23 de julho de 2024
Saúde • atualizado em 23/06/2024 às 08:42

Especialista alerta para cuidados com queimaduras nas festas juninas

O risco de acidentes aumenta durante o mês junho, em função do uso de fogos de artifício, fogueiras e comidas quentes
O Hugol possui uma ala especializada no atendimento a pacientes com queimaduras.. Foto: Divulgação/Hugol
O Hugol possui uma ala especializada no atendimento a pacientes com queimaduras.. Foto: Divulgação/Hugol

O médico especialista na área de queimaduras no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), Fabiano Calixto, alerta a população para os cuidados com queimaduras durante o período de festas juninas. Isto porque, durante o mês de junho, é comum a produção de comidas quentes, além da presença de fogueiras e fogos de artifício nas programações temáticas.

“É muito comum nas festas tradicionais as brincadeiras de pular a fogueira. Isso é um risco, já que pode levar a queimaduras graves, principalmente na região dos membros inferiores. Também não se deve usar álcool líquido e gasolina para acender fogueiras”, frisa o especialista.

Outra preocupação nessa época são com os fogos de artifício, pois pode causar explosões e até mesmo atingir pessoas ao redor. O médico alerta para o uso responsável desses artefatos, que devem ser manuseados apenas por pessoas autorizadas. “Além disso, é recomendável tomar cuidado com a soltura de balões, que podem provocar também incêndios”, explica.

Já para casos de queimaduras, a orientação é colocar água corrente fria sobre a parte do corpo atingida até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou do Corpo de Bombeiros Militar. “Não se deve aplicar produtos como manteiga, pasta de dente, babosa, borra de café, entre outros, pois podem causar infecções graves no local machucado”, alerta Calixto.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), só nos cinco primeiros meses de 2024, o Hugol já atendeu 588 pacientes vítimas de queimaduras, sendo 440 adultos e 148 crianças. No mesmo período do ano passado foram atendidos 451 pacientes vítimas de queimaduras. Ou seja, houve um aumento de 30% nos casos atendidos pela unidade.

A unidade possui uma ala especializada para esses casos, já que, no geral, são pacientes de longa permanência. Após a avaliação de cada caso, podem ser necessários procedimentos cirúrgicos, como debridamentos, colocação de enxertos de pele e até rotação de retalhos. Dependendo da gravidade e da necessidade, o tratamento pode durar meses até a recuperação completa do paciente.

“O tratamento de queimaduras é um tratamento muito complexo. Além da estrutura e do ambiente hospitalar especializado, é necessário um tratamento que envolve várias áreas da saúde, como enfermagem, fisioterapia, psicologia, serviço social, fonoaudiologia, médicos intensivistas e cirurgiões. Todos trabalhando em comum para que o paciente possa se recuperar da melhor forma possível”, explica Fabiano Calixto.

A recuperação pode envolver a superação de traumas emocionais, mudanças na autoimagem e na qualidade de vida, e a necessidade de suporte psicológico contínuo. “Temos todo um envolvimento com o paciente, para trazê-lo de volta à sociedade, para que possa se restaurar, compreender o que aconteceu com ele e fazer com que se sinta reinserido novamente”, disse.


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