25 de junho de 2024
FINAL INFELIZ • atualizado em 20/05/2024 às 19:22

Festa em homenagem às mães termina em confusão e na prisão do organizador em Trindade

Decisão de encerrar sorteio revoltou população que jogou objetos contra policiais; som já tinha sido desligado, mas autorização para término era até 22h
PMs subiram no palco e determinaram o fim do evento, levando organizador preso - Foto: Reprodução redes sociais
PMs subiram no palco e determinaram o fim do evento, levando organizador preso - Foto: Reprodução redes sociais

Uma festa realizada há 16 anos em homenagem ao Dia das Mães terminou no domingo (19) com a prisão do organizador, conhecido como Nilton Muriçoca, um morador antigo da região Leste de Trindade. Policiais Militares subiram no palco para o término do evento, que só tinha autorização até 22h, e impediram o sorteio dos brindes doados pelos comerciantes do setor.

O organizador acabou no chão, onde foi algemado e conduzido para uma delegacia com mais três pessoas. Segundo o comandante da 23ª Companhia da PM, Major Eliel de Paiva, responsável pelo policiamento na região onde foi realizado o evento, havia “ânimos exaltados pela situação eleitoral”.

A festa é organizada pelo morador e seus familiares e abastecida por doações de pequenos comerciantes e políticos da região Leste de Trindade, considerada a mais carente do município.

Festa termina em prisão

Com oito viaturas no local, segundo o oficial, tudo transcorria bem, até que o organizador deixou de acatar o horário previsto para o som (17h) e depois para o término do evento. “Existem distribuidoras de bebida próximos e começamos a ter reclamações por perturbação de sossego, algazarra”, justificou o major.

Na versão dele, o som foi desligado, e o sorteio prosseguia. “Mas o organizador começou a insuflar os moradores contra os policiais porque não poderia dar continuidade ao evento”, consequentemente, ao sorteio dos esperados brindes.

“Ele alegou que faria mais 15 sorteios e se sentiu ofendido quando os policiais educadamente disseram para ele encerrar. Então começou a lançar a população contra a polícia dizendo que podiam calar seu som, mas não sua voz. Começou a dar um viés político”, argumentou o comandante.

Vídeos gravados por testemunhas presentes e que estão circulando muito pelas redes sociais, mostram pessoas atirando latas de bebida e outros objetos no palco, em direção aos policiais, enquanto o organizador era imobilizado e detido. Conforme o militar, ele foi autuado em flagrante por desacato e desobediência, pagou fiança e foi liberado.

Ainda de acordo com o comandante, “nenhum militar deu um tapa sequer ou sacou a arma do coldre” mesmo diante do clima exaltado. Em uma das imagens, Nilton aparece voluntariamente ficando de costas e colocando as mãos para trás, se oferecendo para ser algemado em situação onde a abordagem não aparenta ser neste sentido. “Ele se jogou no chão e resistiu, então foi preso por colocar a população em uma situação de risco”, argumentou o oficial.

Presença só da PM

Além disso, o major enfatizou que não havia fiscalização municipal no local do evento, apenas a PM. Ele explica que essa atuação acontece dentro de um termo de ajuste de conduta, uma portaria municipal que normatiza o funcionamento dos eventos a partir das autorizações concedidas para cada um. A Prefeitura de Trindade não retornou aos contatos da reportagem para comentar o assunto.

Em entrevista ao jornal TopNews, o organizador contou, muito emocionado, que não esperava o término desastroso do evento. Aposentado por invalidez por ter polineuropatia, ele negou que fosse candidato a vereador ou que a festa tivesse cunho político eleitoral, e disse que apenas os brindes são cedidos por comerciantes e políticos.

Ele alegou ainda que se machucou durante a prisão no palco e a condução pelos PMs até a delegacia. Por outro lado, na entrevista é informado que ele não fez exame de corpo de delito. A reportagem não conseguiu localizar Nilton Muriçoca nesta segunda-feira.


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Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.