A família Daroszewski quer guardar um pedacinho da memória de uma árvore de quase 70 anos que está prestes a ser retirada da paisagem do Setor Sul, em Goiânia. Plantada em maio de 1957, pelo imigrante polonês Boleslaw Daroszewski, o histórico mogno é mais que um livro aberto da história da luta do ex-veterano da II Guerra Mundial, mas também um símbolo de décadas de luta.
E é tudo isso que o advogado Darô Fernandes, neto de Boleslaw, quer preservar. No próximo fim de semana – no dia 7 ou 8 de março – a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) fará o corte do espécime depois de um laudo da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) que o condenou por risco estrutural. E ele quer um pedacinho desta história como recordação.
Fernandes pediu à Comurg uma parte do tronco para imortalizar numa obra de arte o legado do avô. Boleslaw morreu em 2015 e, segundo Darô, a peça seria “como se ele estivesse aqui conosco”.
Defensor do meio ambiente, Boleslaw ganhou notoriedade por denunciar exploração predatória do mogno. Em 1966, ele expôs o abuso do desmatamento madeireiro em busca da espécie, o que segundo Darô lhe trouxe graves consequências.
“Em um ambiente marcado por fortes interesses econômicos, meu avô foi duramente perseguido e sofreu ameaças de morte. Ainda assim, não recuou. Permaneceu firme na defesa do mogno, transformando sua convicção ambiental em prática constante e pública”, descreveu.
A paixão pelo mogno levou à fundação do Mogno Hotel, em Araguatins. E foi ele quem doou uma muda que então se tornaria a poderosa árvore da Rua 20, que viria a ser plantada por acadêmicos da Faculdade de Direito. De tão imponente, o histórico mogno foi tombado pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), atual Ibama.
A presidência da Comurg recebeu o ofício e o colocou em tramitação. Ainda não há resposta formal da companhia.

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