26 de fevereiro de 2024
Cobrança

Evangélica, Aava Santiago cobra posição de lideranças pentecostais sobre genocídio yanomami

Vereadora cobra postura de lideranças
Aava Santiago durante discurso em encontro de Lula com evangélicos (Foto: Reprodução/YouTube)
Aava Santiago durante discurso em encontro de Lula com evangélicos (Foto: Reprodução/YouTube)

A vereadora e presidente do PSDB em Goiânia, Aava Santiago compartilhou, neste sábado (21/01) as devastadoras fotos que mostram a condição que o território indígena onde vivem os Yanomamis vivem e cobrou uma posição das lideranças evangélicas que tanto falam em valores à vida e denunciam políticas pró-aborto. 

“Essas imagens são completamente devastadoras. Bolsonaro, com a cumplicidade do exército brasileiro, instalou uma atrocidade análoga ao Holocausto no território indígena Yanomami. Todas as lideranças evangélicas que nos acusam de defender assassinos de bebês estão em silêncio”, destacou em suas redes sociais.

A publicação continua com a vereadora cobrando posição de pastores e lideranças evangélicas, entre Silas Malafaia e a senadora eleita e ex-ministra das Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. “Eu quero saber onde estão @PastorMalafaia, @apostoloestevam, @andrevaladao e outros que insultaram crentes que apoiaram Lula. Onde estão os pastores que receberam a criminosa @DamaresAlves em seus púlpitos, mentindo sobre dramas imaginários, enquanto massacrava crianças reais?”, indagou.

“Eu quero saber onde estão os defensores das “nossas crianças”, que se sensibilizaram mais com a descriminalização do aborto em um país vizinho que com o projeto de eliminação das crianças yanomamis em solo brasileiro.”

Aava Santiago, nas redes sociais

A situação em Roraima, levou o Governo Federal a decretar estado de emergência para tratar da situação da população yanomami.  O Ministério da Saúde declarou neste sábado (21/01) Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional para combate à desassistência sanitária dos povos que vivem no território indígena Yanomami, em Roraima. A portaria foi publicada na noite desta sexta-feira (20/01) em edição extra do Diário Oficial da União.

A pasta também instalou o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE – Yanomami), que estará sob responsabilidade da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), e anunciou o envio imediato de cestas básicas, insumos e medicamentos.

Entre outros, o comitê será o responsável por coordenar as medidas a serem empregadas durante o estado de emergência, incluindo a mobilização de recursos para o restabelecimento dos serviços de saúde e a articulação com os gestores estaduais e municipais do Sistema Único de Saúde.

Desde a última segunda-feira (16/01), equipes do Ministério da Saúde se encontram no território indígena Yanomami. A região tem mais de 30,4 mil habitantes. “O grupo se deparou com crianças e idosos em estado grave de saúde, com desnutrição grave, além de muitos casos de malária, infecção respiratória aguda (IRA) e outros agravos”, informou a pasta.

As equipes devem apresentar um levantamento completo sobre a crítica situação de saúde dos indígenas. A terra indígena Yanomami é a maior do país, em extensão territorial, e sofre com a invasão de garimpeiros. O povo da região vive uma crise sanitária que já resultou na morte de 570 crianças por desnutrição e causas evitáveis, nos últimos anos.

Levantamento feito pelo Ministério da Saúde registrou três óbitos de crianças indígenas nas comunidades Keta, Kuniama e Lajahu entre 24 e 27 de dezembro de 2022. No ano de 2022, foram registrados 11.530 casos confirmados de malária na terra Yanomami.


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Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.