16 de julho de 2026
Cidades

Fogaréu mobiliza fé, tradição e turismo na cidade de Goiás aos 281 anos

Procissão do Fogaréu, na Cidade de Goiás (Foto: Divulgação)
Procissão do Fogaréu, na Cidade de Goiás (Foto: Divulgação)

A Procissão do Fogaréu voltou a ocupar as ruas de pedra da Cidade de Goiás na madrugada desta quarta-feira (1º/4), reafirmando seu papel como principal manifestação da Semana Santa no estado. A celebração, que completa 281 anos, reuniu fiéis, turistas e autoridades, entre elas o governador Daniel Vilela e a primeira-dama Iara Netto Vilela.

Realizada desde 1745, a encenação simboliza a perseguição e prisão de Jesus Cristo. À meia-noite, o som dos tambores marca a saída dos farricocos da Igreja da Boa Morte, que seguem em cortejo pelas ruas históricas até a Igreja de São Francisco de Paula, em um trajeto que remete aos últimos momentos de Cristo. Com tochas nas mãos, túnicas coloridas e pés descalços, os participantes reproduzem um ritual que atravessa gerações.

O governador destacou o papel da manifestação na preservação da identidade cultural do estado. “As pessoas precisam conhecer as nossas tradições, antepassados e origens. Esse resgate cultural passa pelo investimento na reforma dos prédios históricos”, afirmou. Segundo ele, a valorização da cultura também cumpre função formativa. “Isso é formar as novas gerações com a convicção das suas origens, da sua cultura e também com os princípios religiosos.”

A primeira-dama reforçou o simbolismo da celebração. “A Procissão do Fogaréu é uma tradição muito importante para o estado e para a história do povo goiano. Estar na cidade de Goiás neste momento é valorizar uma celebração que passa de geração em geração”, disse.

Reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Goiás, a procissão também se sustenta em investimento público. Em 2026, o governo estadual destinou R$ 200 mil, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, para estrutura e organização do evento. Desde 2022, o aporte soma R$ 1,2 milhão. A secretária Yara Nunes afirmou que o suporte é determinante. “Sem o apoio do Estado estes costumes vão se perdendo”, declarou.

Além da dimensão religiosa, o Fogaréu tem impacto direto na economia local. O fluxo de visitantes impulsiona o turismo e movimenta o comércio na antiga Vila Boa. O prefeito Aderson Gouvea afirmou que a celebração já ultrapassou fronteiras regionais. “A Procissão do Fogaréu transcende a cidade e o Estado e se tornou um ícone nacional, com uma multidão vinda de todo o Brasil.”

No campo simbólico, a procissão também mobiliza os próprios participantes. O padre Augusto, da Catedral de Sant’Ana, resumiu o sentido da encenação. “O amor é capaz de se doar, de se sacrificar, de se entregar, mas também vence a morte”, disse, ao destacar o envolvimento dos farricocos e o apoio institucional para a realização do evento.


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