12 de julho de 2026
Proposta infundada • atualizado em 03/05/2026 às 15:37

Fala de Zema sobre defesa do trabalho infantil repercurte negativamente após tentativa de explicação

O pré-candidato à presidência defendeu o trabalho infantil em podcast no Dia do Trabalho, tentou se explicar nas redes sociais após repercussão negativa e foi criticado pela esquerda
Pré-candidato à presidência, Romeu Zema, defendeu o trabalho infantil. Foto: Reprodução
Pré-candidato à presidência, Romeu Zema, defendeu o trabalho infantil. Foto: Reprodução

Ao participar do podcast Inteligência Ltda. no dia 1º de maio, Dia do Trabalho, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência, Romeu Zema (Novo), defendeu o trabalho infantil no Brasil. O político afirmou que “a esquerda criou uma noção de que trabalhar prejudica a criança” e disse que, se eleito, “vai mudar isso”.

A fala do pré-candidato logo repercurtiu negativamente ao comparar as leis brasileiras, onde a Constituição Federal proíbe o trabalho de crianças e adolescentes menores de 16 anos, com as dos Estados Unidos, onde a prática é liberada. Zema ainda usou a própria infância como exemplo.

“Eu sei que o estudo é prioritário, mas criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela. Eu acompanhava meu pai o dia todo, contava parafuso, porca e ajudava ele, embrulhava em jornal. Na época era em jornal o papel de embrulho. Hoje é Dia do Trabalho e aqui no Brasil parece que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança”, afirmou.

Confira a entrevista com Romeu Zema na íntegra abaixo:

Tentativa de argumentação

Após a repercussão negativa de sua fala, Zema usou as redes sociais para tentar se explicar. Em um post no X, o ex-governador afirmou que sua intenção é “ampliar oportunidade para quem quer começar cedo”. Como argumento, Romeu Zema ainda usou o tráfico para ilustrar como a proibição do trabalho infantil pode ser prejudicial.

“O que eu defendo é ampliar oportunidades para quem quer começar cedo. Com proteção, sem atrapalhar a escola, como já acontece em vários países desenvolvidos”, escreveu. E completou: “Nós vamos oferecer um caminho do bem. E esse caminho é o da educação e do trabalho honesto”.

A questão é que a legislação brasileira já prevê essa dinâmica apontada por Zema em sua tentativa de explicação. No Brasil, é legalmente permitido que adolescentes a partir de 14 anos trabalhem na condição de aprendiz, em contrato regido pela CLT e pela Lei de Aprendizagem, que regulamenta o Programa Jovem Aprendiz. O programa exige o cumprimento de carga horária máxima de seis horas diárias, com comprovação de frequência escolhar, direito a todas os benefícios trabalhistas e contrato máximo de dois anos.

Reação da Esquerda

Após Zema atacar a Esquerda ao criticar a proibição do trabalho infantil no Brasil, algumas figuras políticas se manifestaram. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi um dos que reagiram.

Boulos usou sua rede social para responder ao que chamou de “ato de covardia”. “Defender o trabalho infantil é um ato de covardia. O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além: dá sérios sinais de ser um psicopata. O nome dele é Romeu Zema”, escreveu Boulos no X.

Outra figura política que se expressou contra a fala de Zema foi o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar defendeu que a proposta do ex-governador é um “retrocesso”.

“Trabalho infantil não é solução, Zema. É retrocesso. Romeu Zema normalizando criança trabalhando como se fosse algo positivo… no Dia do Trabalhador. O Brasil já superou 350 anos de escravidão, mas essa mentalidade insiste em aparecer. E ainda quer ser presidente da república uma figura como essa. Criança tem que estar na escola. Não trabalhando”, escreveu no X.


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