O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu em entrevista coletiva antes da abertura da Copa do Mundo de 2026, a relação da entidade com o governo dos Estados Unidos e com o presidente Donald Trump. Em meio a críticas sobre vistos, barreiras migratórias e decisões políticas que afetam participantes do torneio, o dirigente afirmou que a parceria com a Casa Branca é essencial para a realização da competição. “Eu tenho uma grande relação com o presidente Trump, fico feliz por isso. Conheci no primeiro mandato e estamos trabalhando juntos agora. Não seria possível organizar uma Copa do Mundo sem o envolvimento dele”, disse.
Infantino afirmou que Trump compreendeu a dimensão da Copa e colocou a estrutura do governo americano à disposição da Fifa. O presidente da entidade reconheceu que há dificuldades, mas tentou reduzir o peso das polêmicas. “Ele entendeu a magnitude, o impacto e colocou a administração para ajudar. Estamos falando sobre a maior potência do mundo, claro que às vezes há problemas, mas, colocando tudo na mesa, é uma relação positiva”, declarou.
Um dos temas mais delicados foi a presença do Irã na competição. A seleção iraniana enfrenta restrições e tensões políticas envolvendo os Estados Unidos, mas Gianni Infantino garantiu que o país participará da Copa. “Estou muito feliz de eles estarem aqui. As pessoas falavam que não ia ser possível. Eu disse no passado que se eu tivesse que trazê-los de carro de Teerã para cá, eu iria trazê-los”, afirmou. Em seguida, admitiu que o cenário é complexo. “Claro que há desafios e não é fácil. Nestas circunstâncias, que não podemos influenciar, o Irã vem e vai jogar.”
Ao ser questionado sobre a escolha dos Estados Unidos como um dos países-sede, Gianni Infantino negou arrependimento. “Não me arrependo de nada”, respondeu. O dirigente argumentou que a Fifa precisa lidar com as regras de cada país e que a entidade não tem poder para determinar decisões de governos. “Você acharia normal que Fifa ditasse aos britânicos quem deixar entrar ou não?”, questionou, ao responder a um jornalista da BBC.
A situação do árbitro Omar Artan, da Somália, também foi abordada. Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos e acabou fora da Copa. Infantino lamentou o episódio, mas voltou a dizer que a Fifa não tem controle sobre autoridades migratórias. “É uma pena o que aconteceu com Omar, o árbitro da Somália. Mas você não consegue controlar tudo. Nós tentamos conversar e resolver. Às vezes, começar a gritar tem um efeito contrário”, disse. “Nós sempre tentamos achar soluções, mas temos de respeitar que não somos os reis do mundo que podem mandar em governos e forças policiais. Somos uma organização esportiva.”
O presidente da Fifa também defendeu a política de segurança e afirmou que o contexto internacional exige cautela. “A realidade é que cada país tem regras. Não é fácil quando você tem 300 mil credenciados, a maioria de fora dos Estados Unidos. Infelizmente nosso mundo é agressivo e a segurança manda em tudo e você tem que respeitar as decisões. Estamos trabalhando nos bastidores e tentando achar soluções. Às vezes, dá certo. Às vezes, não”, afirmou. Sobre o Irã, completou: “Eu já acho um sucesso trazer o Irã para jogar na América, mas nós não vivemos na Lua, vivemos na Terra e temos de lidar com o que temos.”
Outro ponto de pressão foi o preço dos ingressos. Infantino rebateu críticas e disse que a Fifa colocou 130 mil entradas a US$ 60. “Quero parabenizar o prefeito de Nova York porque ele colocou à venda 1000 ingressos a 50 dólares. Bem, nós colocamos 130000 ingressos a 60 dólares. Possivelmente ele seja melhor que eu em comunicação”, ironizou. O dirigente afirmou ainda que o preço médio, de US$ 500, está abaixo de eventos esportivos americanos de grande porte e culpou o mercado paralelo pela alta nos valores. “Quem ganha com isso é o mercado paralelo, não a Fifa. Todos os dólares que geramos volta para o futebol”, disse.
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