O Fórum Empresarial de Anápolis entregou oficialmente à Câmara Municipal, nesta sexta-feira (27), o documento “Caminhos para Prosperar”. O relatório detalha eixos estratégicos — desdobrados em 15 frentes de atuação — fundamentais para a retomada do crescimento econômico da cidade. A reunião ocorreu na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e é uma reação após o município registrar queda em sua participação no PIB estadual e ser ultrapassada, conforme dados do IBGE, por Aparecida de Goiânia e Rio Verde.
Entre as propostas de curto prazo, o primeiro eixo foca na Requalificação Urbana e Zeladoria. O documento sugere a modernização de praças, calçadas e iluminação, além da implementação urgente de um sistema digital de estacionamento rotativo e policiamento permanente 24h em pontos críticos como a Praça Bom Jesus. A ideia é transformar o centro em um espaço de convivência que atraia consumidores e novos investimentos.
No âmbito do Desenvolvimento Econômico e Competitividade, os empresários propõem o fomento à participação de empresas locais em licitações públicas e a criação do programa “Rápido Empresarial”. O objetivo é dar celeridade aos processos de abertura de empresas, garantindo que Anápolis se consolide como um polo de eventos e logística, aproveitando sua posição estratégica no Centro-Oeste.
A Infraestrutura Estruturante também é pilar central, com foco na conclusão de obras como o Aeroporto de Cargas e a Plataforma Logística Multimodal. O documento defende que o ambiente regulatório seja modernizado para atrair investimentos, sugerindo a instituição de alvarás provisórios automáticos e a revisão profunda do Plano Diretor e da Lei de Uso do Solo para eliminar entraves burocráticos.
Um ponto inovador do relatório é o Eixo 10, dedicado ao desenvolvimento do DAIA. A proposta sugere o fortalecimento do Plano de Auxílio Mútuo (PAM/DAIA) em parceria com o Corpo de Bombeiros. Entre as sugestões está a criação do “Selo Empresa Parceira da Segurança”, que poderia oferecer benefícios fiscais como descontos no IPTU para indústrias que investem em prevenção e resposta integrada a emergências.
Para o setor de serviços e entretenimento, o documento propõe a regularização de atividades sonoras com critérios técnicos e a valorização de artistas locais. “O fato de hoje ter aqui vários representantes de classes empresariais mostra que agora é uma ação concreta. Vamos parar de só conversar e trabalhar por uma Anápolis melhor”, declarou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), Luiz Carlos Ledra, reforçando a expectativa de que as propostas saiam do papel.
A sustentabilidade também aparece no programa “Cidade Verde, Comércio Forte”, que prevê o descarte de materiais recicláveis em troca de moedas locais (vouchers) para uso no comércio da cidade. Além disso, o setor de construção civil e cerâmica defende a harmonização normativa entre as leis municipais para “destravar” investimentos que gerem empregos imediatos.
O presidente da CDL, Luiz Miguel, ressaltou a importância da reativação do Fórum Empresarial, que estava há sete anos sem se reunir. Ele enfatizou que a união atual é um sinal claro de que a cidade tem “sede de vitória”. “Não adianta o time do contra achar que não vai dar certo, porque vai dar certo. Quando pessoas e poderes que querem que funcione trabalham para isso, acontece”, afirmou o dirigente.
Wilson Oliveira, representante do SindiAlimentos e da FIEG, relembrou conquistas históricas frutos dessa união, como a vinda da CAOA, uma das maiores empresas do município. “Todo o progresso de Anápolis é fruto de um trabalho empresarial junto com a classe política. Sempre foi assim na nossa cidade e sempre deu certo”, afirmou.
Já o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção (Sinduscon), Luiz Antônio Rosa, ressaltou que o movimento vem em um momento importante, que é a atualização do Plano Diretor e leis correlatas que “estão desatualizadas há dez, 20 anos, e que podem ser agora já adicionados no potencial da cidade de Anápolis”.
O presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas (Sindifargo), Marçal Henrique, apontou que o documento “tem uma série de pedidos, mas também sugestões”. “Agora buscar soluções, oferecer sugestões viáveis é o grande x da questão. O que nos interessa realmente é o sucesso, é resultado que nós temos que ter”.
A convergência de ações também foi pauta do deputado estadual Amilton Filho (MDB), que se comprometeu a levar as demandas ao governo estadual. Ele reforçou que é fundamental entender as “dores” do setor produtivo para oferecer as respostas que a economia exige. “É fundamental estar sempre conectado para que a gente possa buscar soluções para os desafios que enfrentamos”, disse o deputado.
Por fim, o documento será a base para as próximas discussões do Plano Diretor na Câmara Municipal. Com ações de curto prazo previstas a expectativa é que o “Prospera Anápolis” resgate a competitividade do município. Como concluiu a presidente Andreia Rezende, “a união atual é o diagnóstico necessário para transformar a realidade local com responsabilidade e compromisso”.
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