12 de julho de 2026
Política Pública

Goiânia aposta em rede unificada para enfrentar violência contra mulheres e reduzir feminicídios

Prefeitura estrutura sistema unificado de atendimento, com protocolos e atuação conjunta entre órgãos públicos e sociedade civil
Prefeitura de Goiânia lança rede integrada de proteção para mulheres, com atendimento unificado, protocolos específicos e atuação conjunta. Foto: Reprodução/Diário de Goiás.
Prefeitura de Goiânia lança rede integrada de proteção para mulheres, com atendimento unificado, protocolos específicos e atuação conjunta. Foto: Reprodução/Diário de Goiás.

Goiânia deu um passo decisivo para se tornar referência nacional na proteção de mulheres em situação de violência. A Prefeitura lançou um modelo integrado de atendimento que reúne diferentes órgãos e serviços em uma única rede estruturada, com protocolos definidos e atuação coordenada. A iniciativa tem como foco inicial o enfrentamento à violência contra a mulher, mas deve se expandir para outros grupos vulneráveis.

Durante o lançamento, o prefeito Sandro Mabel destacou que o principal avanço está na integração de serviços que antes funcionavam de forma isolada. Segundo ele, a proposta é garantir acolhimento imediato e soluções efetivas para cada caso. “Já existiam várias ações, mas não eram sincronizadas. Agora estamos juntando tudo. Quando aparecer uma vítima, nós vamos acolher, entender o problema e dar o encaminhamento correto”, afirmou.

Integração para salvar vidas

A criação da rede surge em um contexto considerado alarmante. Dados apresentados durante o evento apontam que, apenas em 2026, quase mil mulheres foram vítimas de violência na capital, sendo que metade das mortes ocorreu em até 32 dias após a notificação, e 25% em até três dias.

Para Mabel, esse cenário evidencia a urgência de uma resposta rápida e articulada. “O que muitas vezes impede a denúncia é a falta de acolhimento. A mulher tem medo porque não sabe se terá proteção. Agora ela vai ter uma rede que garante segurança, apoio e encaminhamento”, destacou.

A proposta prevê que qualquer porta de entrada, como unidades de saúde, assistência social ou escolas possa acionar automaticamente toda a estrutura de proteção.

Protocolos e atendimento personalizado

O modelo funciona com protocolos específicos para cada tipo de situação. A partir do primeiro atendimento, a vítima será direcionada conforme sua necessidade: atendimento médico, apoio psicológico, medidas protetivas, abrigo, auxílio financeiro ou até ações de segurança.

“Se ela precisa de atendimento de saúde, nós vamos garantir. Se precisa de advogado, terá. Se precisa sair de casa, vamos oferecer aluguel social. Não é só tratar o ferimento, é resolver o problema como um todo”, explicou o prefeito.

A rede também prevê ações mais rigorosas contra agressores, como solicitação de prisão, uso de tornozeleira eletrônica e botão do pânico para vítimas.

Atuação conjunta e multidisciplinar

A iniciativa reúne uma ampla rede de parceiros, incluindo Ministério Público, Judiciário, forças de segurança, assistência social, saúde, educação e entidades da sociedade civil.

A secretária responsável pela articulação da rede destacou que a construção dos protocolos está sendo feita de forma coletiva, garantindo que cada órgão contribua com sua expertise.

Já representantes do Ministério Público e do Judiciário reforçaram que a falta de integração sempre foi um dos principais obstáculos no combate à violência doméstica.

Prevenção e alcance social

Além da resposta imediata, o projeto aposta na prevenção como estratégia central. A rede inclui ações de educação, capacitação profissional e apoio à autonomia financeira das mulheres, fatores considerados essenciais para romper o ciclo da violência.

“Não é só depois que acontece. É antes também. Tem mulher que vive em situação de risco constante. Nós vamos buscar essas pessoas e oferecer alternativas”, afirmou Mabel.

A participação da comunidade também será fundamental. Segundo o prefeito, denúncias poderão ser feitas com mais facilidade, inclusive por vizinhos e familiares. “Hoje muita gente não denuncia porque não sabe como ou acha que não vai dar em nada. Agora vai ter um caminho claro e uma resposta efetiva”, disse.

Goiânia como modelo para o país

A expectativa da gestão municipal é que o modelo transforme Goiânia em referência nacional na proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade. “Estamos construindo uma rede que não é só para reagir, mas para prevenir e proteger de verdade. A ideia é que Goiânia seja exemplo para o Brasil”, concluiu o prefeito.

A rede já começa a operar com estrutura em unidades como CRAS, serviços de saúde e patrulhas especializadas, com expansão gradual e aperfeiçoamento contínuo dos protocolos conforme os casos atendidos.


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