28 de maio de 2024
Discussão política

Geraldo Alckmin cita fiel baleado dentro de igreja em Goiânia para ‘justificar’ aliança com Lula 

Apesar de uma das teses foi que a discussão teve origem política, Alckmin se enganou ao dizer que houve troca de tiros
(Foto: Reprodução/TVT)
(Foto: Reprodução/TVT)

O candidato a vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) usou as redes sociais, nesta sexta-feira (02/09) e citou alguns casos que remetem a violência política ocorridos ao longo das últimas semanas para justificar – mais uma vez – sua aliança com o candidato a presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário histórico enquanto filiado ao PSDB.  Entre os exemplos, fez referência a “troca de tiros por discussão política em Goiás”.

Apesar de uma das teses foi que a discussão teve origem política, Alckmin se enganou ao dizer que houve troca de tiros. De acordo com testemunhas, o PM e colaborador da Congregação Cristã no Brasil que frequentava o templo que fica no Setor Finsocial, em Goiânia entrou em discussão com outros fiéis atirando na perna do ‘irmão de fé’, Davi Augusto, de 40 anos, que passou por cirurgia e está internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

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“Cerco a carro de candidato, drone com veneno, bomba caseira, assassinato de militante político em aniversário, atentado na Argentina, troca de tiros dentro de igreja por discussão política em Goiás: e ainda me perguntam por qual razão me uni ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, pontuou.

De acordo com ele, a união entre os adversários históricos se deu para que haja retomada democrática. “Esse estado de coisas precisa e vai mudar. Precisamos recolocar a bola no campo da democracia e do respeito. Acima das diferenças, o Brasil e o povo brasileiro”, ponderou.

Agressões

As agressões que os irmãos receberam por parte do militar, se deram após a vítima conceder uma entrevista ao Diário de Goiás no último dia 24 de agosto. Em conversa com nossa equipe de reportagem, a vítima disse que o líder da igreja estava pressionando fiéis a votarem no presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na ocasião, Daniel relatou que sempre frequentou os corredores da igreja com muita tranquilidade e sem problemas com relacionamentos políticos. O próprio Estatuto da Religião define a mesma como uma organização “apolítica”.

Mas, segundo ele, a situação começou a mudar a partir do momento que a Circular começou a ser lida publicamente por pastores da igreja. Apesar de não fazer menção direta, Daniel afirmou que os líderes interpretam aos microfones e destacam partidos como o PT, que tem sustentado a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

PM publicou mensagem enigmática antes do disparo

Antes de disparar contra o assessor comercial, Davi Augusto de Souza, o cabo da PM e colaborador da Congregação Cristã do Brasil publicou uma mensagem enigmática nos stories do Whatsapp: “Ri agora e chora, amargamente, depois. A Justiça de Deus é implacável e não poupará nenhum daqueles que intentaram o mal contra o justo”, dizia a mensagem publicada às 18h52. O serviço deixa as mensagens no aplicativo de mensagens por 24 horas.

“A espada da Justiça vai passar e degolar as cabeças que arquitetaram esse plano maligno. Os humilhados serão exaltados. Força e honra sempre!!”, complementava a mensagem. Aproximadamente duas horas depois, na última quarta-feira (31/08) os disparos foram feitos dentro de uma unidade da religião no Setor Finsocial. O culto continuou normalmente como se nada tivesse acontecido.


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Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.