governo estadual, o IA Contra o Crime permite a análise em tempo real de dados integrados, identificando padrões criminosos e auxiliando na tomada de decisões estratégicas pelas forças de segurança.
A plataforma será implantada inicialmente na Região Metropolitana de Goiânia, com expansão para cidades turísticas, regiões de fronteira e polos do agronegócio. A expectativa é que o sistema esteja plenamente operacional em grandes eventos e em áreas de maior fluxo populacional.
O presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargador Leandro Crispim, classificou o projeto como um marco para o estado e ressaltou que Goiás passa a ocupar posição de vanguarda no uso da inteligência artificial no setor público. Segundo ele, a tecnologia amplia a capacidade analítica das forças policiais, mas deve ser utilizada com responsabilidade. “A inovação precisa caminhar em harmonia com as garantias fundamentais. A tecnologia deve ser instrumento de justiça e proteção”, pontuou.
Resultados concretos e transformação da realidade, diz Ministério Público
O procurador-geral de Justiça, Ciro Terra, destacou a transformação vivida por Goiás nos últimos anos e apresentou dados que, segundo ele, seriam considerados impossíveis no passado. “Se me dissessem, em 2017, que seria possível reduzir em 90% os roubos e em 62% os homicídios, eu diria que era impossível. Mas os senhores fizeram o impossível”, afirmou.
Ciro Terra lembrou que, há poucos anos, Goiânia registrava índices de homicídios superiores aos de grandes capitais brasileiras. “Hoje, essa realidade se transformou completamente. Isso não é discurso, é realidade, e eu testemunho isso todos os dias como operador do direito”, reforçou.
O procurador destacou ainda o apoio do Ministério Público à política de segurança, inclusive com mais de R$ 25 milhões destinados às forças de segurança por meio de acordos e ações conjuntas.
Referencia nacional
Durante o evento, o diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Rodney da Silva, afirmou que Goiás é hoje uma referência nacional em segurança pública, mesmo enfrentando desafios estruturais maiores do que outros estados.
“Existem dois estados que eu posso citar como referência em segurança pública: Goiás e Santa Catarina. Mas Goiás tem uma realidade muito mais complexa. É um estado central, rota de passagem, e que será ainda mais impactado com a bioceânica”, afirmou.
Segundo ele, o diferencial goiano está na combinação entre inteligência, investimento, qualificação profissional e inovação tecnológica. “Mais do que investimento em tecnologia, o que faz a diferença é liderança. Não existe segurança pública sem líder. E Goiás tem isso”, disse, ao parabenizar Caiado e Daniel Vilela.
Como funciona a ferramenta “IA Contra o Crime”
Entrada de informações
A plataforma recebe dados de diferentes fontes, como:
- câmeras de monitoramento
- registros de ocorrências policiais
- bases de dados públicas e institucionais
- informações coletadas em tempo real pelas forças de segurança
Esses dados alimentam o sistema continuamente.
Análise por inteligência artificial
A inteligência artificial cruza milhões de informações em poucos segundos e consegue:
- identificar padrões suspeitos
- relacionar pessoas, veículos e locais
- detectar comportamentos fora do padrão
- analisar pequenos detalhes que passariam despercebidos em análises manuais
Identificação rápida de suspeitos
Mesmo com informações incompletas, o sistema consegue:
- localizar veículos suspeitos por características (cor, modelo, rota)
- apontar possíveis envolvidos em crimes
- reconstruir trajetos e conexões
Isso reduz drasticamente o tempo de investigação.
Apoio à tomada de decisão
Com os dados organizados e analisados, a ferramenta:
- gera alertas em tempo real
- orienta ações de policiamento
- apoia investigações em andamento
- ajuda a definir estratégias de segurança em regiões críticas
Resposta mais rápida das forças de segurança
A integração entre tecnologia e forças policiais permite:
- atendimento mais ágil às ocorrências
- aumento da taxa de elucidação de crimes
- uso mais eficiente do efetivo policial
- ações preventivas, antes que crimes aconteçam
Tecnologia desenvolvida em Goiás
O sistema foi desenvolvido com participação do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia), reunindo:
- pesquisadores
- cientistas de dados
- especialistas em segurança pública
O objetivo é transformar conhecimento científico em política pública efetiva.
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