O sindicalista e ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pré-candidato a deputado federal, fez um apelo nesta quarta-feira (27) para que o Diretório Estadual do partido defina logo o nome do pré-candidato ao governo do Estado pela legenda ou pela federação. Ele alfinetou a direção pela inconstância.
Demonstrando frustração e irritação com o processo, Delúbio lamentou a demora e o que chamou de “fofocas”, especulando uma suposta tentativa dele para “sabotar” o processo, ao apressar a escolha em torno da presidente do diretório, a deputada federal Delegada Adriana Accorsi para se beneficiar eleitoralmente.
Nesse ponto, Delúbio citou uma declaração de Accorsi ao jornal O Popular : “…dizendo que eu não tinha que interferir em nada na discussão estadual. Quem é do diretório estadual é ela, quem é presidente do PT é ela. Ela define o que ela quer fazer”.
Mesmo assim, ele manteve o tom de cobrança diante da situação limite de proximidade do primeiro turno. “O diretório do PT de Goiás precisa oferecer uma resolução de um candidato. O diretório já teve oportunidade, desde agosto do ano passado que já foi colocado pra tomar uma decisão e o diretório não toma posição. Então, aí o diretório do partido tem que ter uma posição firme (…) a posição que o diretório tomar será a minha posição”, afirmou em entrevista por telefone ao editor-geral do Diário de Goiás, jornalista Altair Tavares, durante viagem ao Entorno do Distrito Federal.
Nome de Rio Verde
O assunto do momento, o convite para o produtor rural de Rio Verde Flávio Faedo ser esse nome do PT, foi tema da entrevista também. “É uma boa sugestão, mas o diretório tem que sentar e falar: ‘É o candidato. Vai ser ele’, e vamos que vamos que vamos”. Mais abaixo ele volta ao assunto.
Também nesta nesta quarta, Faedo informou ao DG que está conversando com sindicalistas do agronegócio e outros produtores rurais a respeito e que vai tomar a decisão esta semana. Ele comentou rapidamente a declaração do deputado federal Rubens Otoni ao DG reclamando da falta de sinais de interesse de sua parte para essa disputa. “Ele tem razão. Também nunca tinha recebido um convite de tamanha responsabilidade, e as avaliações têm que ser feitas”, disse Faedo. Depois confirmou: “Tenho feito contatos com produtores, líderes do agro e entidades para avaliar apoio, e esta semana avaliar a possibilidade da candidatura”.
Tempo de tv
Para Delúbio, a indefinição chegou a um momento crítico. “Não tem essa posição [sobre o nome]. O diretório não reúne pra discutir essas questões. Não toma posição: vai ter alguém candidato a governador, pra fazer a campanha, puxar a campanha do grupo? Porque o PT e a nossa federação têm um tempo de televisão importante, nós somos o segundo tempo de televisão de Goiás. Então, se nós não temos um candidato, porque muita gente está trabalhando para que o PT não tenha candidato, o que é um erro, [e se] não tem candidato a governador, não tem candidato a senador, não tem candidato a vice e não tem aliado. Está ficando uma situação difícil”, desabafou.
Ele cita que “ativos” de outros partidos, lembrando o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e a vereadora Aava Santiago (PSB), foram sondados e não deram certo. “Pode ser de qualquer partido aliado, ou pode ser do próprio partido. Tem que ter uma definição. Fica empurrando, já arrumaram dez candidatos”, reclamou Delúbio Soares.
Ele fez um histórico da “indefinição” interna. “Primeiro vieram com a candidatura do Olavo [Noleto – hoje na ABDI] lá no começo. Depois sugeriram a candidatura da Angelita [ex-reitora da UFG] e depois do Valério Luiz [advogado]. Depois apresentaram a candidatura do meu amigo Curado [jornalista Cláudio Curado]. Depois apresentaram a candidatura do Jerônimo [ex-reitor da UFG, candidato a vice-prefeito em 2024]. Depois vieram do Diretório Nacional dizer que a candidatura era da Isaura [Lemos, ex-deputada estadual]. A Isaura sai do PC do B, vai pro PSB e não é candidata [ao governo]. O Luiz César [ex-deputado estadual] se colocou à disposição, que é uma pessoa muito ligada a mim, na minha pré-campanha. O Luiz César também não pode. (..) Agora apresentam o Flávio [Faedo]. O Flávio quer ser candidato? Se o Flávio quiser ser candidato, ele terá meu apoio, mas tem que querer”, apontou.
Fofocas
Questionado sobre boatos de que tem feito pressão para que Adriana desista de disputar a reeleição e se coloque na disputa pelo governo, o que poderia lhe render mais chances de eleição, Delúbio disse que tudo não passa de “fofoca”. Segundo ele, um “boato espalhado nas redações e jornais”, sem dizer a origem.
Ele sinalizou certa mágoa pelo assunto, dizendo que sempre apoiou e respeitou Adriana Accorsi em suas postulações. “Eu apoiei essa moça desde 2000. Eu que lancei ela deputada estadual, convenci a família dela que ela devia ser deputada estadual. Eu estava na cadeia [sentença do Mensalão, depois anulada], mas o Carlos Soares [ex-vereador e irmão, já falecido] foi quem garantiu (…). Insisti pra ela ser deputada federal, ela foi. Todas as pessoas próximas de mim trabalharam muito pra que ela virasse deputada federal. Depois, na campanha de prefeito, ela não queria ser candidata a prefeito, falamos pra ela ser”, lembrou.
O sindicalista insistiu que seu foco não é que Adriana seja o nome do partido para ampliar suas próprias chances de eleição, como cogitam os “fofoqueiros”. “Não tenho interesse nenhum que a Adriana seja candidata a governadora. Obviamente, ela é quem pontua melhor nas pesquisas. Ela tem que definir quem ela quer e ela é presidente do PT”, destacou.
Delúbio Soares ainda citou o peso da deputada como quadro eleitoral do PT em Goiás. “Ela é mulher. Ela é delegada. Ela tem uma área própria. Uma grande liderança pública. Teve 24% dos votos de Goiás. Todos temos que respeitar esses 24% da Adriana”, mas reiterou que isso não significa que esteja na expectativa de que ela não dispute a reeleição.
Ele ainda reforçou que está na política desde os 17 anos e que seu foco hoje é a reeleição do presidente Lula. “Eu nunca precisei ser deputado federal pra fazer política”.
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