O Governo de Goiás anunciou a criação de um Gabinete de Ações Integradas (GAI) para coordenar, em caráter operacional e permanente, as ações de prevenção, monitoramento e combate a incêndios florestais durante o período de estiagem. A estrutura reunirá órgãos estaduais, municipais e federais e terá funcionamento 24 horas por dia, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta diante de focos de incêndio e diminuir os impactos ambientais provocados pelas queimadas.
A medida foi apresentada diante da previsão de um período de seca mais intenso e prolongado no Estado. Segundo o governador, Leandro Vilela, a criação do gabinete busca antecipar decisões e integrar as equipes antes que ocorrências de grandes proporções se instalem:
Quando você planeja, quando você age de forma antecipada, você também economiza, você consegue fazer com que essas ações, ao serem proativas, elas minimizem também do ponto de vista financeiro.
De acordo com Vilela, o Estado pretende mobilizar recursos adicionais caso sejam necessários para enfrentar o cenário climático. A proposta é concentrar informações e capacidade operacional para que as respostas sejam mais rápidas, principalmente durante os períodos considerados críticos. “Aquilo que for necessário para que a gente possa diminuir o impacto dessa situação no Estado será feito. Nós vamos nos desdobrar, se for necessário, para poder ter os recursos e garantir com que a gente possa sofrer o mínimo possível”, declarou.
Gabinete terá atuação operacional
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás e coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Washington Luiz Vaz Júnior, explicou que a principal diferença do novo gabinete será a integração das instituições e a redução da burocracia em situações de emergência.
Segundo ele, a estrutura terá participação de diferentes órgãos e permitirá que as decisões sejam tomadas de maneira conjunta, com informações compartilhadas entre as forças envolvidas:
“A criação do gabinete integra as ações, fortalece uma resposta rápida e corta um pouco da burocracia”.
Entre as instituições mobilizadas estão o Corpo de Bombeiros Militar, as polícias Militar e Civil, a Polícia Científica, a Defesa Civil e órgãos ambientais. Representantes de instituições federais, como o Ibama, também poderão participar das ações. A proposta prevê ainda articulação com os municípios. Prefeitos e gestores municipais deverão ser incorporados às estratégias conforme a necessidade de cada região, especialmente em áreas com maior risco de queimadas.
Monitoramento por satélite e inteligência artificial
Uma das principais estratégias do gabinete será ampliar o uso de tecnologia para identificar focos de incêndio ainda no início. O Estado pretende utilizar dados de satélites associados a sistemas de inteligência artificial para localizar rapidamente possíveis queimadas.
A tecnologia deverá fornecer informações como latitude e longitude do foco, permitindo que o alerta seja encaminhado diretamente às equipes que atuam na região. “Isso vai aumentar a capacidade nossa de atuar frente aos incêndios. Incêndios não começam em grandes, eles começam em pequenos. Quanto mais a gente chegar perto dele, mais rápido a gente consegue atuar de forma mais precisa”, explicou o coronel Washington.
A Defesa Civil também contará com uma sala de situação com monitoramento permanente. A estrutura será responsável por reunir as informações sobre os focos identificados, áreas atingidas, operações de combate e regiões preservadas.
O sistema deverá utilizar ainda drones equipados com câmeras térmicas para acompanhar incêndios e auxiliar na identificação da extensão das áreas queimadas e preservadas.
Outra frente prevista é o envio de alertas diretamente aos celulares da população. A ferramenta de comunicação em massa poderá ser utilizada para informar sobre incêndios, baixa umidade e outros riscos associados às condições meteorológicas.
Mais de R$ 100 milhões investidos no Corpo de Bombeiros
Segundo o comandante-geral, o Estado investiu mais de R$ 100 milhões no Corpo de Bombeiros nos últimos 24 meses. Entre as medidas citadas está a descentralização da estrutura da corporação, com a criação de 22 novas bases em diferentes regiões de Goiás.
Na região Nordeste do Estado, foram instaladas seis novas bases móveis. A estratégia, segundo Washington, busca diminuir o tempo necessário para que as equipes cheguem aos locais onde os incêndios começam:
“Essas bases descentralizadas, esse investimento que foi feito nos últimos 24 meses, potencializou uma chegada num período muito crítico”.
O comandante também citou a atuação recente das equipes na região do Parque Estadual de Terra Ronca, onde um incêndio de grandes proporções mobilizou os bombeiros. Segundo ele, a operação conseguiu preservar cerca de 80% da área atingida pelo risco de propagação das chamas.
