15 de abril de 2024
CAÇADA A CRIMINOSOS

Fugitivos do presídio de Mossoró invadiram casa, fizeram reféns e fugiram com celulares e comida

Dupla conferiu notícias sobre a fuga do presídio de segurança máxima, ocorrida dois dias antes; também conversou por WhatsApp com alguém no Rio de Janeiro na frente das vítimas
Identificação dos fugitivos já está na lista da Interpol; vítima reconheceu os dois - Foto: Reprodução
Identificação dos fugitivos já está na lista da Interpol; vítima reconheceu os dois - Foto: Reprodução

Na noite de sexta-feira (16), os dois fugitivos da Penitenciária Federal de Mossoró (RN) invadiram uma casa na zona rural e fizeram uma família refém, escapando depois com celulares e alimentos. Segundo relatos dos investigadores, os fugitivos ficaram cerca de 5 horas com a família, pediram para ver as notícias sobre a fuga e comeram antes de continuarem a fuga.

A casa invadida pelos foragidos fica na área rural da cidade, ao final de uma rua voltada para uma região de mata de onde teriam saído, não muito distante do presídio de onde escaparam. A aparição indica que eles estão por perto, o que deixou as buscas ainda mais intensas na região. Já são mais de 300 agentes envolvidos na caçada.

De acordo com as informações repassadas pela vítima às autoridades, os detentos Rogério Mendonça da Silva, 35, e Deibson Nascimento Cabral, 33, saíram do mato por volta de 19h30. Tanto eles deixaram claro que eram os foragidos, quanto o morador reconheceu a dupla.

Fugitivos do presídio estão sujos e fedendo, dizem vítimas

Os dois só deixaram o imóvel pouco antes de 1h da madrugada deste sábado (17). Relatório dos investigadores indica que os dois estavam de boné, um de calça azul claro com número (característica do presídio) e tênis azul com passador, um de camisa escura e o outro camisa clara.

“Estavam fedendo muito e com aparência suja”, contou uma das vítimas, segundo registro da CNN Brasil.

De acordo com o relatório, os fugitivos não pediram dinheiro. Os dois perguntaram por armas, o que não havia na residência. Eles também queriam e levaram comida e celulares. Ao deixarem as vítimas, saíram levando ovo cozido e outros alimentos em uma sacola plástica, além de dois aparelhos telefônicos e os carregadores.

Ainda segundo os investigadores, as vítimas contaram que os foragidos mandaram abrir as redes sociais e assistiram televisão para ver as notícias da fuga.

Além disso, a dupla fez várias ligações pelo WhatsApp para alguns números com DDD 21. “O interlocutor tinha sotaque e mencionou que estava no RJ”, ouviram os reféns.

Os fugitivos também perguntavam a todo momento a localização. Eles demonstravam desconhecimento do lugar onde estavam. Os reféns então informaram que a casa fica muito perto da Penitenciária Federal de Mossoró.

Perguntas sobre mar e Ceará

Rogério e Deibson também perguntaram como fariam para chegar ao Ceará. Além disso, quiseram saber se a casa ficava perto ou longe do litoral.

Indicando que estavam definindo como a fuga continuaria, os dois perguntaram sobre os pontos de bloqueio. A vítima informou a localização de um próximo de Mossoró. Provavelmente por isso, os dois, que estão desarmados, não levaram nem o carro, nem uma motocicleta que havia na residência.

Desde quinta os investigadores acreditam que a recaptura de está próxima. Na ocasião foram encontradas pegadas e roupas no meio da mata.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, disse acreditar que ambos estão em um raio de 15 km de distância da Penitenciária de Mossoró. A fuga da dupla foi a primeira desde que o Sistema Penitenciário Federal (SPF) foi implementado no Brasil, em 2006. Os nomes dos dois já estão na lista de procurados da Interpol.

Na sexta, o ministro decidiu estender até a próxima quarta-feira (21) a suspensão de banhos de sol e de visitas para detentos das cinco penitenciárias federais existentes no Brasil. Ele também anunciou outras medidas.


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Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.