O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez ao menos duas viagens com sua família no ano passado usando jatinhos emprestados por empresários, revelam documentos e relatos colhidos pelo Estadão. Um dos empresários, Willer Tomaz, ficou preso por três meses em 2017 após delação do goiano Joesley Batista, da JBS (antiga Friboi), que depois recuou na denúncia.
Segundo o jornal, uma das viagens foi na primeira hora do dia 1º de maio de 2025, com destino à Flórida em um avião executivo de longo alcance, na companhia de sua esposa e do advogado Willer Tomaz, em avião emprestado por outro empresário. Na véspera, Flávio havia completado aniversário de 44 anos. A segunda viagem foi para o Rio de Janeiro em um jatinho pertencente ao próprio Willer Tomaz.
Questionado, o senador afirmou em nota (leia a íntegra ao final) que as viagens tiveram “finalidade pessoal e familiar”, mas não esclareceu quem pagou pelos custos do jatinho. Ele atacou o presidente Lula na resposta.
O advogado Willer Tomaz, também por nota (ao final) disse que não obteve nenhum favorecimento na administração pública e é amigo de Flávio Bolsonaro.
O jornal citou documentos do Aeroporto de Brasília confirmando que Flávio Bolsonaro ingressou no terminal executivo com sua esposa às 23h37 do dia 30 de abril de 2025 – uma quarta-feira, véspera do feriadão do 1º de maio. No mesmo horário, também foi registrado o ingresso de Willer Tomaz.
Os registros de voos, revelam que a 0h26 partiu do terminal uma aeronave particular com destino à Flórida. O avião está registrado em nome de uma empresa dos donos da União Química, laboratório químico-farmacêutico sediado em São Paulo. O escritório de Willer já atuou para a empresa em processos na Justiça.
O Estadão informou que fez contato telefônico na sexta-feira (3), com um dos sócios da empresa dona do avião, Fernando Marques, que não retornou. Da marca Bombardier, a aeronave é considerada um jato executivo de longo alcance e tem capacidade para 13 passageiros.0
Voo para o Rio
Os documentos também registram uma entrada de Flávio Bolsonaro com sua esposa e suas duas filhas no dia 1º de abril de 2025, às 16h. Menos de dez minutos após a entrada deles, um jatinho particular pertencente a uma empresa ligada a Willer Tomaz deixou o terminal com destino ao Rio de Janeiro. A aeronave é um Cessna modelo 550 Bravo, com capacidade para oito passageiros.
Ainda segundo o jornal, os documentos do terminal indicam três outras entradas de Flávio Bolsonaro para viagens em jatinhos particulares, mas não é possível identificar o destino e a aeronave usada nesses deslocamentos.
Chamado nos bastidores de “advovado ostentação” pelo seu vasto patriminônio, inclusive com mansões em cidades goianas, como Planaltina de Goiás, Willer Tomaz é muito conhecido em Brasília, onde tem bom relacionamento com diversos parlamentares e possui um escritório de advocacia, além de empresas de outros ramos de atividades. Ele se aproximou de Flávio Bolsonaro durante o período em que Jair Bolsonaro era presidente da República, mas mantém relações com políticos de vários espectros partidários. Willer é sócio do ex-procurador Eugênio Aragão, que tem ligações ideológicas com o PT.
Prisão e soltura
Sem relação com o uso dos jatinhos por Flávio Bolsonaro, Willer chegou a ser preso em 18 de maio de 2017 durante a Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato, realizada pela Polícia Federal, após ter sido delatado por Joesley Batista sob acusação de tentar corromper um procurador. Ele foi acusado de obstrução à justiça e de intermediar propinas para o procurador Ângelo Goulart Villela no caso dos irmãos Batista (J&F).
Tomaz foi solto em agosto de 2017 após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) rejeitar a denúncia movida contra ele por falta de provas. Em depoimento prestado posteriormente, o próprio Joesley voltou atrás e disse que não contratou Willer com o objetivo de influenciar autoridades públicas.
Nota de Flávio Bolsonaro
“O senador Flávio Bolsonaro mantém relação de amizade com o advogado Willer Tomaz, assim como suas famílias, sem qualquer vínculo profissional ou comercial. Diferentemente de Lula, que utiliza aviões de amigos que têm empresas reguladas pelo governo, os voos tiveram caráter privado, com finalidade pessoal e familiar, não havendo qualquer contrapartida, favorecimento ou relação com a administração pública”.
Nota de Willer Tomaz
“O advogado Willer Tomaz esclarece que os voos mencionados tiveram caráter estritamente privado, realizados no contexto de relação pessoal de amizade entre as partes. Os deslocamentos foram de natureza exclusivamente pessoal e familiar, sem qualquer vínculo comercial, prestação de serviços ou contrapartida de qualquer natureza”.
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