Brigadistas comunitários
Outra estratégia de prevenção é o programa de brigadistas comunitários, desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente e pelo Corpo de Bombeiros. A iniciativa prevê a atuação de moradores treinados em regiões consideradas mais vulneráveis.
Leandro Vilela citou o programa como exemplo de ação preventiva que pode reduzir a necessidade de mobilização de estruturas maiores em ocorrências que ainda estão em estágio inicial.
“É um exemplo de uma iniciativa em que se investe e de uma forma até relativamente barata e que previne o uso de recursos muito mais intensos se a gente não tivesse feito esse programa de forma antecipada”, afirmou.
A atuação desses brigadistas também deve contribuir para a identificação precoce de focos e para o apoio às equipes profissionais em determinadas localidades.
Estado reforça proibição do uso do fogo
O governo também reforçou que o período atual exige atenção especial da população. Segundo o Corpo de Bombeiros, um decreto assinado recentemente pelo governador Daniel Vilela proíbe a utilização do fogo durante o período considerado crítico de estiagem. O comandante destacou que queimar vegetação é crime e pediu a colaboração dos moradores para evitar práticas que possam provocar incêndios.
Vilela afirmou que mais de 95% das queimadas têm origem em ações humanas, o que torna a prevenção e a fiscalização fundamentais.
“Se todos os goianos tiverem a colaboração, se a gente puder ser vigilante também, de poder fazer um acompanhamento, é importante lembrar que nós temos hoje um monitoramento satelital”, afirmou.
O governador também disse que os sistemas de monitoramento poderão auxiliar na identificação de responsáveis por queimadas criminosas.
Queima de lixo também preocupa
Além das ações criminosas, o governo chama atenção para queimadas provocadas por práticas consideradas comuns em propriedades rurais e pequenas áreas de produção. Entre elas está a queima de lixo e de resíduos vegetais.
Segundo Vilela, alguns moradores ainda utilizam o fogo como forma de eliminar resíduos, mas uma pequena chama pode sair de controle e atingir áreas maiores de vegetação. “Às vezes as pessoas em pequenos sítios, em agricultura familiar, acabam fazendo ali, juntando lixo e achando que botar fogo é a solução adequada para aqueles resíduos. E aí, isso acaba se transformando numa grande queimada”, afirmou.
Por isso, a estratégia do governo também envolve campanhas de informação para orientar a população sobre os riscos e evitar que práticas desse tipo provoquem incêndios.
Defesa Civil trabalha com cenários de seca, calor e tempestades
A atuação do gabinete não ficará restrita aos incêndios. A Defesa Civil também trabalha com diferentes cenários relacionados às condições climáticas previstas para os próximos meses, incluindo períodos de baixa umidade, ondas de calor e tempestades.
Segundo as informações apresentadas durante a reunião, foram estabelecidos gatilhos para ativação de planos de contingência. Entre os critérios estão umidade relativa do ar abaixo de 20% por mais de duas semanas ou temperaturas superiores a 34°C pelo mesmo período.
A partir desses indicadores, poderão ser acionadas medidas específicas de resposta. A área da saúde também integra o planejamento. Entre as ações previstas estão o reforço de estoques de oxigênio, broncodilatadores, soro e outros insumos utilizados em períodos de maior ocorrência de problemas respiratórios e desidratação.
A meta apresentada é aumentar em 30% o estoque estratégico desses itens, além de preparar os serviços de saúde para possíveis impactos relacionados ao calor, à seca e à falta de água.
Municípios serão incorporados ao planejamento
Outra frente do plano é a comunicação direta com as prefeituras. A Defesa Civil informou que está preparando notas técnicas com cenários, recomendações e orientações para os gestores municipais, secretarias de Saúde e equipes de vigilância.
A intenção é estabelecer pontos focais nas regiões e municípios para facilitar a comunicação durante situações de emergência. Para Vilela, a participação dos municípios é essencial para que as respostas sejam coordenadas em todo o território goiano:
“O gabinete, ele já, como o próprio nome diz, é de integração. Todos aqueles que precisam estar atentos e participando das ações operacionais estarão junto conosco e serão chamados a colaborar”.
O governo também decidiu manter o estado de emergência relacionado ao período de estiagem, segundo Vilela. A medida, de acordo com ele, serve como alerta para a população e para os órgãos públicos diante da possibilidade de agravamento das condições climáticas.
A estratégia apresentada pelo Estado combina, portanto, prevenção, monitoramento tecnológico, descentralização dos bombeiros, brigadas comunitárias, fiscalização, comunicação com a população e integração entre órgãos públicos. A aposta é identificar os incêndios ainda nos primeiros momentos e impedir que pequenos focos evoluam para ocorrências de grandes proporções.
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