O empresário Danillo Ramos, ex-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO), defendeu a flexibilização das regras e da fiscalização da Prefeitura de Goiânia sobre a ocupação de calçadas por mesas e cadeiras de bares e restaurantes na capital. Segundo ele, o problema central não é a fiscalização em si, mas a rigidez das normas e a dificuldade de conciliá-las com a realidade dos pequenos estabelecimentos.
Em entrevista ao podcast Domingos Conversa, Danillo afirmou que o hábito de frequentar bares com mesas na calçada é uma característica consolidada da vida urbana goianiense e reflete diretamente o comportamento do consumidor. “As pessoas querem sentar na calçada. Não foi o dono do bar que inventou isso. Muitas vezes o salão está vazio, climatizado, limpo, mas as mesas da calçada estão cheias”, afirmou ao jornalista Domingos Ketelbey.
De acordo com ele, a dependência das mesas externas é decisiva para a sobrevivência de grande parte dos bares da cidade. “O empresário, às vezes, tem 30 mesas. Dessas, dez ficam na calçada. Se ele tira essas mesas, em muitos casos o negócio deixa de se sustentar”, disse.
Danillo reconheceu que houve avanço no diálogo recente entre o setor e a Prefeitura, especialmente após reuniões com a atual gestão, mas alertou que o impasse tende a se repetir enquanto não houver uma regulamentação clara e definitiva. “Entram prefeitos, saem prefeitos, e essa discussão volta. Enquanto a lei não for simples e objetiva, o problema vai continuar”, avaliou.
O ex-presidente da Abrasel-GO também criticou o excesso de burocracia nas normas urbanas, que, segundo ele, acaba penalizando não apenas o empresário, mas o próprio poder público. “Quanto mais complexa é a lei, mais difícil é para o comerciante cumprir e para o servidor fiscalizar. Isso cria um ambiente de conflito permanente”, afirmou.
Na avaliação de Danillo, parte da resistência à flexibilização vem da própria sociedade, que muitas vezes associa simplificação a desordem. “Facilitar não significa bagunçar a cidade. Significa reconhecer a realidade dos bairros e do comércio local”, disse.
Ele defendeu que a fiscalização seja orientada pelo equilíbrio, garantindo a circulação de pedestres, mas levando em conta o papel econômico e social dos bares. “Ninguém está defendendo obstrução total de calçada. O que se busca é bom senso, para que a cidade funcione sem sufocar quem gera emprego e renda”, argumentou.
Por fim, Danillo destacou que os bares de calçada fazem parte da identidade cultural de Goiânia. “Esses espaços não são só negócios. Eles ajudam a manter viva a convivência urbana, a cultura e a economia da cidade”, concluiu.
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