O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), publicou em suas redes sociais um vídeo captado durante o governo do pai, Jair Bolsonaro, associando como se fosse da atual gestão. Na publicação ele critica o nível de endividamento das famílias durante o governo Lula.
A publicação tem um trecho de pessoas buscando alimentos em um caminhão de lixo com a data de 03 de março último. Mas a imagem foi captada no Ceará no ano de 2021, durante o governo Jair Bolsonaro.
No post, vem a manchete “Famílias coletam comida em lixo descartado por supermercado em Fortaleza”, atribuída ao portal Diário do Nordeste. Ao fundo, surge uma gravação que viralizou em 2021 onde um trecho afirma: “Isso representa comer menos, significa panela vazia. E quase 20% desses brasileiros não está conseguindo pagar nem as contas de água e luz”.
A utilização do vídeo de 2021 foi apontada pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos como manipulação dos fatos. “Olha a cara de pau! Flávio Bolsonaro usa imagens da miséria no governo do pai dele para atacar o governo Lula. As imagens são de Fortaleza, em 18/10/2021, ou seja, no governo Bolsonaro. E aí, Flávio Bolsonaro? Vai se retratar?”, rebateu Boulos.
Flávio Bolsonaro utilizou o vídeo para comentar um estudo recente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que identificou um índice de endividamento de 80% dos lares brasileiros, o que ele atribui à atual gestão.
“Como o governo do PT gasta mais do que arrecada e aumenta impostos para arrecadar ainda mais às custas do suor do trabalhador brasileiro, a taxa de juros no Brasil é uma das maiores no mundo e é ela que serve de referência para calcular os juros da sua dívida”, afirmou. Também alegou que a lei que regulamenta os jogos de apostas teria contribuído para o aumento do endividamento.
Série histórica
Segundo o portal Congresso em Foco, o CNC aponta que o Brasil vive há pelo menos uma década um ciclo de alta no endividamento das famílias. Em 2015, primeiro ano do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, o índice estava em 57,5%. Em 2017, durante o governo Michel Temer, subiu para 58,6%. Em janeiro de 2019, Jair Bolsonaro assumiu com 60,1% e encerrou o governo, em janeiro de 2023, com 78%.
Em 2024, houve uma leve queda no endividamento, com o índice abrindo janeiro de 2025 em 76,1%. Ao longo do ano, voltou a subir e chegou a 80,4% no último mês de março.
Leia mais sobre: Flávio Bolsonaro / Fome no Brasil / Jair Bolsonaro / Lula / Política

