27 de fevereiro de 2024
Atenção básica • atualizado em 22/11/2023 às 14:00

“Goiânia é um exemplo para o Brasil”, avalia Wilson Pollara sobre a saúde pública da cidade

Em sua gestão o secretário estima um investimento de 60 milhões para a criação de 13 novas unidades básicas de saúde.
Em entrevista, o secretário reconhece que mesmo oferecendo um serviço de qualidade, é preciso ajustes. (Foto: Diário de Goiás).
Em entrevista, o secretário reconhece que mesmo oferecendo um serviço de qualidade, é preciso ajustes. (Foto: Diário de Goiás).

Finalizando o seu segundo mês como secretário municipal de Saúde de Goiânia, Wilson Pollara faz uma análise sobre a saúde pública do município. Com vasta experiência, ele garante que Goiânia é exemplo para o país em diversos aspectos, porém reconhece que é preciso pontuais ajustes. Entre as propostas de melhorias está o investimento de 60 milhões para 13 novas unidades básicas de saúde, previstas para serem entregues ainda nesta gestão.

“A saúde de Goiânia poderia ser um exemplo para o Brasil, porque aqui nós temos uma boa infraestrutura em termos de hospitais, de médicos, de aparelhagem, nós temos um bom recurso financeiro. A única coisa que tem que fazer são pequenos ajustes”, afirma o secretário em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás.

Um outro ajuste destacado por Pollara é retomar a segurança da população nos serviços prestados nas unidades básicas de saúde, popularmente conhecidas como postinhos de saúde. Para isso ele propõe o investimento em serviços básicos e essenciais. “O que nós precisamos aqui em Goiânia é dar um passo atrás. Recuperar a atenção básica, que é uma atenção preventiva. Com ela nós evitamos uma série de doenças”, explicou.

O secretário reforça que possivelmente devido a pandemia de COVID-19 o estado e o município investiram sobre os casos de alta complexidade, e agora é o momento de investir na atenção básica. Além do investimento financeiro, Pollara busca propagar a importância da medicina de Saúde da Família, proposta junto com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1990.

O médico da família é aquele que atende pessoas de todas as idades e sexos, prestando assistência integral e contínua nas comunidades. Isso quer dizer que o atendimento não ocorre apenas na intercorrência de um problema de saúde, mas também de maneira preventiva. Segundo Pollara, esse perfil de atendimento facilita o acesso da população aos serviços de saúde.

Mais postos de saúde

O secretário esteve visitando cada uma das unidades de postos de saúde de Goiânia. Após as visitas, foi possível conferir de perto a necessidade de cada uma, e traçar metas de investimentos. “Passei os fins de semana visitando todas as unidades. Então nós já estamos com o diagnóstico e vamos construir 13 unidades novas de um padrão muito bom. Com 54 unidades no total, cerca de 20 delas são casas antigas, pequenas, alugadas e sem condições”, analisou.

“Nós não vamos reformar as casinhas, nós vamos construir novas, no padrão de São Carlos, São Francisco e Alto do Vale. É aquele padrão que nós vamos dar às unidades”, garantiu Pollara em conversa com o editor-chefe do Diário de Goiás, Altair Tavares. Segundo o líder da pasta, esse investimento iria ‘desafogar’ o fluxo de pacientes nos grandes hospitais permitindo um procedimento mais assertivo.

“O postinho fazendo a atividade que foi proposta pelo SUS eu me dou por satisfeito. Nós resolveríamos tudo. Isso porque hoje em uma UPA, que é uma emergência, 80% dos casos não teriam que estar lá. Então a cada 100 doentes eu tenho apenas 20 que precisam de fato do serviço emergencial. Se eu conseguir prevenir para que um hipertenso ou diabético não interne, eu vou liberar leitos para outras demandas. Então não precisa construir mais hospitais”.

Sendo assim, o secretário também entende que é imprescindível garantir à população informação e orientação sobre onde recorrer para um atendimento eficaz. “Visite o seu médico de Saúde da Família. Saiba qual é a sua Unidade Básica de Saúde e qual é a sua Unidade de Pronto Atendimento. Saiba também qual é o seu hospital de baixa, média e de alta complexidade. Iremos estabelecer e informar toda essa rede”, orienta Pollara.

Hierarquia da saúde

Segundo o secretário, as ações de saúde devem ser executadas através de redes regionalizadas, de limites e hierarquizadas, conforme o artigo 198 da Constituição Federal. Ou seja, do mais simples até o mais complexo constituindo um sistema único.

Ele explica que é preciso também sanar o impasse do sistema de ‘portas abertas’, no qual hoje em Goiânia é amplamente realizado. “É impossível você abrir uma porta de um hospital e dizer: ‘Olha pode entrar quem quiser, do Brasil inteiro’, como é aqui em Goiânia”, disse após afirmar que realizou um gráfico que aponta que Goiânia atende não só os municípios vizinhos, como até mesmo outros Estados.

Esse caso também seria um dos detalhes que Pollara quer trabalhar em sua gestão. “Tem que haver uma programação. Quando eu faço um hospital, eu tenho que saber qual é a população que eu vou atender. Agora, se eu abro um hospital para atender uma população de 1 milhão de pessoas, e eu passo a atender 10 milhões de pessoas, não dá certo. É quase um colapso”, finaliza.

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Elysia Cardoso

Jornalista formada pela Uni Araguaia em 2019